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Gruta apresenta live da cantora e compositora Milena Torres nesta sexta-feira
Artista apresenta canções e conversa com Marcelo Veronez; no dia 21, DJ Freddona presta homenagem a Anyky Lima
Importante cena underground de Belo Horizonte, a Gruta estreou, em abril, uma programação cultural totalmente gratuita e online que vai até o mês de agosto. A iniciativa é mais um esforço da Gruta em resistir aos desafios impostos pela pandemia da Covid-19, enquanto espera de portas fechadas, fazendo jus à responsabilidade social que o momento crítico do país cobra. Aprovado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, o projeto contempla a realização de apresentações musicais, bate-papos, festas com DJs e ações cênicas. A programação de maio começa nesta sexta-feira (7), com o pocket-show da cantora e compositora mineira Milena Torres, e segue no dia 21 de maio, sexta, com discotecagem da DJ Fredonna. As atrações serão exibidas ao vivo no Zoom e no YouTube, e os links estão no Linktree, na bio do Instagram da Gruta.
Natural de Almenara, quase na divisa de Minas Gerais com a Bahia, Milena Torres canta a força da Terra e da ancestralidade. No pocket show, que acontece nesta sexta, às 22h30, a compositora mostra um pouco de seu novo trabalho, intitulado "A Deusa que Mora em Mim", nome da canção que ela compôs logo no início da pandemia e que guiou o conceito do álbum. Os temas, mesmo compostos em momentos diferentes, dialogam entre texto, som, timbre e ritmo. Os orixás sempre acompanham o trabalho da compositora e, neste álbum, não será diferente. Iansã, por exemplo, ganha reverência na gravação ao vivo da música "Brinquei com Oyá" e na inédita "Oyá Olha Ela", composta pela artista em homenagem a Maria Bethânia, com incentivo do Bloco Bethânia Custosa, com que desfilou na ala de intérpretes, no Carnaval de 2020. Durante a apresentação, o cantor, compositor e ator Marcelo Veronez, um dos gestores da Gruta, conversa com a artista sobre as canções, novas e antigas.
No dia 21 de maio, sexta-feira, às 22h30, é a vez da DJ Freddona fazer um set ao vivo em homenagem à ativista mineira Anyky Lima, que faleceu em abril deste ano, aos 65, em Belo Horizonte. Uma das mais importantes vozes na luta contra a transfobia no Brasil, Anyky foi presidenta do Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual em Minas Gerais (Cellos-MG) e representante estadual da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). Para a ocasião, Freddona vai estrear sua nova persona à frente das pick-ups, a DJ Mama showME, "travesti mama de família pós-tradicional", que articula "pesquisa e delírio musical com influência na carnavalidade brasileira e no tropicalismo". Músicas que trazem os movimentos LGBTQIA+, feministas, transfeministas e negro, com eletrônica e mixagens intensas, passeando pelo funk e o samba.
A programação da Gruta começou em abril, com o pocket show da cantora e compositora Adrianna e com a discotecagem de Black Josie. A dobradinha entre apresentações e DJs se repete nos próximos meses, que também contarão, sempre às segundas-feiras, com conversas sobre terror no cinema com Wanira Vampira (Wagner Alves, artista, performer e integrante do coletivo que atualmente gere a Gruta), sempre com tradução em libras. A programação musical dos próximos meses, cuja divulgação também acontece no Instagram da Gruta, contará ainda com pocket shows de Claudia Manzo, Josy Anne e Davi Fonseca; além de discotecagens de Fê Linz, Naroca, Freddona e Shaitemi Muganga.
Sobre a programação
Um dos gestores da Gruta, o cantor, compositor e ator Marcelo Veronez conta que a curadoria foi baseada, principalmente, no afeto. “Pensamos em convidar alguns artistas que estiveram ao nosso lado durante a campanha de financiamento, que doaram seus trabalhos em apresentações online e que tenham facilidade em trabalhar de casa. Por isso dividimos a programação entre dez eventos: cinco noites com DJs, que vão escolher um tema e tocar músicas sobre este universo durante uma hora, como um programa de rádio; e cinco noites com artistas da música”, conta o artista, que apresentará os pocket shows, comandando um bate-papo sobre os processos criativos com os convidados.
Completando a programação, para lembrar a dinâmica das segundas-feiras na Gruta, quando o espaço funcionava antes da pandemia, as conversas semanais com Wanira Vampira foram ajustadas para o formato virtual. “Nas noites de segunda, a gente deixava a casa aberta, com uma música baixinha ou um videokê ligado, mas o que interessava mesmo era a troca de ideias. A Gruta virava uma confraria, um lugar de encontro entre artistas e produtores que trabalhavam no fim de semana e tinham a segunda como dia de folga”, relembra. “Neste formato online, teremos a ‘Agenda Trevosa’, sob comando da Wanira. Um formato leve e divertido, sobre assuntos incríveis, principalmente ligados aos filmes de terror no cinema e seus vários estilos. Um respiro para ajudar a passar o tempo nestes dias difíceis que estamos vivendo”.
A arte resiste
A pandemia da Covid-19 acelerou um processo de desmonte dos espaços culturais independentes em BH e várias casas tiveram que encerrar suas atividades. Para não entregar os pontos, outros tantos espaços buscaram alternativas, como no caso da Gruta, que realizou uma campanha de financiamento coletivo visando a manutenção dos custos mensais. “Num primeiro momento, a gente pensou bastante em desistir. Mas, com a ajuda e a mobilização das pessoas, conseguimos reverter minimamente o quadro. Deu muito trabalho, mas também um gás enorme para continuar. Saímos com a real sensação de que a Gruta é um espaço importante para história de muita gente na cidade”, relembra Veronez, ressaltando que o coletivo cênico Toda Deseo também faz parte da gestão atual da Gruta.
Com a continuidade da pandemia, os desafios também persistiram. Daí, surgiu o projeto aprovado na Lei Municipal de Incentivo à Cultura, parceria com a Através Cultura, do produtor Leonardo Beltrão. “O projeto inicial previa o pagamento das contas mensais do espaço físico, um prolabore mínimo para a equipe envolvida nas atividades e o funcionamento da Gruta num formato mais seguro e tranquilo para todos”, conta Veronez, lembrando que o texto, escrito em maio de 2020, teve que ser readequado para o formato virtual, em função do agravamento das condições sanitárias na cidade. “Não vou mentir, foi bem decepcionante. Afinal, acreditávamos que estaríamos em uma situação melhor, e não num momento ainda mais terrível. E o online realmente não é tanto nossa praia, gostamos é da Gruta lotada. Mas estamos programando o melhor que conseguimos para este desafio”, completa.
Enquanto os encontros ainda seguem como uma perspectiva futura, o coletivo também aproveita o tempo para “arrumar a casa” para o tão aguardado retorno. “Agora, estamos trocando o telhado. Era um sonho de muitos anos, já que o espaço onde a Gruta funciona é antigo e tanto a laje quanto o telhado já estavam numa situação bem ruim. Através das garantias oferecidas pelo projeto, conseguimos que a imobiliária e a proprietária se responsabilizassem pela reforma. Um passo adiante para receber as pessoas com mais segurança e conforto”, diz Veronez, que não vê a hora da reabertura responsável do espaço. “A Gruta é um lugar de encontro, trocas e aprendizados. Estamos muito ansiosos por este momento e sabemos que os frequentadores do espaço também estão. Só teremos uma restrição para a próxima temporada: agora, na entrada, além do RG, também vamos exigir o cartão de vacina”.
Este projeto (0691/2020) é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte.
Sobre a Gruta
Localizada na Rua Pitangui, ao lado do Galpão Cine Horto, Zona Leste da capital mineira, a Gruta é um espaço cultural independente que funciona, desde 2001, como ponto de convergência entre artistas de diferentes linguagens da cidade. O lugar surgiu como local de ensaios de grupos teatrais e, ao longo dos anos, se reconfigurou por diversas vezes, assumindo também o caráter de casa para pequenos shows e espetáculos, e espaço de festas.
Autogestionado, se mantém como uma referência fundamental para a promoção da experimentação artística e de um espaço livre e diverso, que acolhe criações e debates que incluem as pautas feminista, LGBTQI+ e antirracista, entre outras. Foi administrado de forma aguerrida durante muitos anos por Joyce Malta e Admar Fernandes e, atualmente, é gerido por Marcelo Veronez, Wanira (Wagner Alves), Juliana Abreu e Akner Gustavson (Toda Deseo).
Programação Gruta Online – Maio
à 7/5, sexta, às 22h30 - Pocket show e bate-papo com Milena Torres
à 21/5, sexta, às 22h30 - DJ Fredonna | Mama showME - Homenagem a Anyky Lima
Onde. Zoom e YouTube | Links das atrações no Linktree
Programação gratuita | Mais informações. Instagram
Foto: Rodrigo Valente
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