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Escritora Elizabeth Rennó apresenta “a aventura poética de lêdo ivo”, na Academia Mineira de Letras

A presidente da Academia Mineira de Letras, Elizabeth Rennó, ministrará, no dia 8 de maio, às 17h, a palestra “A Aventura Poética de Lêdo Ivo”. Durante o encontro, que acontecerá no auditório da AML, a escritora e mestre em Literatura discorrerá sobre a linguagem transformadora do poeta alagoano, considerado um dos mais instigantes da literatura brasileira.

O evento faz parte da programação da Academia Mineira de Letras no âmbito do Plano Anual de Manutenção AML 2019, realizado mediante a Lei Federal de Incentivo à Cultura, com patrocínio do Instituto Unimed-BH, por meio do incentivo fiscal de mais de 5 mil médicos cooperados e colaboradores. A AML integra o Circuito Liberdade.

“Lêdo Ivo desempenha um papel de proeminência pelo seu ecletismo como poeta, memorialista, romancista, tradutor e crítico. Ele imprime em sua obra o selo de qualidade, que se traduz por linguagem”, comenta Rennó. Contemporâneo da terceira geração modernista, denominada Neomodernista mo, o escritor é considerado uma grande personagem literária, que ultrapassa até mesmo sua condição de participação da geração de 1945, a qual reuniu intelectuais conscientes e criativos do verso na ascensão de novo posicionamento na poesia brasileira.

“A rigor, Lêdo Ivo não pode ser considerado um poeta surrealista. Na medida, porém, em que consegue transformar, por alquimia criativa, matéria em sonho e o sentido realista de um acontecimento abrigar-se no fantástico e no insólito, constrói um poema surrealista”, explica Rennó. A poesia é o traço distintivo da obra do escritor. “Ele é representante de um dizer autêntico, condensando no poema todo o seu significante e desprezando o automatismo e a repetição”, acrescenta.

A bibliografia do autor reúne dezenas de títulos, como “O Sinal Semafórico”, “Linguagem”, “Finisterra”, “Uma Lira dos Vinte Anos”, “Calabar”, “50 Poemas Escolhidos pelo Autor” e “Mar Oceano”. O talento literário também lhe rendeu diversos prêmios, entre eles Prêmio Jabuti (1973), Pen Club do Brasil (1973) e Prêmio Casimiro de Abreu (1974). Ledo Ivo é o quinto ocupante da Cadeira nº 10 da Academia Brasileira de Letras.

A terceira geração modernista, nas palavras de Elizabeth Rennó:

“A terceira geração modernista, denominada Neomodernismo, consistiu no aparecimento de nova forma de poesia sucessora da fase anterior, a de 1930. Esta foi a geração de 1945, que tentou impor a sua dicção e a sua autodefinição.

A geração anterior forneceu a cada poeta da nova safra as bases para o estabelecimento de suapoesis, que, independente de ser calcada em exemplo anterior, trouxe mais liberdade em seu processo de criação, dentro das possibilidades da exploração de novos rumos.

A Geração de 45, longe de constituir uma ruptura com a geração modernista que a antecedeu, foi uma continuação em posições novas: as da disciplina e da universalidade. Diferenciou-se, no entanto, da independência proclamada por Mário de Andrade na liberdade de escolha dos gêneros, já aconselhada por Aristóteles na sua Poética, quando propôs uma volta à reabilitação do verso como construção verbal, nota dominante desta geração.

Com a Geração de 45, há o aparecimento da depuração formal, a volta à severidade dos temas banidos pelo Modernismo de 22 e o restabelecimento de alguns gêneros, como o soneto e a ode.

A poesia de 45 é o continente de uma forma individualista e pessoal com seus postulados e regras próprias. Surge em decorrência de uma necessidade, a de artistas do verso, reclamados até mesmo por Mário de Andrade, que, em artigo de março de 1939, dizia estar a poesia aparecendo apenas como inspiração, o que o decepcionava, considerando que poesia não é apenas lirismo”.

Foto: Leo Cabral

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