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De Quinta na Akasha Billie Holliday em Raio X com Raimundo Venâncio

Essa semana teremos a honra de receber o diretor da peça Billie Holiday, A Canção, Raimundo Venâncio. Em formato de bate-papo, o diretor nos traçará um paralelo jamais apresentado ao grande público. Um verdadeiro Raio X da montagem do monólogo. Na oportunidade teremos uma precisa noção dos desafios (muitos) que um espectáculo nessa dimensão impõe. Adaptação do roteiro, montagem cênica, criação do personagem, figurino, iluminação, sonoplastia e música.

Nascido em Fortaleza em 1961. Chegando a Aracaju - SE, em 1985. Com uma vasta, pungente e notória produção, Rai, como é chamado pelos mais próximos, não por poucos é considerado um dos mais brilhantes da sua geração, que estende-se até os nossos tempos.

Múltiplo no melhor sentido etimológico, um grande artista sempre atento às questões sociais do próprio tempo. De uma atemporalidade brilhante, produziu em várias linguagens: literatura, teatro, cinema, música e artes visuais. Como ator, começou já lá no início da década de 80, no emblemático "Quem matou Zefinha?" sua primeira atuação profissional, e "Brasilino  Morto", com textos da educadora e teatróloga Virgínia Lúcia da Fonseca Menezes. 

Raimundo é o diretor, sem sombras de dúvidas que mais dirigiu em Sergipe. Ao longo de uma brilhante e generosa trajetória, ele é um verdadeiro operário das artes. Foram tantas atuações e montagens, que  lhes asseguro, não daria para citar nem um terço delas nesse breve texto. Fundou grupos teatrais, publicou livros de poesia, realizou vídeos, filmes comerciais no rádio e na Tv. Atuando também por 17 anos como técnico em teatro (Sesc -SE ) elaborou e coordenou importantes projetos culturais em várias linguagens. É notório perceber que de fato, o auge é a montagem "BILLIE HOLIDAY A CANÇÃO" montagem essa que o próprio a define como o seu doutorado. Concordo plenamente com o Rai. Nascido no ventre, de um dos maiores dramaturgos nativo das bandas de cá  Hunald Alencar (1943- 2016 ) dramatuŕgo, escritor, poeta, e compositor.

Lançado em 2016, concebido, montado, e distribuído pela "TAMPA PRODUÇÕES ARTÍSTICAS" como se não bastasse a magnitude do espetáculo, ele sela a parceria de vida e obra com a atriz e cantora Tânia Maria, estrela brilhante do monólogo, doando o corpo, alma e muito talento. Pessoalmente acredito, que só ela seria capaz de tamanha força dramática e interpretativa. Tive a oportunidade (privilégio) de assisti-la em Belo Horizonte, no teatro de ninguém menos que Pedro Paulo Cava. Na ocasião, emocionado o grande mestre do teatro brasileiro, não poupou elogios e admiração a ousada montagem. Ninguém me contou, eu estava ao lado. Também vi uma platéia toda ir a loucura, muitos às lágrimas, com a peformance da Tânia Maria. Sem dúvidas, a maior atriz sergipana. E o mestre Hunald, sabia plenamente disso, não à toa ele próprio a escolheu para estrelar o último espetáculo escrito na sua vida. O último, que na primeira fila também foi as lágrimas. Lágrimas de alegria, orgulho e satisfação. 

A dramaticidade do monólogo é extrema. Narrando os últimos dias da maior diva do jazz no planeta. Nos levando a refletir o drama das mulheres negras e pobres de todo o mundo. Que sofrem com o racismo, a violência e a exploração sexual. Permeando esse universo marginal de forma lúdica, poética, densa e brilhante, em um monólogo, nem é preciso ser um expert no assunto, para saber que é para poucos. Acredito que ninguém seria capaz de montar a obra do gigante mestre Hunald Alencar, além do experimentado, calejado, resiliente, e genial Raimundo Venâncio. E somente uma atriz, cantora, com tamanha dimensão, sensibilidade, e o talento de Tânia Maria. A maior atriz sergipana da atualidade, e para mim, uma das maiores de todos os tempos. Rompendo barreiras, limites geográficos e circunstanciais, marcar forte da resiliência de ambos nesse espetáculo. Sim, uma grande atriz brasileira.

Considerada por muitos, como a maior produção do teatro sergipano até então. No pequeno estado de Sergipe ( menor estado do Brasil ) com recursos próprios, o espetáculo lotou teatros, sindicatos. Gerando filas, poucas vezes vistas no estado. Foi uma árdua batalha. Afinal um espetáculo como esse, sem regionalismos ( universal ) em uma cidade que não conta com leis e dispositivos legais de incentivo à cultura. Acreditem, nem leis municipais nem estaduais. 

Em fim, após uma longa temporada de apresentações parte da TAMPA ( espaço próprio) para várias capitais e cidades brasileiras: 

Sucesso absoluto por onde passou: Aracaju, Recife e Correntes ( PE ), Crato ( CE ), Brasília ( DF),  Belo Horizonte ( MG )... E assim, sendo convidados para várias outras, RJ, RS, SP, Nova York, e Atlanta nos EUA.

Só para constar; o monólogo " BILLIE HOLIDAY A CANÇÃO" é universal. Nenhum regionalismo o aprisiona. De uma beleza plástica e minimal tocante. Sofisticação seria o adjetivo mais palpável, diante de tamanha virtuosismo e beleza. Impossível não chorar.

Não atoa , o cearense mais sergipano que conheço, recebeu em 2014, a mais alta comenda do estado. O título de cidadão aracajuano, pela Assembléia Legislativa do estado de Sergipe.  Por serviços prestados à Arte e a educação no estado.

Portanto meus amigos, na nossa " DE QUINTA NA AKASHA"  Venâncio nos contará muito mais que um simples texto, escrito por um diletante das artes, que tem plena noção do papel social e transformador da arte. E mais que isso, a responsabilidade social que caberia a qualquer artista conciente do seu dever. Sim, operários da arte eu diria. 

Por razões de agenda do diretor, nossa LIVE será às 18h pontualmente transmitida para todo o mundo. E todos estão convidados.

* Anderson Camilo ( Artista Visual, redator, Arte- Educador, e diretor criativo da AKASHA)

LINK DA LIVE 
HTTPS://WWW.FACEBOOK.COM/ANDERSONCAMILO.CAMILO.3

SABER MAIS SOBRE O ESPETÁCULO 
HTTPS://WWW.FACEBOOK.COM/BILLIEHOLIDAYACANCAO/

Foto: Divulgação

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