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Associação Sarah Vida utiliza produções do cinema e conteúdos audiovisuais para propor reflexões sobre violências contra a mulher

Organização não governamental realiza Grupos Reflexivos com sentenciados na Lei Maria da Penha que têm a oportunidade de refletir e debater com outros as consequências de seus atos

O audiovisual como vertente para a responsabilização. É a partir dessa perspectiva que a Associação Sarah Vida, organização não governamental, propõe encontros de caráter pedagógico e obrigatório com aqueles que foram condenados pela justiça na da Lei Maria da Penha (Lei Federal nº 11.340, de 2006). Desde de março de 2020, a Ong realiza Grupos Reflexivos com homens autores de violência doméstica e intrafamiliar. Os encontros são realizados semanalmente na sede da Ong, que funciona no Barro Preto, em Belo Horizonte.

Durante os Grupos Reflexivos, a associação apresenta conteúdos audiovisuais, como produções cinematográficas e vídeos de canais do Youtube para debater a violência praticada e as consequências dos atos. O objetivo é levar à reflexão aos participantes sobre a violência doméstica e a discriminação de gênero. Por meio de conversas e diálogos abertos, os participantes são estimulados a entender contextos como machismo, controle emocional, masculinidades e violência contra a mulher.

A curadoria dos conteúdos exibidos está voltada para produções que abordem os diferentes tipos de violências que homens podem cometer contra mulheres. Na lista de exibição de filmes que os Grupos Reflexivos assistem estão obras como “A caixa dos homens” (Youtube /2020), “Tony Porter – Um chamado dos homens” (Ted talks /2010), “O silêncio dos homens” (Youtube /2019) e “Nunca desista de si mesmo” (Youtube /2020).

Após a exibição dos vídeos e filmes, que acontecem de acordo com a programação da semana do Grupo Reflexivo, os participantes começam a debater experiências do cotidiano relacionadas à temática do que foi assistido anteriormente. O projeto de combate à violência de gênero é dividido em dez encontros, trabalhando variados temas, como masculinidade tóxica, machismo, sexualidade, álcool e drogas, gênero e direito das mulheres.

Em pouco mais de um ano de atividades, já foram realizados aproximadamente 120 encontros. Com o advento da pandemia de COVID-19 (Coronavírus), a quantidade de participantes foi limitada a 5 ou 6 pessoas por Grupo. A presidente da Associação, Sarah Courinos, ressalta a importância da escuta para conhecer esse homem autor de violência. “O intuito não é fazer um juízo de valor das ações dos sentenciados, mas sim que esses homens identifiquem contradições da própria conduta, e com isso percebam a gravidade da violência que foi praticada'', destaca Sarah Courinos.

A coordenadora da Associação Sarah Vida, Roselita Rossa pontua que os encontros têm contribuído de forma significativa que leva à compreensão desse fenômeno que é a violência. “Os autores de violência doméstica e intrafamiliar independem da idade, escolaridade, raça, credo, classe social e orientação sexual ou profissão, o autor de violência não tem um perfil definido. Constata-se que a violência doméstica está presente em todas as classes sociais. Apesar de todo trabalho e sucesso, constata-se que ainda grandes são os desafios para desconstruir a cultura de violência, pois muitos homens ainda se sentem no direito de agredir ou que são superiores às mulheres. A mudança de cultura só será possível por meio de uma educação baseada no respeito e na equidade.

A associação Sarah Vida já recebeu em seus Grupos Reflexivos, 75 sentenciados. Desse total, 63 já finalizaram o encontro (84%), 13 estão em cumprimento (17,3%). Por conta da pandemia, em períodos de lockdown alguns Grupos Reflexivos precisaram ser realizados de maneira virtual. Após assistirem aos vídeos indicados, os sentenciados iniciam os diálogos e reflexões em plataforma de videoconferência.

O Grupo Reflexivo desenvolvido pela Associação Sarah Vida é uma maneira de estimular uma aplicação ainda mais eficaz da Lei Maria da Penha (Lei Federal nº 11.340, de 2006). O intuito dos encontros, para além da reflexão dos participantes, é oferecer aos sentenciados um momento de reflexão e entendimento dos próprios atos e o impacto da execução penal no cotidiano, levando-os ao conhecimento mais amplo da lei.

Segundo o assistente social da Associação Sarah Vida, Diego Rosa, a iniciativa é de grande importância para a responsabilização, uma vez que utiliza conteúdos gratuitos e acessíveis. O profissional explica que, dessa forma, os apenados são capazes de compreender a dimensão de seus atos ao identificarem, em filmes e em outros suportes audiovisuais, comportamentos característicos e os diferentes tipos de violência contra a mulher.

“Mesmo que sejam exibidas obras de ficção, como filmes, ou peças e campanhas publicitárias, o mais importante nesse trabalho é a reflexão que ele proporciona para a responsabilização e a não reincidência, como também mudar suas perspectivas em relação a criação dos filhos, sua relação em sociedade, os benefícios são inúmeros'', comenta Diego Rosa. Que também destaca que manifestações de violação, como racismo, feminicídio, LGBTFOBIA e outras formas de violência, também são abordadas nos Grupos Reflexivos.

Os recursos da Associação Sarah Vida são provenientes da arrecadação de penas pecuniárias. O montante é repassado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) por meio de editais.

Associação Sarah Vida

Instagram.com/associacaosarahvida

Foto: Divulgação /Associação Sarah Vida

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