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Romantização da maternidade também é uma forma de pressão social

Maio, mês das mães, mas ainda pouco se fala sobre a maternidade real e a romantização do ser mãe continua viva, principalmente, nas redes sociais. Hoje, estamos conectados no Instagram, Tik Tok e demais redes.Nesses locais, as pessoas compartilham ideais de vida, esse é o perigo, pois começa a criar uma idealização do ser mãe e quando uma mulher exausta e em meio aos desafios a maternidade se depara com tal situação, fica chateada, se questiona e se cobra.

A mãe precisa de apoio em todos os momentos, da gestação ao pós parto. É uma mudança no corpo, na rotina,nos hormônios, tudo de uma vez e cada mulher é única, a reação também será, logo, se comparar não é a melhor opção. Ela precisa de compreensão, apoio, ter seu tempo respeitado.

De acordo com a Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), as mulheres chefiam 40% das casas no país. Algumas, não contam com rede de apoio e se deparar com situações e postagens sobre essa ilusão da maternidade perfeita, gera mais tristeza, autocobrança. Por isso, gosto sempre de lembrar às mães, principalmente aqueles de primeira viagem, que a maternidade tem altos e baixos, é um processo de aprendizagem eterno.

Ao invés de se basear na vida das redes sociais, o ideal é procurar um tempo para se conhecer, respeitar e aprender com o processo. Aproveite os meses de gestação para ler, se informar sobre quais opções e possibilidades existem nesse vasto mundo de receber um filho e seguir com ele vida afora, pode questionar os profissionais que a atendem, se perceber que não compartilham de seus valores. Se questionar e questionar os outros sobre as possibilidades que existem é ter consciência de que, se somos tão diferentes como pessoas, também devemos ter formas diferentes de viver, de criar nossos filhos, formas que nos tornem mais felizes, completas e realizadas como mulheres mães.

Maternar é um eterno aprendizado e a mãe precisa estar livre para se sentir segura ao tomar decisões. As mães são livres para fazer as escolhas de acordo com sua realidade e não somente as escolhas de outras pessoas, em que sejam respeitadas, valorizadas e protagonistas. O que hoje se busca é uma forma de ser mãe que liberte e fortaleça a mulher, que lhe dê autonomia, coragem e autoestima, colocando-a como peça de mudança ativa no mundo. 

Bila Freitas, psicoterapeuta e psicanalista.

Foto: Acervo pessoal

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