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Mostra do Filme Livre 2017, até 05 de junho, no CCBB BH

A mostra acontecerá nos Centros Culturais Banco do Brasil do Rio de Janeiro e Belo Horizonte, com Mini Mostras em São Paulo, Niterói e Boston (EUA). Em BH, a MFL 2017 será realizada entre 17 de maio a 05 de junho.

Prosseguindo com a missão de levar o cinema independente brasileiro cada vez mais longe, com patrocínio do Banco do Brasil, a Mostra do Filme Livre chega à sua 16ª edição ampliando cada vez mais suas fronteiras. Assim como em sua primeira edição, em 2002, serão exibidos filmes de todos os formatos, gêneros e durações, o que torna a mostra uma das únicas possibilidades de apreciar o crescente panorama da consistente produção nacional. Tendo começado no CCBB Rio de Janeiro (de 29 de março a 24 de abril), chegará ao CCBB Belo Horizonte entre 17 de maio a 05 de junho. A maratona também passará por Niterói (05 a 10 de maio, no Cine Art UFF) e São Paulo (09, 10 e 11 de junho, na Matilha Cultural) que receberão mini MFLs, além da cidade norte-americana de Boston, em outubro, pela primeira vez na América do Norte. Como aconteceu durante todos os anos, a MFL conta com entrada gratuita e também percorrerá o circuito de Cineclubes Livres, que em 2016 teve 3.720 espectadores em mais de 60 cidades, sendo a maior ação cineclubista em voga hoje no Brasil. Este ano a MFL promove homenagens aos realizadores Paula Gaitán e Luiz Paulino dos Santos, este falecido no último dia 01 de maio, aos 86 anos. Debates, Cabines Livres e cursos de cinema também fazem parte da programação.

 

Dos 1.155 filmes inscritos de várias regiões do país, serão apresentados 170 filmes, a maioria (75%) feito sem verba pública – sendo que 30 filmes entram como convidados pela produção/curadoria da mostra, totalizando a exibição de 200 filmes. São obras de todo o Brasil e muitas terão a MFL como sua primeira e/ou única exibidora em cinemas. A curadoria é formada por Gabriel Sanna, Marcelo Ikeda, Chico Serra, Diego Franco, Scheilla Franca e Raquel Junqueira - que por três meses viram e discutiram, selecionaram e programaram os filmes em sessões a partir de recortes que julgaram pertinente em termos de criação de diálogos, o que potencializa a experiência cinematográfica. A curadoria também define quais sessões ficarão disponíveis para o circuito CINECLUBES LIVRES, realizado pela MFL de forma independente há mais de 10 anos. A MFL também apresenta uma particularidade quanto à premiação. Aqui é a própria curadoria que define quais obras se destacaram para receberem o troféu Filme Livre!

 

“O cinema brasileiro é como o Brasil: gigante, múltiplo, de vários tipos, cores e sotaques, e a MFL nasceu para dar espaço a estes filmes, tornando-se a maior vitrine do cinema independente brasileiro. Cresceu tanto que hoje é a maior mostra do nosso cinema, independente ou não, já que nenhum outro evento exibe tantos filmes por tanto tempo em tantos lugares, inclusive fora do Brasil. Serão mais de 200 sessões!”, informa Guilherme Whitaker, organizador do evento desde sua primeira edição, em 2002, no Rio de Janeiro.

 

A MFL 2017 conta, ainda, com uma sessão especial para cegos - há alguns anos realiza sessões para pessoas com algum tipo de deficiência. Em 2015 foi produzida a sessão para deficientes auditivos, em 2016 para crianças autistas e este ano, pela primeira vez, a mostra fará uma sessão para cegos, com os filmes sendo passados com audiodescrição. Serão distribuídas vendas para que também os espectadores sem deficiência visual tenham a experiência de sentir o filme de outras formas. Ainda estão na programação mineira as sessões competitivas Longas Livres, Panoramas Livres e Mundo Livre; e as não competitivas Territórios, Pílulas, Biografemas, Trash ou Cinema de Gênero?, Mostrinha Livre, Coisas Nossas, Caminhos, Curta RJ, Autores Livres, entre outras.

 

Whitaker enfatiza também a produção de filmes existentes hoje no país e o papel da MFL, de difundir esses filmes, de forma gratuita: “O que buscamos a cada ano é mostrar o que de mais instigante e original é produzido audiovisualmente no Brasil na atualidade. Provamos, há mais de uma década, que o cinema livre é o que mais cresce no país, são filmes urgentes que não precisam ou não podem esperar editais ou verbas públicas para serem feitos. Se hoje tais filmes conseguem mais espectadores, com certeza tivemos participação nesta conquista de maior reconhecimento e valorização", ressalta o diretor da mostra.

 

A produção destacou alguns trabalhos relevantes dentro da extensa programação – sempre na busca de filmes que são importantes de serem vistos, debatidos, questionados. Dessa forma, a mostra destaca alguns filmes para promover debates com seus realizadores. Este ano teremos as seguintes homenagens:

 

- ESPECIAL ANDREA TONACCI

Homenageado na MFL 2006, Andrea Tonacci será lembrado numa sessão especial com a exibição de Já visto Jamais Visto, seguida de bate-papo com Cristina Amaral, editora e companheira do cineasta, falecido em dezembro/2016. Nascido na Itália e radicado no Brasil, Andrea Tonacci é um dos grandes nomes do cinema livre nacional.

 

- HOMENAGEM A PAULA GAITÁN

Uma das mais transgressoras autoras do nosso tempo, Paula Gaitán nasceu em Paris e se criou em Bogotá, onde estudou Artes Visuais na Universidad de Los Andes. No entanto, foi no Brasil que ela construiu a maior parte de sua obra, oscilando entre as fronteiras do documentário e das artes visuais/performáticas. Desenvolveu uma estética identitária extremamente autoral na qual a relação entre seu olhar, personagens e espaço é não menos que simbiose. Serão 16 filmes dos mais diversos formatos, durações e linguagens, divididos entre as salas de cinema e as Cabines Livres do CCBB Rio e BH. E tem mais: Paula ministrará o curso "Quadrado Negro", baseado na obra de Kasimir Malevitch.

 

- DESTAQUE A LUIZ PAULINO DOS SANTOS

Luiz Paulino dos Santos iniciou suas atividades cinematográficas em Salvador no final da década de 1950 e foi, junto com Glauber Rocha, Roberto Pires e Rex Schindler, um dos criadores do moderno cinema baiano. Foi responsável pela fotografia do curta Pátio (1959) e autor do argumento original e diálogos de Barravento (1961), cuja função na direção foi posteriormente substituída por Glauber Rocha (que era então produtor do filme). Como realizador, Luiz Paulino dirigiu e montou o documentário de inspiração neo-realista Um dia na rampa (1957), que influenciou outros cineastas no caminho de um documentário livre e com uma aguda percepção social. Além dos longas Mar Corrente (1967) e Crueldade Mortal (1976), dirigiu também um dos episódios que fez parte do longa-metragem Insônia (1982), inspirado no livro de contos homônimo de Graciliano Ramos. Em 1983, realizou Ikaténa – Vamos Caçar?, antropologia visual e poética sobre a iniciação dos meninos da etnia Zoró, em Rondônia, que é também ponto de partida para seu filme mais recente Índios Zoró - Antes, agora e depois?.

 

- DESTAQUE TELA BRILHADORA

Quatro longas-metragens realizados por colaboradores constantes de Júlio Bressane nos últimos anos: Garoto, dirigido por Júlio Bressane, O Prefeito, dirigido por Bruno Safadi, Origem do Mundo, dirigido por Moa Baldoni Batsow e O Espelho, dirigido por Rodrigo Lima.

 

- DESTAQUE LINCOLN PÉRICLES

Apesar de ainda bem jovem, Lincoln Péricles vem desenvolvendo nos últimos anos um olhar cinematográfico ligado às representações da periferia no cinema brasileiro, em geral centrado nos dilemas do jovem artista da periferia paulistana, que precisa trabalhar, criar e viver. O jovem artista se depara com a opressão do mundo capitalista contemporâneo, em que as obrigações sociais, especialmente o trabalho, o impedem de ser livre ou de criar. Em um conjunto de curtas como Ruim é Ter que Trabalhar, Jairboris, O Trabalho Enobrece o Homem, Aluguel O Filme e no longa Filme de Aborto, Lincoln desenvolve essas questões mas sem um discurso panfletário e sem vitimização dos excluídos, sem o paternalismo do realismo social como os filmes de um Ken Loach, mas por meio de um cinema que reflita essas questões na própria estrutura da obra, tensionando os mais típicos modos de representação do "cinema da quebrada" no Brasil de hoje.  O cineasta estará presente para debater com o público.

 

- Especial XUPARINA

Marcella Maria, ou seja qual fosse o seu nome (MC Xuparina ou Sonia Lemos) era uma artista fantástica que nos deixou muito cedo. Pioneira no cenário funkeiro feminino carioca – e ainda mais pioneira na cena lésbica desse ritmo – ela transgredia todos os dogmas de um gênero musical então dominado pelos homens. Não satisfeita no Rio de Janeiro, decide apostar na carreira em Berlim, onde viveu até o fim de sua vida. Seu legado nos ensina a defender a diversidade sexual com humor, irreverência e brasilidade. Sessão com curtas e seguidas de debate.

 

CURSOS DE CINEMA no RJ e em BH

Todos os anos, a MFL colabora com a formação de novos realizadores. Em 2017, no Rio e em BH, a cineasta homenageada este ano, PAULA GAITÁN, dará o curso "Quadrado Negro", baseado na obra de Kasimir Malevitch. Inscrições pelo site da MFL: http://mostradofilmelivre.com/17/

 

CIRCUITO DE CINECLUBES

Há mais de anos a MFL realiza ações com cineclubes parceiros, e em 2016 chegou a mais de 3.700 pessoas em mais de 60 cidades! Confira estes números em fotos e detalhes em http://www.mostradofilmelivre.com/16/pub.php?c=31

 

Números da MFL 2017

Para nossa 16a. edição foram 1.155 filmes inscritos, sendo apenas 196 (18%) feitos com apoio estatal direto; 341 filmes de escola e 859 inéditos no RJ; o inscrito mais antigo foi de 1982. No total foram 99 longas inscritos (mais de 60min.), e 30 selecionados.

 

Dos 1.155 filmes inscritos, foram selecionados 170, apenas 14%. Cinquenta e dois filmes selecionados tiveram apoio estatal, cerca de 36%, um recorde em comparação aos anos anteriores , apontando que filmes incentivados estão ficando mais livres.

 

Dos inscritos, 341 são filmes de escola, dos quais 39 filmes foram selecionados. Um ótimo número, correspondendo a 24% do total de filmes na mostra! Dos 170 selecionados, 90 são inéditos, ou seja, 52%!

Foto: DIvulgação

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