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“Projeto Sementes de Iroko” recebe, de forma inédita em BH, a primeira mestra de maracatu de baque virado da história

Mestra Joana é a primeira mulher a reger uma nação de maracatu, a Encanto do Pina de Recife, além de liderar dois outros grupos: Baque Mulher (formado exclusivamente por mulheres) e Mazuca da Quixaba (coco de terreiro). Através do Fundo Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, o projeto promoverá um workshop, em parceria com o Grupo Estrela de Aruanda, no dia 26 de maio, voltado para o público feminino.

Criado com o objetivo de manutenção do grupo de Maracatu de Baque Virado “Bombos de Iroko – Meu Baque é de Luta”, o projeto “Sementes de Iroko”promove oficinas voltadas para a formação e aprimoramento artístico e técnico dos brincantes, que frequentarem as aulas semanais. Agora, o projeto traz para Belo Horizonte, de forma inédita, a mestra Joana, a primeira mestra de maracatu de baque virado da história. Em parceria com o Grupo Estrela de Aruanda, Mestra Joana vai ministrar uma oficina para o público feminino. No dia 26 de maio, das 14h às 18h, a Oficina Baque Mulher será realizada na Rua Dezoito de Julho, 160, no Bairro Ipiranga. O público interessado deve realizar as inscrições pelo link: https://forms.gle/CQcFYBitgjLtPunE6.

Mestra Joana é a primeira mulher a reger uma nação de maracatu, a Nação Encanto do Pina de Recife, além de ser a principal responsável pela criação de um novo estilo que tem como símbolo os agbês da Nação Porto Rico e Nação Encanto do Pina, mesclando as danças dos Orixás dos terreiros Nagôs com o agbê dentro do maracatu, criando uma profundidade para este instrumento da qual ela é a principal responsável, como criadora deste estilo e como divulgadora em suas oficinas. Toda sua bagagem cultural e sua profundidade de ensinamentos serão vivenciados durante a oficina promovida pelo Sementes de Iroko, que é um projeto realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte.

ATIVIDADE FECHADA

Além da atividade para o público feminino, a convidada também ministrará um workshop gratuito, entre 22 e 25 de maio, para os aprendizes batuqueiros dos grupos “Bombos de Iroko” e “Estrela de Aruanda”, dois importantes coletivos de maracatu de Belo Horizonte.

Sobre a Mestra Joana

Seu aprendizado artístico do universo do maracatu de baque virado – música, dança, vestiários e adereços – se deu nos espaços do bairro do Pina, observando não apenas os mestres afamados, mas a todos os batuqueiros, dançarinos, costureiros e brincantes da Nação do Maracatu Porto Rico e da Nação do Maracatu Encanto do Pina, nações que ela frequentou desde menina.

Em 1999, sentindo a carência de opções culturais e de lazer das crianças e adolescentes do Bode, bairro do Pina, criou o grupo Oxum Opará com meninas de 7 a 18 anos. Trabalhou como agente jovem da prefeitura do Recife junto ao quilombo urbano Ilha de Deus, no bairro do Imbiribeira, onde desenvolveu um trabalho de reintegração à sociedade com jovens e crianças e criou o Maracatu Axé da Ilha. Foi voluntaria do CAPS (Centro de atenção psicossocial) onde trabalhou com aulas de percussão com os pacientes.

Em 2008 criou um espaço de fortalecimento e acolhimento para as mulheres da comunidade do Bode, para tocar, conversar, lutar contra violência contra as mulheres e fortalecer a figura da mulher como protagonista no maracatu. Em defesa de todas as mulheres, Mestra Joana idealizou o Baque Mulher. Outras mulheres do país viram o Baque rosa e laranja no Recife, se identificaram com a proposta e, com a permissão da Mestra, fundaram grupos de norte a sul. Atualmente tem Baque Mulher até na Europa!

Em maio de 2015, foi uma das homenageadas na 11ª edição do livro Mulheres que Mudaram a História de Pernambuco. Em agosto foi homenageada em Ato publicado no Diário Oficial de Pernambuco, em , página 135, a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa de Pernambuco (CDDMulher-Alepe), em nome da Presidente, Deputada, Simone Santana, requereu Voto de Aplauso para a única mulher Mestra de Maracatu do Brasil via Requerimento n° 836/2015, em alusão ao dia do Maracatu.

::Sobre o Bombos de Iroko::

O grupo percussivo Bombos de Iroko é o resultado de uma extensa pesquisa histórica e de busca pelas raízes negras e de resistência que conformam a nossa cultura. Está em atividade há 06 anos e já realizou inúmeras apresentações pela cidade. Diante da necessidade de fortalecer essas raízes, oferecer uma estrutura melhor aos aprendizes de brincantes, o projeto “Sementes de Iroko” visa através da música e da dança do Maracatu de Baque Virado, semear conhecimento sobre uma cultura negra de resistência, multiplicar esse conhecimento com a formação de novos batuqueiros e batuqueiras nos ensaios/oficinas e nos arrastões pela cidade, fomentar a formação de público e difundir a importância dessa cultura na nossa cidade.

O grupo nasceu em 11 de outubro de 2012, o idealizador e regente do grupo, Clayton de Oxaguiãn, a partir do acúmulo de seus conhecimentos e vivências como brincante de maracatu e militante do movimento negro, começou a ministrar oficinas gratuitas, o que resultou na formação do grupo. Ao longo desses anos, através do conhecimento da cultura negra brasileira do Maracatu de Baque Virado, já formou diversos batuqueiros e batuqueiras, alguns tornaram-se componentes do grupo. São mulheres negras e homens negros, homens e mulheres LGBT´s, trabalhadores que se sentem acolhidos ao participarem dos encontros, oficinas e ensaios, numa combinação de festa e resistência cultural que o Baque de Luta proporciona.

::Sobre o Estrela de Aruanda::

O Grupo Estrela de Aruanda nasceu da união de filhos de santo no seio da Fraternidade Kayman, um centro espiritualista de caráter universal, por um pedido feito pelo mentor espiritual da casa, Pai João de Aruanda. O projeto teve início em fevereiro de 2017.

Atualmente é o único grupo representante da Nação do Maracatu Porto Rico em Minas Gerais, com a benção do Mestre Chacón Viana e do padrinho Rumenig Dantas.

Em 2019, o Aruanda iniciou uma nova página de sua história com o projeto “Barracão - Ponto de Cultura”, com sede no Bairro Ipiranga em Belo Horizonte. O Barracão, além de sede do Maracatu Estrela de Aruanda,  será também ponto de estudo e de diversas oficinas de música, danças, capoeira, festas temáticas e ainda oficina de confecção de instrumentos musicais. 

Este projeto é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte.

Foto: Raquel Catão

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