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Vitória da Doçaria Mineira! Tachos de cobre e colheres de pau estão liberados para produção de doces artesanais
Saiba a nova regra
Audiência pública realizada pela Comissão Extraordinária de Turismo e Gastronomia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), presidida pelo Deputado Estadual Mauro Tramonte, na última terça-feira (3), derrubou a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 20, de 2007, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que restringia o uso do tacho de cobre na produção de doces artesanais de Minas Gerais. Agora, os produtores podem voltar a usar o utensílio para fabricação de seus produtos e manter viva a tradição mineira.
Estiveram presentes na reunião e puderam comemorar o feito, produtores de doces artesanais, professores de Gastronomia e Engenharia Química e representantes do segmento. À frente do movimento, Rosilene Campolina, educadora de gastronomia da UNA, brindou o momento dizendo: “Uma das principais atrações de Minas Gerais é a sua cozinha, repleta de valores e tradições. Não é à toa que Belo Horizonte recebeu o título mundial Cidade Criativa da UNESCO pela Gastronomia, e os doces tradicionais, feitos no tacho de cobre e mexido com a colher de pau são parte disso”, disse.
O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Minas Gerais, Matheus Daniel, também compartilha da opinião de Rosilene. Para ele, a proibição dos tachos de cobre na produção de doces artesanais foi um grande equívoco, que, sobretudo, descaracterizou uma das identidades gastronômicas de Minas Gerais. “Nosso estado é rico em símbolos, que trazem não só tradição como também imaterialidade. Os saberes e modos de produção da doçaria mineira são um deles e tal como tantos outros símbolos devem ser respeitados. Essa vitória é nossa. Vem para enaltecer nosso patrimônio, nossa história, nossa cultura.
Nova regra
Mesmo com o anúncio da volta do uso do tacho de cobre no ramo alimentício de Minas Gerais, a notícia não é nova, pois a regra já estava em vigor há um ano. Mas o que se altera nessa nova atualização é que, antes, que o tacho de cobre só podia ser utilizado caso fosse revestido, pasmem, com ouro, prata ou estanho, pratica que alterava a cor, a textura e o sabor dos doces. Agora a nova determinação permite o uso do tacho sem o revestimento, mas os produtores deverão apresentar aos fiscais sanitários o processo produtivo do alimento e cumprir os padrões estabelecidos pela Vigilância Sanitária. Nesse sentido, a professora Rosilene Campolina enfatiza que a educação será um papel fundamental para que a informação chegue até os produtores de doce artesanal. “Agora, é preciso pensar em elaborar cartilhas que decodifiquem a informação sobre a mudança na lei e orientar os produtores para a importância da limpeza e higienização corretas do tacho de cobre”.
Para Gláucio Peron, produtor artesanal de doces em Poços de Caldas, Sul de Minas, a decisão não poderia ter vindo em melhor hora. “Um povo é o que é devido a um arcabouço de cultura, costumes, crenças e tradições. E quer tradição maior do que a culinária local? A cozinha mineira é o retrato de Minas Gerais, simples em elementos, mas rica em sabores e experiências. Ainda mais dentro de 2022, o ano da Mineiridade! Graças a Deus a justiça foi feita. É uma heresia contra a nossa tradição que foi retratada”.
Ainda segundo Peron, foram 15 anos de proibição imposta sem um estudo detalhado. “Simplesmente achavam que o tacho de cobre poderia fazer mal à saúde e proibiram. Depois que os estudos foram realizados, a exemplo da Dra Amazile Biagioni Maia, é que se comprovou que ele (cobre) não faz mal, muito ao contrário, é importante para nós, humanos.
O produtor compara o caso da proibição dos tachos de cobre aos recorrentes casos de injustiças que acontecem no Brasil, em que se prende um inocente porque ele não tinha dinheiro para pagar um advogado de defesa. “Aí é preso por 15 anos, a Justiça vê o erro e resolve soltá-lo. Porém, te pergunto: como fica esse indivíduo perante a sociedade? É a mesma questão do tacho de cobre e da colher de pau. Quase um ramo inteiro desapareceu. Muitas doceiras largaram o ofício, outras entraram em depressão impedidas de poder exercer a profissão. Agora precisamos correr atrás desse prejuízo gastronômico e econômico”. Para isso, salienta Peron, está se desenvolvendo uma associação de produtores de doces artesanais que visa unificar o setor, além de reconhecer e valorizar a Doçaria Mineira para que esse ofício não se perca com o passar dos anos.
O chef Edson Puiati, coordenador da Frente da Gastronomia Mineira (FGM) acredita que o momento é oportuno para pleitear junto ao poder público ações para incentivar os pequenos produtores de doces. “A liberação do tacho de cobre e colher de pau, símbolos de nossa cozinha, em especial a doçaria, põe o setor em evidência, agora vamos atrás de políticas públicas.”
Foto: Nereu Junior
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