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Espetáculo de dança contemporânea "Circuito Iago" aborda feminicídio, transfobia e racismo a partir de releitura da obra Otelo de Shakespeare
Inédito em Belo Horizonte, o espetáculo solo do artista da cena Fernando Barcellos, que passou por 11 cidades nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, aposta na relação direta com a plateia e na democratização.
A partir de 31 de maio (sexta), estreia em Belo Horizonte o espetáculo “CIRCUITO IAGO”, solo de dança do artista da cena e professor mineiro Fernando Barcellos. Trabalho que investiga a relação entre a dança contemporânea, o teatro, a tragédia clássica e acontecimentos contemporâneos propõe um percurso por bairros mais afastados do centro de BH, com apresentações nos dias 31 de maio (sexta) e 1º de junho (sábado), às 20h, na ZAP 18 (Bairro Santa Terezinha). Ingressos a R$20 e R$10 (meia) na bilheteria do teatro. No dia 8 de junho (sábado), às 16h, a apresentação no Centro Cultural Urucuia (Barreiro) é gratuita. Classificação: livre. Gênero: dança contemporânea. Duração: 40 minutos. Este projeto é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte.
O solo terá sessões fechadas no dia 24 de maio (sexta), no Centro Cultural Sócioeducativo São Jerônimo (Horto), para menores em situação de conflito com a lei, no dia 31 de maio (sexta), na sede da ZAP 18, para alunos de escolas públicas (bairro Santa Terezinha), e no dia 8 de junho (sábado), no Centro Cultural Urucuia (Barreiro), para crianças e adolescentes da Unidade do Acolhimento Transitório Infantojuvenil.
“O projeto Circuito Iago não propõe esse percurso nas bordas à toa”, explica o performer Fernando Barcellos que teve sua arte forjada na periferia da capital. Doutorando em estudos literários pela UFU, professor do Curso de Dança da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), o artista, que estudou com nomes como Ivaldo Bertazzo e Dulce Beltrão, passou parte da infância e adolescência no Bairro Santa Terezinha e se tornou professor de dança de jovens moradores de municípios e bairros mais afastados como, o Grupo Jovem (Ibirité-MG) e o Projeto Valores de Minas (Bairro Horto).
“Muito se fala em descentralizar e tornar democrático o acesso à arte e à cultura, mas isso não acontece de fato. Poucos artistas deslocam suas produções para comunidades nas periferias. A iniciativa de apresentar em escolas e centros sócio-educativos também pretende ser um mecanismo de democratização que viabiliza trocas valiosas com públicos diversos”, acrescenta.
SOBRE O ESPETÁCULO
Otelo, um general mouro a serviço da República de Veneza, casa-se com a bela Desdêmona. Nomeado governador de Chipre, indica Cássio como seu tenente. Desse modo, incita a inveja de Iago, um de seus oficiais subalternos, que trama então uma cruel vingança, insinuando a Otelo que sua mulher o traiu com Cássio.
Escrita pelo dramaturgo inglês William Shakespeare, em 1603, a clássica tragédia Otelo, amplamente difundida em versões no cinema, ópera, teatro, mas ainda pouco na dança (que se tem notícia: Othello Ensaio Coreográfico – 2017 e o balé Otello protagonizado por Ismael Ivo - 1997), ganha mais uma releitura com o espetáculo Circuito Iago. Nesta versão, Fernando investiga a fricção entre as linguagens da dança, do teatro e da performance, explorando em cena ações do sedutor personagem Iago para tocar em temas como racismo, feminicídio, transfobia e a crise política brasileira, reforçando também o caráter universal e atual da obra do bardo inglês. “Ao tratar de problemas recorrentes na sociedade contemporânea brasileira, o trabalho faz-se urgente e necessário”, defende o artista.
Nos últimos anos, o artista tem pesquisado a relação entre dança contemporânea, o teatro e a releitura de tragédias clássicas. Em 2016 assinou a coreografia de “Édipo” que integra o espetáculo “Em trânsito” do Grupo Jovem de Dança de Ibirité (MG). Neste trabalho a tragédia de Sófocles é revisitada para tratar das tiranias nas relações humanas atuais.
RELAÇÃO COM A PLATEIA
Segundo Fernando Barcelos, “Circuito Iago” tem formato de dança diferente daquele que a maioria do público está acostumado. “É extremamente versátil, facilmente adaptável a diferentes espaços, públicos e situações. Acontece em espaços públicos ou alternativos como largos e praças, saguões de escolas, universidades e prédios públicos, estacionamentos, pátios”, diz.
Durante 40 minutos, o intérprete conversa efetivamente com o público, não havendo distanciamento entre o artista e a plateia, o que contribui para que o espectador se envolva ativamente nas ações. “No Rio de Janeiro houve uma participação muito bonita do público presente, sobretudo das crianças, uma grande surpresa, já que no trabalho são abordados temas bastante fortes”, conta.
Na passagem do trabalho por escolas do interior de São Paulo, o fascínio das crianças também se confirmou, demonstrando a habilidade do intérprete em lidar com diferentes contextos e situações, refletindo a capacidade do trabalho de atingir públicos distintos.
TRAJETÓRIA DO ESPETÁCULO
Desde a estreia em outubro de 2017, “Circuito Iago” foi visto por mais de 500 pessoas em 11 cidades de 3 diferentes estados do país (Minas, Rio de Janeiro e São Paulo). O espetáculo tem coprodução do Coletivo Sala Vazia (coletivo que Barcellos integra juntamente com a atriz belo-horizontina Mariana Rabelo) e pela Marbelo Produções, produtora responsável pelos trabalhos do coletivo.
2017 - Estreia em outubro em Uberlândia (MG)
2018 - Apresentações no Rio de Janeiro, em São João del-Rei (MG) no Festival Corredor Cultural e em Santo André (SP) na Mostra Solos Breves.
- Circulou pelo Triângulo Mineiro nas cidades de Monte Carmelo, Ituiutaba e Patos de Minas, financiado pelo Programa Institucional de Apoio à Cultura da Universidade Federal de Uberlândia;
- Circulou pelo interior paulista em escolas estaduais das cidades de Jaborandi, Barretos, Morro Agudo e Sales Oliveira, financiado pelo Programa Cultura Ensina, da Fundação para o Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo (FDE).
FICHA TÉCNICA
Intérprete-criador: Fernando Barcellos | Trilha sonora: Fernando Barcellos e Barulhista | Operação de som: Fernando Barcellos, Isabela Palhares e Mariana Rabelo | Identidade visual: Izabela Marcolino | Fotos: Renata Silva | Cinegrafista: Bruno Silva | Assessoria de imprensa: Beatriz França – Rizoma Comunicação e Arte | Coordenação de Produção: Mariana Rabelo | Realização: Coletivo Sala Vazia e Marbelo Produções
SOBRE FERNANDO BARCELLOS
Fernando Barcellos é um artista da cena e professor que opera entre a dança, o teatro e a performance. Bailarino com experiência em balé clássico e composição coreográfica/improvisação em dança contemporânea, teve como professores Nora Vaz de Mello, Paola Marques, Dulce Beltrão, Leonardo Quintão, Betina Bellomo, Ângela Nolf, Mário Nascimento, Carlos Arão, Dimitris Papaioannou e Ivaldo Bertazzo. É mestre em Artes pela UFMG e doutorando em Estudos Literários pela UFU. Como intérprete, orientador corporal, diretor e produtor tem atuado em parceria com importantes artistas e grupos de teatro, tais como o Grupo Oficcina Multimédia, a Maldita Cia. de Investigação Teatral, o Club Noir e o Quatroloscinco - Teatro do Comum. Como bailarino e coreógrafo tem trabalhos independentes premiados, e é diretor artístico e coreógrafo residente do Grupo Jovem de Dança de Ibirité desde 2015. Como docente/pesquisador nos campos da dança e do estudo do movimento, tem lecionado em escolas de formação artística e projetos sociais, nos níveis médio, técnico e superior, destacando-se o Programa Valores de Minas, o Centro de Formação Artística e Tecnológica da Fundação Clóvis Salgado e a Universidade Federal de Uberlândia, onde atualmente é professor de técnica e criação em dança. Site: http://fernandobbarcellos.com
SOBRE COLETIVO SALA VAZIA
O COLETIVO SALA VAZIA surgiu da necessidade dxs artistas Mariana Rabelo e Fernando Barcellos em trabalhar solos, mesclando as linguagens do teatro, da dança e do circo em pesquisas autobiográficas, e conta com dois espetáculos de repertório, ONDAS DE ONDE PARTO e CIRCUITO IAGO.
Foto: Renata Silva
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