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Murilo Antunes - O poeta e compositor celebra 72 anos de vida e 52 anos de arte
O show traz, entre os convidados especiais, Flávio Venturini e Toninho Horta.
Será no dia 25 de junho, sábado, às 21h, na Casa Outono (Rua Outono, 571 – Carmo – BH – MG), o show “ Murilo Antunes – desde 1950”. O evento celebra a música e a poesia de Murilo Antunes, em 72 anos de vida e 52 anos de carreira.
Poeta, compositor e publicitário, Murilo Antunes, respeitável letrista da música popular, tem mais de 300 canções gravadas por grandes intérpretes da MPB.
Murilo integra o seleto grupo de letristas do Clube da Esquina, parceiro de Flávio Venturini, Tavinho Moura, Toninho Horta, Lô Borges, Beto Guedes, Nivaldo Ornelas, Wagner Tiso, Telo Borges. No entanto, sua carreira não se restringe aos inspirados componentes do Clube mais famoso de Minas. Também é parceiro de ilustres talentos de várias gerações, como Beto Lopes, Marcus Vianna, Cláudio Nucci, Flavio Henrique, Thiago Delegado, Vitor Santana, Kleiton Ramil, Otávio Toledo, Marcos Frederico, Paulo Henrique, Sérgio Santos, o pantaneiro Guilherme Rondon e o compositor, Pedro Volta, de 20 anos, entre muitos outros.
A poética musical de Murilo Antunes tem suas peculiaridades e, sem arestas, atravessa fronteiras territoriais. Além disso, a força característica de suas letras, atemporais, se eterniza diante da sensibilidade aguçada e inspiradora do artista. Murilo consegue traduzir na simplicidade de palavras ou versos cuidadosos - objetivos, porém profundos -, nuances de emoções e sentimentos humanos, delicadezas oníricas que nos aproximam do sagrado ou, mesmo, expõem realidades tantas, desnudas através de suas palavras, métricas e lucidez. Real e imaginário se fundem às melodias, inúmeras, a se eternizarem em épocas diversas. (Márcia Francisco, jornalista e escritora)
No show do dia 25, sob a direção musical de Beto Lopes, Murilo Antunes terá a companhia de Flávio Venturini e Toninho Horta. Também participam: Marcos Frederico, Sarah Assis, Amaranto, Vitor Santana e Rai Medrado.
A produção é de Márcia Nerys. O design gráfico de Paulo Fatal sobre desenho criado pelo artista plástico Fernando Pacheco.
Neste espetáculo, poemas do artista, entremeados por canções autorais, farão um conjunto de criações emocionantes, que vale a pena ser apreciado. Como Murilo costuma citar: “a poesia não quer adeptos, ela quer amantes” (Garcia Lorca)
No repertório, músicas conhecidas como “Besame”, “Tesouro da Juventude”, “Nascente” e “O trem tá feio”, além de canções ineditas.
Ingressos limitados: R$50,00 através do WhatsApp: 31 98020516 já à venda. Reservas de mesa: 31 999060624
Os últimos volumes do recém-lançado livro de Murilo Antunes, “Breve balada para viola e sangue” (Caravana Editorial) estarão disponíveis para aquisição no dia 25. A veia política do compositor se mostra nesta publicação que apresenta poemas acerca das chacinas acontecidas no Brasil da década de 90. Entre elas: Carandiru, Candelária e o assassinato dos índios Yanomami.
Estará à venda, também, o DVD “Como se a vida fosse música”, de canções autorais, com arranjos atuais. O vídeo tem direção de Fernando Batista, da Noir Filmes e direção musical de Flávio Henrique e João Antunes. As participações são especialíssimas: Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes, Tavinho Moura, João Antunes, Flávio Henrique, Flávio Venturini, João Bosco, Paula Santoro, Celso Moreira, Thiago Delegado, Sirlan, Beto Lopes, Cobra Coral, Vander Lee, Pablo Castro, Suzana Travassos e Mônica Salmaso.
História:
MURILO ANTUNES, por ele mesmo
Murilo Antunes Fernandes de Oliveira: meus pais me batizaram com este nome comprido.
Era 1950 quando nasci em Pedra Azul, Vale do Jequitinhonha, nordeste de Minas. Terra pedrenta, mas graciosa. Na letra de “Tesouro da Juventude” eu entrego o ouro: ... foi em Pedra Azul e em toda parte onde tive o que sou”
Sobrinho-bisneto do lobisomem dizem que sou. Meio lobo, meio homem. Bicho da Carneira em noite sem lua, na agrura do breu. Entidade estranha que vasculha a escuridão, inocula mistério em nosso desaperceber. Gosto de espalhar a lenda que o povo gosta.
Aos 7 anos, embarquei para Montes Claros, princesa do Norte: maruja, mestiça, poeirenta, cor de pequi, amarelo ouro e miséria. A primeira parceria com TAVINHO MOURA tem, no refrão, os versos de domínio público que vieram de lá: Meu facão guarani quebrou na ponta quebrou no meio / eu falei pra morena que o trem tá feio.
É também de lá que vem outro parceiro querido, BETO GUEDES.
Em 1962, vi pela primeira vez o mar, a TV e Belo Horizonte. Foi um ano mágico. O mar era maior que o sertão. Na TV, vi Pelé. BH ainda não era a hora.
Aos 14, tomei um susto sonoro: era meio-dia, eu voltava da aula quando ouvi ao longe, pela primeira vez, os Beatles. Enquanto eu crescia, eles dominavam o mundo e meu coração adolescente.
Belo Horizonte entrou em minha vida aos 15 anos. Atmosfera azul, montanhas se opondo ao que tinha em mente até então, a planura do sertão. A capital de Minas me reservava três novos sustos sonoros: Milton Nascimento, Toninho Horta e Tavinho Moura. Eles abriram os túneis da minha percepção musical.
Aos 18, comecei a compor. Hoje, aos 70, tenho mais de 300 músicas gravadas. E a fortuna de ser um dos letristas reconhecidos do Clube da Esquina. No meu fazer poético, sempre tive influência, admiração e a amizade de Fernando Brant, Marcio Borges e Ronaldo Bastos. No meio do caminho, tinha Flávio Venturini. Nascente foi a primeira pérola que ele me deu para letrar. Hoje, é com ele que tenho o maior número de composições. Beto Guedes e Lô Borges completam o primeiro time de parceiros que cultivo até hoje.
Minha alegria é ser parceiro também de compositores de várias gerações da MPB: meu filho João Antunes, Sirlan, Tavinho Moura, Flávio Venturini, Toninho Horta, Flavio Henrique, Beto Guedes, Lô Borges, Nivaldo Ornelas , Wagner Tiso, Nelson Angelo, Vander Lee, Sergio Santos, Paulinho Pedra Azul, Juarez Moreira, Celso Moreira, Telo Borges, Claudio Nucci, Andre Mehmari, Vitor Santana, Beto Lopes, Rodrigo Borges, Thiago Delegado, Marcos Frederico, Kadu Vianna, Geraldo Vianna, Célio Balona, Paulo Henrique, Túlio Mourão, Claudio Venturini, Vermelho, Yuri Popoff, Natan Marques, Otávio Toledo, Guilherme Rondon, Tunai, Gilvan Oliveira, Kléber Alves, Vaninho Vieira, Rái Medrado, Léo Lopes, Marcelo Godoy, Luis Carlos Sá, Maestro Leo Cunha, Pablo Castro, Sergio Oly, Fernando Oly.
Uns famosos, outros nem tanto. O que não tem a mínima importância para quem ama o ofício de compor.
Como poeta, publiquei 3 livros, em edições esgotadas: “O Gavião e a Serpente” (1979), “Musamúsica” (1990), “Breve Balada para Viola e Sangue” (Caravana Grupo Editorial 2020), além de diversas publicações em revistas e jornais literários. As apresentações de poesia e música tenho feito desde a década de 1980.Uma coisa é certa: não faço poesia quando quero, mas quando ELA quer.
Verbete na Enciclopédia da Música Brasileira, de Ricardo Cravo Albin, confesso o prazer de ter canções interpretadas por Milton Nascimento, Leila Pinheiro, Nana Caymmi, Jane Duboc, Maria Rita, Alcione, Hebe Camargo, MPB-4, 14 Bis, Cobra Coral, Legião Urbana, Djavan, Mart’nália, Paulinho Pedra Azul, Michael Brecker, Seu Jorge, Banda de Pau e Corda, Simone, Ed Motta, Emílio Santiago, entre muitos e muitos outros, além das gravações preciosas dos parceiros citados anteriormente.
Sempre reparei a turbulência do mundo. A correnteza dos dias. Tudo teria importância sob o olhar do poeta.
Caminhava sem medo pelas ruas, cantava nas esquinas com os amigos, fazia serenata na capital mineira. Saia pelas noites com pés alados e pensamento nas estrelas.
E a borduna descia nos porões da ditadura brasileira.
Mas, em compensação, aos 17 anos, fui surpreendido pela música seminal de minas. Com ela, iria ganhar o mundo.
Com Sirlan, fiz minha primeira canção. Também com ele, a segunda, que nos levou ao Festival Internacional da Canção, em 1972, com a música, Viva Zapátria. Levou Menção Honrosa e tivemos o desprazer de sermos interrogados pela censura federal. O tempo era esse.
No cinema, trabalhei na produção do longa “Cabaret Mineiro”, premiado no Festival de Gramado. Fiz parcerias com Tavinho Moura para o filme “Perdida”, ambos de Carlos Alberto Prates Correia, e para o longa “O Bandido Antonio Dó”, de Paulo Leite Soares.
Trabalhei como ator no longa “Idolatrada”, de Paulo Augusto Gomes, e nos curtas “Irmãos Piriá”, de Luis Alberto Sartori e “Solidão”, de Aluizio Sales Jr. Fui também assistente de direção no curta-metragem “Famigerado”, de Aluizio Salles Jr, que conta um conto de Guimarães Rosa e é esplendoroso.
Tive músicas incluídas em novelas. “Cabocla”, “Dona Beija”, “Vale Tudo”, entre várias outras. Fui redator, durante 6 anos, do programa Arrumação, apresentado por Saulo Laranjeira, na Rede Minas e no SBT.
Em abril de 2019, fui honrado com o título de Cidadão Honorário de Belo Horizonte, indicado pelo vereador Arnaldo Godoy.
Foto: Divulgação
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