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Curta Circuito traz a consagrada produtora Assunção Hernandes para comentar o longa A Próxima Vítima (1983), dirigido por João Batista de Andrade

O thriller policial aborda temas atuais como violência, questões sociais,cobertura midiática e feminismo, em um conturbado Brasil do início dos anos 1980, em plena fase de transição política

Um retrato da violência em meio à um país no caos. Essa frase - que poderia facilmente ser associada à realidade atual do Brasil - define bem o cenário do próximo filme exibido pelo Curta Circuito - Mostra de Cinema Permanente. Dirigido pelo cineasta mineiro João Batista de Andrade - que chegou a ser Ministro Interino da Cultura em 2017-  o longa A próxima Vítima (1983)  oferece uma radiografia nada positiva do país da época, ao final da ditadura militar, tomado pelo medo e a violência, sem líderes ou proposta social. O filme tem produção de Assunção Hernandes, uma das mais respeitadas produtoras cinematográficas do país, que estará presente na exibição para conversar com o público, junto com o crítico gaúcho Felipe M. Guerra. A sessão é no dia 4 de junho, segunda-feira, às 20h, no Cine Humberto Mauro. A entrada é franca, com distribuição de ingressos na bilheteria do cinema 30 minutos antes da exibição.

Com nomes como Antônio Fagundes, Othon bastos  e Mayara Magri - estreando no cinema, em atuação que lhe valeu o prêmio de atriz coadjuvante no Festival de Gramado de 1984 - A próxima Vítima é considerada uma das produções mais interessantes das década de 1970 e 1980, apesar de não  ter tido sucesso de público em seu lançamento. “Entre outros fatores, porque não se integrava em nenhuma das vertentes do cinema feito naquela época: não é um filme que explora o erotismo, nem libertário e eufórico, não cumpre uma revisão da nossa história recente e muito menos oferece biografia de bandidos e marginalizados, fórmula que rendeu bem-sucedidos filmes nos anos 70” , comenta Fábio Leite, jornalista e crítico de cinema que assinou o texto sobre o filme no catálogo da mostra.

O diretor João Batista de Andrade e seu corroteirista, o autor de novelas Lauro César Muniz, apostaram em uma narrativa inusitada: uma trama de serial killer tendo como pano de fundo um momento político real, a eleição de 1982 para governador do estado de São Paulo. E uma história em que o assassino não é o protagonista, nem mesmo um personagem, mas vários. Talvez eles sejam mortos-vivos da ditadura.

A Próxima vítima

João Batista de Andrade|SP, 1983, 93'

A cidade de São Paulo vive um clima pré-eleitoral (1982). Em meio a muita propaganda, comícios e agitação, o repórter Daví vê-se envolvido no caso dos assassinatos de prostitutas do bairro do Brás, principalmente através de seu relacionamento com a prostituta Luna, uma das possíveis vítimas.

*Após a sessão terá bate-papo com a produtora Assunção Fernandes e com o crítico gaúcho Felipe Guerra

Assunção Hernandes

Atuante no mercado cinematográfico há quase 40 anos, possui uma extensa carreira como produtora cinematográfica. Seu nome está por trás da produção de mais de 40 filmes, sendo cerca de 15 longas-metragens, alguns com repercussão internacional. Em 1974, criou, com o cineasta João Batista de Andrade, a Raiz Produções Cinematográficas, companhia que tornou realidade títulos com forte preocupação social e política, como Doramundo (1978), O homem que virou suco (1981), O país dos tenentes (1987), O cego que gritava luz (1997), O tronco (1999), e co-produziu Rua seis sem número (2003), todos de João Batista de Andrade. Produziu também para outros diretores, como Guilherme de Almeida Prado e Suzana Amaral. Foi premiada com o troféu Humberto Mauro (Destaque de Produção) em 1987 e 1988; recebeu o prêmio Governador do Estado de São Paulo 1988 pelo incentivo à produção do cinema paulista e o prêmio Lumiére (Air France) de melhor produção em 1989. Foi presidente do SICESP (Sindicato da Indústria Cinematográfica do Estado de São Paulo) entre 2000 e 2003 e presidente do Congresso Brasileiro de Cinema de 2001 a 2003. Fez parte da diretoria da FIESP (Federação das Indústrias de São Paulo) de 2000 a 2003. Participou como conselheira do Conselho de Comunicação Social, órgão de assessoria do Senado Federal (2001 a 2004) e foi membro do Conselho Paulista de Cinema (2003 a 2005). Atualmente faz parte do Conselho Consultivo do Congresso Brasileiro de Cinema, é vice-presidente da FIPCA (Federação Iberoamericano de Produtores de Cinema e Audiovisual) e diretora para assuntos internacionais da ABEPC (Associação Brasileira de Empresas Produtoras de Cinema).

Felipe M. Guerra

Jornalista e pesquisador de cinema, escreveu centenas de artigos para o portal Boca do Inferno e para seu próprio blog Filmes para Doidos. Também escreveu e dirigiu diversos curtas e longas-metragens independentes

Curta Circuito
Durante sua trajetória, iniciada em 2001, a Mostra de Cinema Permanente, que exibe exclusivamente filmes nacionais, sempre com entrada franca, reuniu um público de mais de 74 mil pessoas, que estiveram presentes nas quase cinco mil sessões apresentadas. A mostra é dirigida por Daniela Fernandes, da Le Petit Comunicação Visual e Editorial, com curadoria assinada pela crítica de cinema e autora do blog Estranho Encontro, Andrea Ormond. É referência em Minas e no Brasil como ação de formação qualificada de público, espaço de reflexão e debates sobre a cultura audiovisual e todos os aspectos que a envolvem, sejam técnicos, narrativos, estéticos, culturais e políticos. O Curta Circuito já atuou em 18 cidades dos estados de Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Pará e atualmente está presente em Belo Horizonte - onde tem como “sede” de suas exibições o Cine Humberto Mauro - e nos município mineiros de Montes Claros e Araçuaí. Já passaram pelo projeto convidados como Nelson Pereira dos Santos, Zé do Caixão, Sidney Magal, Othon Bastos, Antônio Pitanga, Nelson Xavier, Darlene Glória entre outros. O Curta Circuito atua também na preservação e memória do cinema brasileiro, trabalhando na restauração de filmes, em parceria com a Cinemateca do MAM-RJ. A iniciativa recebeu Mention do D'Hounner em Milão, em 2013, pela restauração do filme “Tostão, a fera de Ouro”, da década de 1970.  

 

Confira a programação completa das sessões de Belo Horizonte, Montes Claros e Araçuaí no site oficial da mostra www.curtacircuito.com.br

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