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O bordado como lugar de memória É tema de bate-papo no Memorial Minas Gerais Vale

A frase: “bordado é coisa de mulher” já não corresponde mais à realidade. Bordado agora é de quem quiser. Homens e mulheres bordam por prazer, por terapia, por arte, por ofício ou protesto. É sobre essa ressignificação da prática do bordado e sua condição de registro do passado que a pesquisadora e bordadeira Isabella Brandão Lara falará no dia 17 de maio, sexta-feira, às 12h30, no Memorial Minas Gerais Vale, no bate-papo: “O bordado como lugar de memória”. A entrada é gratuita, sujeita a lotação. O Memorial Minas Gerais Vale fica na Praça da Liberdade, 640, esquina com Gonçalves Dias.

Isabella, que é pedagoga com mestrado em História da Educação pela UFMG, vem pesquisando a história do bordado no Brasil, em especial, em Minas Gerais. Entre suas observações, está a de que o bordado, que já foi uma “prenda” doméstica ofertada às mulheres nas décadas de 1940 e 1950, repassada de geração em geração dentro de uma família, ensinado até nas escolas públicas - somente para meninas -, de repente se viu relegado à ofício não grato pelas mulheres que queriam ser vistas como modernas. “Nas décadas de 40 e 50 o bordado era uma das tarefas associadas à imagem da boa esposa, entre outros aprendizados domésticos. Com os movimentos contestatórios do final dos anos 60, como o movimento feminista, com a maior escolarização e profissionalização das mulheres, a prática do bordado foi perdendo força entre elas, que nesse momento já buscavam outras coisas. Com isso, até os cursos de bordado que haviam na época foram sumindo”, observa Isabella.

Somente bastante recentemente, com a passagem do século XXI, de acordo com a pesquisadora, o bordado vem ganhando outros significados, outros usos, outros modos, e ganhando espaço novamente, entre mulheres e até entre homens. “Acredito que as redes sociais contribuíram para isso. Para as mulheres é possivel escolher bordar e continuar sendo ativa socialmente, elas não precisam mais ser “do lar” para serem também bordadeiras. Já tive até alunos homens, jovens meninos que foram acompanhar a mãe em um curso. Eles chegaram para mim e disseram que iam dar um tempo no videogame”, conta a pesquisadora.

Foto: arquivo pessoal

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