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Itinerância de Dança da FCS leva espetáculo NUVENS DE BARRO, da Cia de Dança Palácio das Artes, ao Museu de Congonhas

Fundação Clóvis Salgado dá sequência a seu programa de Itinerâncias e promove o encontro do público com a dança contemporânea. Dessa vez, a Cia. de Dança Palácio das Artes apresenta em Congonhas o espetáculo Nuvens de Barro, montagem livremente inspirada na obra do poeta Manuel de Barros. Nesse trabalho, a Cia. mergulha no universo lírico e brejeiro do Poeta do Pantanal para descobrir, inventar e reinventar a delicadeza, a simplicidade e o realismo fantástico presentes nos versos do escritor.

Essa é a primeira participação da Cia de Dança no projeto Itinerância FCS. De acordo com o regente da CDPA, Cristiano Reis, esses encontros permitem à Cia. levar seu trabalho a outros municípios e se conectar com novos públicos. “Quando viajamos, temos a chance de mostrar nosso repertório para novas pessoas e também conhecemos novos palcos. E isso é extremamente importante para o grupo, pois os bailarinos se conectam com diferentes plateias”, destaca Cristiano. Em setembro, a Cia. de Dança apresenta o mesmo espetáculo em Patos de Minas, no Alto Paranaíba.

 

Com direção coreográfica de Fernando Martins e direção cênica de Joaquim Elias e Fernando Martins, Nuvens de Barro é uma coreografia criada de maneira colaborativa entre os bailarinos da Cia de Dança, em mais um processo que envolveu um período de pesquisas. Durante dois meses o coletivo se debruçou sobre a obra de Barros até encontrar um ponto que unisse a dança e a poesia.

 

Inspirados pelas metáforas de Manoel de Barros em que coisas se humanizam e pessoas se coisificam, os bailarinos passaram a identificar e criar movimentos que refletissem o imaginário poético da obra. Desse processo, surge uma coreografia inventiva e inventada, em que os bailarinos permitem ser permeados por um universo lírico e ocupam outros corpos, criando algo híbrido, mutável. Ora transformam-se em peixes dançarinos, ora em pedras que se tornam pássaros; que se tornam homens. Elementos cênicos como maçãs e plantas ganham vida e se transformam em novos objetos – ou corpos –, que também interagem com os bailarinos.

 

O nome da coreografia também é uma alusão às metáforas de Manoel de Barros. A ideia é unir dois elementos que já possuem um significado explícito e criar um terceiro, quase irreal ou inimaginável. A nuvem transmite a leveza, o lado delicado do trabalho. Já o barro é a parte mais pesada, mais palpável. “Quando estávamos pensando no nome da coreografia, esses dois elementos surgiram de uma forma muito nítida para nós. Então, decidimos uni-los, criando as ‘nuvens de barro’, um diálogo interessante com o realismo fantástico do Manoel”, explica Cristiano Reis.

 

Caminhos diferentes para a criação – Os convidados para conduzir a montagem de Nuvens de Barros compartilham de diferentes experiências no universo literário de Manoel de Barros. A escolha dos diretores, Joaquim Elias e Fernando Martins, surgiu por uma necessidade de trabalhar a nova coreografia a partir de um olhar mais amplo, unindo elementos da narrativa teatral e da dança. Joaquim Elias iniciou as atividades com a preparação corporal e cênica do grupo. Já Fernando Martins aplicou no grupo uma técnica denominada Brain Diving, que consiste em conectar corpo e mente e transformar essa conexão em movimento. O grupo passou, então, a pensar como dar fisicalidade e realismo aos elementos identificados anteriormente nas oficinas com Joaquim.

 

SINOPSE:

NUVENS DE BARRO se inspira no universo poético de Manoel de Barros para recriá-lo nos corpos em movimento. Tomando como pretexto suas palavras "poesia não é para compreender, mas para incorporar", foram dadas formas a um mundo em que realidade e imaginação se misturam. Penteamos os corpos até não serem mais corpos, até ficarem à disposição de serem um pássaro, uma borboleta, uma pedra. Como andarilhos errantes buscamos um quintal perfumado que mora na cabeça, onde o humano se coisifica e as coisas se humanizam... a ludicidade, o humor, e a sensibilidade do poeta são evocadas, pedindo permissão para “voar fora da asa”.

 

Cia de Dança Palácio das Artes – Corpo artístico da Fundação Clóvis Salgado, é reconhecida como uma das mais importantes companhias do Brasil e referência na história da dança em Minas Gerais. O Grupo desenvolve repertório próprio de dança contemporânea e se integra aos outros corpos artísticos da FCS – Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e Coral Lírico de Minas Gerais – em produções operísticas e espetáculos cênico-musicais realizados pela Instituição ou em parceria com artistas brasileiros. A Companhia tem a pesquisa, a investigação, a diversidade de intérpretes, a cocriação dos bailarinos e a transdisciplinaridade como pilares de sua produção artística. Seus espetáculos estimulam o pensamento crítico e reflexivo em torno das questões contemporâneas, caracterizando-se pelo diálogo entre a tradição e a inovação.

Joaquim Elias – Natural de Pimenta-MG. As Artes Cênicas e a Psicologia são suas áreas de atuação e pesquisa. Nas artes cênicas desde 1987, já atuou como bailarino, ator, diretor, preparador corporal e professor. Estudou com Philippe Gaulier (Paris 2002-2003), entre outros temas: Bufão, Clown, Tragédia Grega, Máscaras, Criação de Personagens e Direção. Psicólogo clínico com especialização em Gestalt-terapia pelo Instituto Gestalt de Vanguarda Cláudio Naranjo (MG) e em Biopsicologia pelo Instituto Visão Futuro (SP). Seus últimos trabalhos de direção foram: FRAGMENTOS D´UBU (com os participantes da oficina "No encalço dos bufões" - 2015), “Memórias em Tempos Líquidos” (com Eliseu Custódio e Jimena Castiglioni – 2013), “[gaveta]”, com Camila Morena da Luz, em 2013 e “Quintal” (Ciacasca – 2011).

Fernando Martins – Natural de Uberaba/MG, tem 28 anos dedicados à dança. Em sua trajetória estabeleceu importantes caminhos dentro de seu amadurecimento profissional e importantes parcerias artísticas como co-fundador da Randon Collison na Holanda, projeto que se dedica a subsidiar jovens coreógrafos em pesquisas e produções artísticas. Hoje se dedica ao aprofundamento de sua pesquisa de linguagem intitulada Brain Diving e a produção musical na área da dança contemporânea na criação de trilhas sonoras personalizadas. Integrou o Balé da Cidade de São Paulo, Galili Dance Company, Random Collison, Quasar Cia. de Dança, J.Gar.Cia Dança Contemporânea, e residências artísticas e: Escuela Profesional de Danza Contemporánea de Mazatlán | México (EPDCM), Escola de Dança São Paulo e Illinois University- USA. Coreografou trabalhos para o Balé da Cidade de São Paulo, Galili Dance, Random Collison, Ribeirão Preto Cia de Dança, Grupo Êxtase de Dança/ Viçosa/MG entre outros.

Manoel de Barros – Manoel Wenceslau Leite de Barros foi advogado, fazendeiro e poeta brasileiro. Nasceu em Cuiabá (MT) em 19 de dezembro de 1916. Após passar a fase da educação básica em Campo Grande (MS), muda-se para a cidade do Rio de Janeiro. Escreveu seu primeiro poema aos 19 anos e, a partir daí, cria um estilo próprio. Expoente da geração de 45, Manoel de Barros possui uma obra com construções literárias que não respeitavam as normas da língua padrão. Neologismos e sinestesias sempre estiveram presentes em seus poemas, características comumente comparadas a Guimarães Rosa. Recebeu os Prêmios Orlando Dantas (1960), Prêmio Nacional de poesias (1966). Prêmio Jabuti de Literatura (1989), Prêmio Alfonso Guimarães da Biblioteca Nacional (1996) Prêmio Academia Brasileira de Letras (2000) e Prêmio APCA 2004 de melhor poesia. Faleceu no dia 13 de novembro de 2014, aos 97 anos de idade.

 

Entrada gratuita, com lotação máxima de 700 pessoas

Classificação livre

Informações para a imprensa:

Júnia Alvarenga: (31) 3236-7419 l (31) 98408-7084 l junia.alvarenga@fcs.mg.gov.br

Gabriela Rosa: (31) 3236-7378 l (31) 98409-1424 l gabriela.rosa@fcs.mg.gov.br

Vítor Cruz: (31) 3236-7378 l (31) 99317-8845 l vitor.cruz@fcs.mg.gov.br

Foto: Paulo Lacerda

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