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Festival de Cinema Ambiental de Sarandira (MG) aborda diversas histórias e ângulos sobre o tema no Brasil denunciando crimes ambientais

De 1 a 5 de junho o público poderá conferir, gratuitamente, a programação do SaranCine, que reúne obras da ficção ao documental e animação

Um mergulho audiovisual em diversas visões sobre o meio ambiente. Essa é a proposta do SARANCINE 2021 - FESTIVAL DE CINEMA AMBIENTAL DE SARANDIRA que acontece na semana do meio ambiente, 1 a 5 de junho, em sua primeira edição on-line. Selecionados a partir de um chamamento realizado pelo festival em abril, os filmes abordam a temática sob diversos ângulos. Para o curador, Marcos Pimentel, “Os filmes selecionados refletem a diversidade da produção independente brasileira e incentivam a reflexão sobre a dura convivência entre nosso planeta e os seres que o habitam. Para nossa felicidade, não vivemos somente de tragédias e crimes ambientais, por isso também é possível encontrar na programação filmes que trazem respostas para questões ambientais e que apontam para o uso sustentável de nossos recursos.”

Além da mostra de curtas, médias e longa-metragens, o festival também propõe debates e reflexões com uma programação de mesas e lives entre diretores dos filmes e diversos convidados.

O SARANCINE 2021 - FESTIVAL DE CINEMA AMBIENTAL DE SARANDIRA acontece de 1 a 5 de junho de 2021 sob a idealização e realização da Associação Carabina Cultural, que tem sede no distrito de Sarandira, Juiz de Fora (MG) e da Carabina Filmes por meio da Lei Aldir Blanc com apoio do Ministério do Turismo e do Governo do Estado de Minas Gerais e parceria com o Polo Audiovisual TV, a Imovision, o Instituto Estadual de Florestas - IEF e o projeto Conexão Mata Atlântica.

Realizando diversos projetos culturais e visando o desenvolvimento local do distrito há alguns anos, chegar à temática ambiental foi um passo natural para a Carabina, conta a Coordenadora Geral do festival, Suzana Markus, “Toda e qualquer ação no sentido social e econômico hoje em dia já vem com um pressuposto ambiental prévio e já é pré-requisito até para as grandes ações comerciais uma visão ambiental com foco na sustentabilidade associada aos produtos. Então, por que não associar desenvolvimento social em um pequeno distrito a um desenvolvimento ambiental estruturado, moderno e consciente?”. Se a escolha do tema não foi uma surpresa, a adesão e número de inscrições sim, foi, “Nós tivemos inscrições de praticamente todos estados do Brasil e isso mostrou não só receptividade ao Festival, mas também ressaltou uma grande diversidade na produção audiovisual com foco ambiental no país. ”

Além de 19 filmes, entre curtas, médias e longa-metragens, o festival conta ainda com diversos debates com destaque para a presença e apoio do Instituto Terra que traz o filme “O Sal da Terra”, dirigido por Wim Wenders e Juliano Salgado, indicado ao Oscar de melhor documentário em 2015, para a programação. Além de retratar a vida e obra do fotógrafo Sebastião Salgado, o filme fala sobre o reflorestamento da Fazenda Bulcão, que hoje se tornou referência através do Instituto. O documentário será o destaque de abertura do Festival e estará disponível nos dias 01 e 02 de junho.

As exibições das obras acontecem gratuitamente pelo portal www.poloaudiovisual.tv e os debates serão transmitidos ao vivo pelo canal no Youtube da Carabina Filmes.

Abordando sob diversos ângulos o tema do meio ambiente as obras retratam desde o descaso do estado e sua violência contra determinadas parcelas da população no potente discurso de “Parque Oeste”, de Fabiana Assis, às questões indígenas com “Território: nosso corpo, nosso espírito”, de Clea Torres e João Paulo Fernandes, com destaque para o protagonismo feminino, e “Mãtãnãg a encantada”, de Shawara Maxakali e Charles Bicalho, a soluções e caminhos possíveis sobre a nossa relação com os recursos naturais em “Castelo de Terra”, de Oriane Descout, que também participará de um debate sobre Agricultura Familiar, e até na animação, com “Nimbus”, de Marcos Buccini, um cativante curta sobre religiosidade e o poder da natureza.

Confira a programação na íntegra no anexo ou por aqui a partir do dia 20 de maio.

MULHERES NO CINEMA

Outra tendência importante identificada naturalmente durante o processo de seleção, sem que houvesse nenhuma indicação prévia para tal, foi a forte presença feminina. O SaranCine tornou-se essencialmente feminino, não só pelo número de diretoras e codiretoras presentes em mais da metade dos filmes da programação, mas também pelo olhar da maioria das obras, que por diversos ângulos acabam se cruzando com a trajetória de mulheres.

Em “Castelo de Terra”, por exemplo, Oriane Descout não só é a diretora, mas uma das protagonistas “braçais” da história. Já em “Mãtãnãg – a encantada”, curta de animação codirigido por Shawara Maxakali, temos a história de uma mulher que luta pelo seu amor. Em “Filadelphia”, nos deparamos com a gestão feminina de um centro de reciclagem de materiais “onde homem nenhum dá conta de trabalhar”, segundo as personagens. Destaque também para “Entremarés”, que aborda estratégias de sobrevivência elaboradas pelas mulheres em um ambiente desafiador.

UMA CASA, UMA ÁRVORE

Simbolizando a estada e trabalho presencial do projeto em Sarandira, está sendo desenvolvida uma ação não-virtual: o projeto “Uma casa, uma árvore” que propõe, por meio do plantio de uma árvore em cada casa, conscientizar sobre a importância da revitalização ambiental e da participação de cada um nesse processo, buscando não só iniciar uma ação de educação ambiental, mas também mudar a visão de todos sobre o distrito.

SARANDIRA

Sarandira é uma comunidade rural pertencente à Juiz de Fora, MG, que já chegou a ter aproximadamente 5 mil habitantes no início do século XX e hoje conta com cerca de 300 habitantes. Com alto índice de vulnerabilidade socioeconômica e ambiental, fruto principalmente de gestões historicamente equivocadas, para se dizer o mínimo, o distrito ainda guarda, no entanto, importantes referenciais naturais e culturais, como resquícios históricos do extinto ciclo econômico cafeeiro, fragmentos de floresta nativa, fartos recursos hídricos e uma fauna ainda fragilizada.

 

Assim, maltratada pelo tempo e com a sensação de perdas de referenciais significativos de memória e de estrutura ambiental, surgiu a necessidade da construção de um festival de cinema com foco socioambiental, que permitisse não só um mergulho no que há de mais atual sobre esse tema, mas também estabelecer um diálogo direto com todos os atores envolvidos no processo, de uma forma quase investigativa, para buscar entender, aprender e, sempre que possível, remediar os erros cometidos através dos tempos.

 

Considerando que um festival socioambiental deve, primeira e primordialmente, educar e formar, envolvendo as pessoas diretamente inseridas no processo, o SARANCINE 2021 é construído e elaborado a partir de demandas e referências que surgiram da população local e visa estimular debates na região que produzam reflexos diretos em seu desenvolvimento ambientalmente sustentável.

 

PROGRAMAÇÃO

Todos* os filmes podem ser conferidos gratuitamente durante o período de 1 a 5 de junho em: www.poloaudiovisual.tv .

*O longa “O Sal da Terra” fica em exibição de 01 a 02 de junho.

 

Os debates e lives serão transmitidos por: www.youtube.com/user/CarabinaFilmes .

Confira o tema de cada debate abaixo. A programação completa e sinopses das obras você já encontra aqui e no site da Carabina Cultural.

a partir do dia 20 de maio.

01/06 - ÁGUA E REFLORESTAMENTO

02/06 - MINERAÇÃO

03/06 - AGRICULTURA ORGÂNICA

04/06 - AGRICULTURA FAMILIAR

05/06 - AGROFLORESTA

 

SERVIÇO

SARANCINE 2021 - FESTIVAL DE CINEMA AMBIENTAL DE SARANDIRA

(Edição On-line)

Quando? 1 a 5 de junho de 2021

Onde?

Assista aos filmes pelo: www.poloaudiovisual.tv

Assista aos debates pelo: www.youtube.com/user/CarabinaFilmes

Foto: Amanda Dias

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