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Mateus Aleluia traz pela primeira vez em BH seu projeto “Conversa AfroBarroca – Canto dos Recuados”

“Conversa AfroBarroca – Canto dos Recuados” é um projeto do baiano Mateus Aleluia, compositor, cantor e instrumentista, remanescente do grupo vocal “Os Tincoãs” (do clássico “Cordeiro de Nanã”, gravado pelo trio estelar João Gilberto, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethania) e autor deste projeto cujo enredo tem como foco a mestiçagem artística cultural brasileira, ressaltando como o fio condutor deste processo a cultura e história da África.

“Conversa AfroBarroca – Canto dos Recuados”, apresenta-se em forma de palestra audiovisual sobre cultura afro-barroca e sua expansão humana para o Brasil com enfoque na temática da cultura africana, sua miscigenação com a cultura barroca trazida pelos europeus e com a cultura autóctone indígena, buscando sensibilizar o público para uma abordagem consciente sobre a história de um povo oriundo do continente africano e seu legado para o Brasil, abordando o sincretismo cultural e religioso das culturas indígena, barroca e africana e o perfil cultural, que hoje, confere à Bahia a condição de poder afirmar que o Estado baiano é a maior expressão afro-descendente fora da África.

Com um repertório que atravessa o trabalho autoral de Mateus Aleluia, os Tincoãs e outros artistas como Caymmi, além de cânticos de domínio popular, canções indígenas e sambas de roda, o projeto alia música e palestra com conteúdo sobre a formação da sociedade brasileira. Conta ainda com o recurso audiovisual através de imagens produzidas para o projeto e trechos de filmes e documentários especialmente selecionados que são projetados em diálogo com a o repertório e o roteiro da palestra. Um ambiente envolvente toma conta do espectador, tendo em Mateus Aleluia um articulador dos diversos elementos da arte que provocam a plateia a desenvolver um questionamento consistente sobre os caminhos da nossa sociedade ao longo da história.

A arte não está dissociada das experiências mais elementares da vida, ao contrário. Acreditamos na relação profunda da educação com a cultura como instâncias fundamentais da vida que se relacionam para enriquecer a nossa forma de estar no mundo. Esse projeto nasce de uma reflexão e da própria vivência do artista e pedagogo Mateus Aleluia, que entende sua arte como colaboração para uma transformação do mundo em que vive.

O Canto dos Recuados tem a duração de 60minutos e é apresentado por Mateus Aleluia, acompanhado de seu violão e Ricardo Campos (violoncelo). O recurso audiovisual é pensado para dilatar a experiência tanto das falas quanto das músicas. O material passeia por diversas referências, a exemplo de Milton Santos, luther King, Ghandi, Leopold Sedhat Sengaud que em determinado momento ganha destaque, até que voltamos a mergulhar no canto grave e profundo de Mateus Aleluia.

Após o recital/palestra abre-se a plenária para um debate. As apresentações serão abertas ao público em geral.

Dentre os objetivos principais da palestra, Mateus Aleluia busca sensibilizar a sociedade brasileira da necessidade de conhecermos melhor as matrizes culturais, especialmente a indígena e africana, para melhor entendermos e superarmos os problemas da nossa sociedade; Valorizar as distintas matrizes na composição da nossa base cultural, contribuindo para desestigmatizá - las; Promover o estímulo ao estudo e ao debate acerca da história de composição da nossa sociedade; Fortalecer o imaginário cultural característico do nosso povo e deslocar o papel da música como simples entretenimento, criando um novo formato de espetáculo com orientação pedagógica, afirmando a potência de transformação da arte.

O Brasil se constitui de um longo processo de miscigenação entre três culturas notadamente diferentes. Ao longo dos mais de 500 anos desde a chegada dos portugueses em Terra Brasilis, temos considerado a cultura europeia como a cultura oficial do país, no entanto, nos hábitos e costumes do brasileiro podemos, sem muito esforço, identificar a influência dos povos oriundos d’África, bem como dos povos nativos, os indígenas.

No vestir, no comer, no andar, no rezar, no cantar e no pensar, a mistura entre os povos é marcante, e é exatamente o que coloca o Brasil como uma grande diferença em relação aos outros lugares no mundo. Diante da evidente necessidade de valorização das matrizes culturais minoritárias, o Governo Federal orientou a inclusão da história da África e dos povos indígenas no currículo escolar. Entretanto, esta orientação pedagógica ainda não se faz sentir com o impacto correspondente às manifestações culturais espontâneas que explodem pelas ruas dos municípios dos estados brasileiro, em cada data consagrada a cultura popular.

Advogamos a implantação de programas de sensibilização no sentido de haver um maior empenho por parte de todos nós, no cumprimento desta diretiva do governo federal. Este projeto surge então, desse desejo, aliado à experiência de Mateus Aleluia, cuja expressão musical é reconhecida internacionalmente pela profundidade com que toca e canta os temas da cultura afro-brasileira. Entendemos a importância de colocar a arte como ação transformadora da nossa sociedade, onde a beleza não surge alheia à nossa história, ao contrário, existe para fortalecê-la e transformá-la.

Desta forma é que apresentamos esse projeto, reconhecido nacionalmente, uma vez que já circulou por diversas cidades, para ser realizado na cidade de Belo Horizonte e no Estado de Minas Gerais.

Autor do Projeto

Mateus Aleluia é brasileiro natural de Cachoeira, na Bahia. Compositor, cantor e instrumentista, remanescente do grupo vocal “Os Tincoãs” e autor deste projeto cujo enredo tem como foco a mestiçagem artística cultural brasileira, ressaltando como o fio condutor deste processo a cultura e história da África.

Nos três antológicos discos gravados entre 1973 e 1977, o grupo baiano “os Tincoãs” combina harmonias vocais imbricadas, percussão afro-brasileira e, a partir do segundo álbum, arranjos para orquestra de músicos como João Donato e Oberdan Magalhães, da Banda Black Rio. Este legado está agora materializado em um precioso projeto Nós, os Tincoãs  - livro com textos de autoria de Martinho da Vila, Capinam, Carlinhos Brown, Letieres Leite e Adelzon Alves, dentre outros, selecionados por Gringo Cardia e acompanhado dos CDs remasterizados.

Para justificar a linha de trabalho conduzida por Mateus Aleluia, neste seu retorno de Angola, onde viveu desde 1983, torna-se imperativo falar sobre o trabalho do grupo a partir dos anos 60, e registrado em disco na década de 70/80.

Quando retorna de Angola, no início dos anos 2000, Mateus Aleluia retoma a carreira musical. Após um período ministrando palestras e shows sobre o afro-barroco — linguagem que atravessa toda a sua criação — lança seu primeiro disco solo, Cinco Sentidos, em 2010. “Fogueira Doce”, segundo disco solo chega para consolidar a obra de um artista que, apesar de difundir tradições e memórias de um tempo antigo, não retira os olhos do presente. “Eu estou no meu hoje”, diz o griô moderno. “E meu hoje é contínuo, o meu hoje é gerundial. Ele tem uma vibração que não termina”.

Os Tincoãs

Mateus, juntamente com Dadinho, atendendo a voz do inconsciente ditado pela herança genética, passou a exteriorizar através do trabalho musical o sentimento ancestral que temperou o perfil cultural do recôncavo baiano no geral, e da cidade de Cachoeira em particular.

Esta mescla de cultura responsável pela amálgama dos hábitos da cidade de Cachoeira, explodiu através do grupo em sua fase afro-barroca, sintetizado em 5 LPs, 4 compactos e algumas participações especiais.

No trabalho dos Tincoãs, se constatou a influência africana, bem à mostra, através dos cantos e ritmos das senzalas nos seus momentos de folguedos (sambas de roda) e também nos seus momentos ritualísticos (candomblé), contudo deixando à mostra os cantos oriundos do compêndio de música sacra católica e do popular domínio sacro cristão, e, pondo dentro do entendimento espontâneo sacro profano popular da Bahia todo um sincretismo cultural religioso bem patente em algumas das suas obras registradas no CD como: Oyá Pepê, Key Yemanjá e Lamento às águas, onde os cantos afros são interpretados dentro de uma temática rítmica harmônica barroca e cantos tradicionalmente barrocos como misericórdia e salmo são interpretados dentro de uma temática rítmica dos terreiros de candomblé.

Este casamento de culturas ancestrais dentro de um trabalho musical conferiu ao Tincoãs, por autoridades antropológicas, históricas, jornalísticas e musicais como Maestro Leonardo Bruno, Maestro Koellreutter - na ocasião Diretor do ICBA - Rio de Janeiro, Antropólogo e Etnólogo Babalaô Nigeriano Francis Ifá Kaiodê Akinwelere, Adelzon Alves - radialista e produtor discográfico, a condição de co-reanimadores da ancestralidade musical afro-brasileira.

 

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