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Cascão celebra 70 anos, em cena, com temporada do espetáculo Cordéis dos Cafundó e lançamento de livro

O ator, mobilizador social, dramaturgo e cordelista, fundador do Grupo Parangolé (1999), leva ao palco do Teatro Marília, espetáculo que, há 10 anos, difunde a cultura popular e o cordel pelo Brasil afora

O ator e cordelista Rodolfo Cascão comemora os 70 anos de vida e 52 de carreira com o público de Belo Horizonte, no palco do Teatro Marília. Em cinco dias de programação, o artista popular lança Argamassa – livro de poesias, cordel e textos teatrais, e fica em cartaz com seu trabalho solo “Cordéis dos Cafundó”, de classificação livre. O espetáculo, que completa uma década de trajetória, uma realização do Grupo Parangolé, será apresentado na versão infanto-juvenil, nos dias 24 e 25 de maio, quarta e quinta, às 15h, e para o público em geral, nos dias 26, 27 e 28 de maio, sexta e sábado, às 20h, e domingo, às 19h. Na trama, um caixeiro viajante e artista mambembe vende raízes, brinquedos e folhetos de cordel, numa praça onde encontra um grupo de músicos, e a partir daí só surpresas. Os ingressos para o espetáculo estão à venda pelo Sympla ou na bilheteria do teatro a R$30 e R$15 (meia). Na ocasião, o livro (que vem em caixa com 8 fascículos) será vendido em stand posicionado no foyer do teatro, sexta e sábado, das 19h às 21:30h, e no domingo, das 18h às 20:30h, por R$ 70 (preço promocional).

“Comemorar sete décadas em cena, com lançamento de livro, não é por acaso. ‘Cordéis dos Cafundó’ e ‘Argamassa’ se confundem muito com minhas experiências de vida e arte e meu encontro com o gênero do cordel”, afirma o artista, que, em 2020, foi reconhecido pela Secretaria Municipal de Cultura de Belo Horizonte como mestre da Cultura Popular, por seu trabalho de difusão do gênero na capital e pelo interior do Brasil.

Em 1977, recém-formado em Engenharia, o jovem Cascão - filho de família operária do ABC paulista -, se muda da grande São Paulo – onde frequentou o teatro amador na universidade e na periferia - para um povoado com 50 casas, no Mato Grosso. Foram 13 anos vivenciando a cultura camponesa e sertaneja, o que definiu sua trajetória ligada à arte popular e ao “artevismo”. “Eram os anos da ditadura no Brasil. Fui trabalhar como agente pastoral da teologia da libertação da igreja de Dom Pedro Casaldáliga, mas acabei como educador popular. Lá, além de encontrar dois cordelistas, ganhei o livro ‘Cante lá que eu Canto Cá’ do poeta popular Patativa do Assaré. Eu desconhecia o gênero. Fiquei tão extasiado com a magnitude da poesia que me atrevi a escrever e a encenar o cordel”, conta.

Em 1999, Cascão funda o Grupo Parangolé Arte Mobilização, que o ano que vem completa 25 anos de atividades, pesquisando e integrando em suas produções, causas públicas e manifestações populares como o cordel. “Ele sempre esteve presente nas minhas produções teatrais, literárias e poéticas. Passei a ser um declamador de cordel e contador de causos em ambientes sociais e familiares, e resolvi transformar essa vivência em espetáculo”, explica.

Em 2012, o artista estreia “Cordéis dos Cafundó”, seu espetáculo-relicário que leva o público a viajar pela tradição e a história do cordel. Em cena, declamações de 12 cordéis emblemáticos da literatura popular brasileira. A música tocada ao vivo pelo ‘Trio dos Cafundó’, Cassiano Silva (violão), Sarah Assis (sanfona) e Débora Costa (percussão) contribui com a narrativa, trazendo momentos de lirismo e interação com a plateia. Aos poucos, ganham o palco projeções de filmes antigos sobre o personagem Lampião e elementos dos folguedos populares, como o mamulengo, o ventríloquo, a boneca namoradeira, entre outros.

A ideia de adaptar “Cordéis dos Cafundó” para crianças e adolescentes chega em 2015, quando o artista se vê confrontado com a realidade dos lugarejos por onde se apresentou em festivais e cidades interioranas. “Sou educador popular. Pensando em valorizar a literatura de cordel como elemento de desenvolvimento da criatividade da leitura e da escrita, nos ocorreu de transformar o espetáculo no projeto pedagógico ‘Cordelizando’. Durante 4 a 6 meses, oferecemos, nas escolas e em grupos comunitários, oficinas de formação em cordel, música e teatro. O objetivo tem sido encorajar os participantes a criarem os próprios cordéis e depois apresentá-los em praça pública. A versão infanto-juvenil nasceu daí”. Apesar de muito semelhante à original, Cascão conta que “em cena, abusamos ainda mais da interação com o público e de elementos como teatro de fantoches, cordel de adivinhas, entre outras estratégias lúdicas”, explica.

Cordel, patrimônio cultural brasileiro

Em 2018, o Iphan consagra a literatura de cordel como patrimônio cultural brasileiro. Estima-se que hoje, no país, existam mais de 2.000 cordelistas ativos e cerca de 40 mil títulos publicados. Segundo Rodolfo Cascão, o cordel veio da Europa, durante a tradição das feiras mercantilistas. Mas é somente no século XIX que o gênero se populariza no Brasil. “O pesquisador Câmara Cascudo, referência na cultura popular, catalogou mais de 150 folhetos, só sobre o cangaceiro Lampião. Com o suicídio de Getúlio Vargas, por exemplo, estima-se que tenham sido impressos mais de um milhão de folhetos”, conta.

Para Cascão, a perpetuação da literatura de Cordel como algo tão popular, no Brasil, está ligada ao nosso imaginário simbólico, ao baixo custo de produção e à linguagem acessível. “É um livreto pequeno, barato, de fácil leitura e narrado de forma espirituosa por poetas populares anônimos espalhados pelo Brasil afora que não precisam de diploma, nem de autorização para contar suas histórias e a interpretação da realidade. No século passado, o folheto do cordel funcionava como o ‘repórter’ da época, ou ‘as mídias sociais’ daquele tempo”, contextualiza.

Livro Argamassa

“Argamassa” é uma obra que compila as produções do artista, educador popular, mobilizador social e ativista Cascão, na celebração dos seus 70 anos. Foram reunidas peças e esquetes de teatro, contos, poemas, crônicas, cordéis, bobices e outras criações durante mais de cinco décadas. A coletânea está dividida em quatro tomos: Poesia, Cordel, Teatro e Mosaico aos moldes das cartilhas populares. A obra reúne 8 fascículos com textos diversos, sendo um deles intitulado ‘fascículo Cascão’, que narra a argamassa intelectual e espiritual que o moldou nas confluências da Arte, da Educação e da Política. É também um testemunho jornalístico de quem viveu a ditadura, a luta pela terra, a redemocratização e o ascenso do fascismo no Brasil. “Argamassa é isso, essa mistura de coisas, de escritos de teatro, poesia, crônica e outros textos acumulados em 50 anos de caminhada como artista, educador popular e ativista cultural. É um pouco de tudo que juntei nessa vida”, completa.

SERVIÇO: CASCÃO COMPLETA 70 ANOS COM
TEMPORADA DE ESPETÁCULO E LANÇAMENTO DE LIVRO
Temporada Espetáculo Cordéis dos Cafundó (duração: 60 minutos | classificação: livre)

24/05, quarta – 15h -versão infanto-juvenil
25/05, quinta – 15h – versão infanto-juvenil
26/05, sexta – 20h – público em geral
27/05, sábado – 20h – público em geral
28/05, domingo - 19h – público em geral

Local: Teatro Marília (Av. Alfredo Balena, 586 - Centro)
Ingressos a R$30 e R$15 (meia) Venda pelo Sympla ou na bilheteria do teatro.

Venda do livro “Argamassa” por R$70,00 (preço promocional), em stand de venda, no foyer do teatro, das 19h às 21h30, na sexta e sábado, e de 18h às 20h30, no domingo.

Ficha Técnica

Rodolfo Cascão - Direção/ Dramaturgia/ Ator
Sarah Assis - Direção Musical / Composição/ Musicista: sanfona
Cassiano Silva - Músico: corda
Débora Costa - Musicista: percussão
Debris Oliveira - Sonorização
Rodrigo Corrêa - Iluminação
Rafael Fares – Projeto áudio visual/ Projeção
Gilberto Macruz - Projeto Cenográfico/ Execução / Cenotécnica/ Composição
Fernanda Oliveira – Produção Executiva
Jenifer Alves - Gestão Parangolé

Foto: Maira Cabral

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