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16ª Mostra do Filme Livre homenageia os cineastas Luiz Paulino dos Santos e Paula Gaitán

Evento acontece até 05 de junho no CCBB Belo Horizonte com todas as atividades gratuitas

Em sua última semana no CCBB Belo Horizonte, a 16ª Mostra do Filme Livre apresenta duas sessões imperdíveis compostas por filmes de dois grandes cineastas: Luiz Paulino dos Santos e Paula Gaitán. O Destaque Luiz Paulino dos Santos, com a exibição do seu último longa, “Índios Zoró - Antes, Agora e Depois?, acontecerá nesta quinta-feira, 01 de junho, às 19h. A sessão será seguida de debate com o diretor da Mostra do Filme Livre, Guilherme Whitaker, e o cineasta e curador da MFL Christian Caselli. Na ocasião também será exibido um vídeo em homenagem a Luiz Paulino, falecido recentemente, aos 86 anos, filmado pela equipe da Mostra do Filme Livre 2017 durante a presença do cineasta no CCBB Rio. Já a homenagem à artista e realizadora Paula Gaitán, de 02 a 05 de junho, será dividida em oito sessões e apresentará sete longas e três curtas-metragens. Após a exibição dos filmes “A Mulher do Fim do Mundo”, clipe para a música de Elza Soares, e “Sutis Interferências”, inspirado na obra de Arto Lindsay, que compõem a sessão Gaitán 7, no dia 03 de junho, às 18h45, haverá um debate com a presença da realizadora. Todas as atividades são gratuitas.

Nascida em Paris e criada em Bogotá, onde estudou Artes Visuais na Universidad de Los Andes, Paula Gaitán acabou construindo no Brasil a maior parte de sua obra, com uma estética extremamente autoral e transitando nas fronteiras entre documentário e artes performáticas. Luiz Paulino iniciou suas atividades cinematográficas em Salvador, no final dos anos 50, junto de grandes cineastas como Glauber Rocha, Roberto Pires e Rex Schindler.

Nas palavras do cineasta e curador da MFL Gabriel Sanna, “uma das mais transgressoras autoras do nosso tempo, Paula Gaitán atravessa geografias e gerações com extrema sensibilidade, a cidade com lentes em punho e a ideia na cabeça de que o mundo é um incessante plano-sequência revelado em tempo real. Filme a filme, Paula reinventa-se como autora de uma obra de desdobramentos improváveis, seja em seu primeiro longa, Uaka, rodado no Xingu durante o Kuarap; Sutis Interferências, tradução preciosa das dissonâncias propostas por Arto Lindsay – onde imagem e som revelam-se corpo indissociável e também a voz que interage pontualmente com a figura, a sonoridade e todos os seus aparatos; Noite, outro filme que trata do universo da música e vagueia por espaços do underground carioca;  nos filmes-biografemas sobre as criadoras singulares Lygia Pape, Éliane Radigue, Maria Gladys e Agnes Varda; e Exilados do Vulcão, onde a partir de uma narrativa de quase amor percorremos interiores devastados de um estado de dissolução absoluta dos pactos de sentido entre todo ente e seu eco, restando à linguagem esse eterno verro esmo a um passo do abismo…”, comenta Sanna.

Segundo o curador Chico Serra, “Luiz Paulino dos Santos iniciou suas atividades cinematográficas em Salvador no final da década de 1950 e foi, junto com Glauber Rocha, Roberto Pires e Rex Schindler, um dos criadores do moderno cinema baiano. Foi responsável pela fotografia do curta Pátio (1959), e autor do argumento original e diálogos de Barravento (1961), cuja função na direção foi posteriormente substituída por Glauber Rocha (que era então produtor do filme). Como realizador, Luiz Paulino dirigiu e montou o documentário de inspiração neorrealista Um Dia na Rampa (1957), que influenciou outros cineastas no caminho de um documentário livre e com uma aguda percepção social, além dos longas Mar Corrente (1967) e Crueldade Mortal (1976). Em 1983, realizou Ikaténa – Vamos Caçar?,antropologia visual e poética sobre a iniciação dos meninos da etnia Zoró, em Rondônia, que é também ponto de partida para seu filme mais recente Índios Zoró - Antes, agora e depois?”, destaca Chico.

Esta edição da Mostra do Filme Livre, após passar por São Paulo, de 09 a 11 de junho, na Matilha Cultural, também acontecerá fora do Brasil, na cidade de Boston, que possui uma grande comunidade de latinos na cidade. “Em 2015, fizemos uma Mini-MFL em Lima, no Peru, que foi um grande sucesso. Este ano, escolhemos Boston porque em 2016 tive a chance de conhecer a Boston University e eles gostaram da ideia de realizar a MFL por lá”, explica Guilherme Whitaker. No ano passado, a MFL recebeu 4,7 mil pessoas. Neste ano, aguarda 5 mil visitantes.

Foto: Divulgação

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