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Mostra no Teatro Marília discute a relação entre arte e loucura
Por meio de debates, exibição de filmes, exposição e espetáculo teatral, a mostra “Nos Porões da Loucura” destaca a importância da luta antimanicomial no país
Com curadoria assinada pela jornalista, atriz e produtora Ana Gusmão, a mostra “Nos Porões da Loucura” é derivada do espetáculo homônimo que estreou em maio de 2016 e já foi assistido por milhares de pessoas. A proposta é promover uma programação voltada para destacar a importância da luta antimanicomial e refletir sobre os avanços e retrocessos verificados no país ao longo dos anos. “É certo que a luta antimanicomial já registrou várias vitórias nas últimas décadas no Brasil, mas o tema ainda merece destaque uma vez que o preconceito seguido da ignorância impossibilita boa parte desses pacientes de se inserirem, verdadeiramente, na sociedade”, afirma a curadora.
Ao longo de toda a mostra, haverá uma temporada do espetáculo “Nos Porões da Loucura”, com dramaturgia adaptada a partir de uma série de reportagens do jornalista Hiram Firmino ao longo do ano de 1979, que foram reunidas em livro posteriormente, que já conta com várias tiragens. A montagem possui dramaturgia e direção assinadas por Luiz Paixão e resgata o horror vivido pelos pacientes portadores de sofrimento mental ou àqueles que simplesmente eram indesejados pela sociedade. A montagem poderá ser conferida todas as sextas e sábados, às 20h30, e aos domingos, às 19h.
Além da temporada do espetáculo, o foyer do Teatro Marília ainda receberá durante todo o período da mostra, a exposição “Eu sou, tu és, ele é, nós somos, vós sois, eles são“, que apresenta 12 fotografias assinadas pelo fotógrafo Guilherme Bergamini. As imagens em preto e branco foram produzidas no Hospital Psiquiátrico de Barbacena ao longo do ano de 2016 depois que Bergamini assistiu ao espetáculo “Nos Porões da Loucura”. Impactado pela temática apresentada na montagem, ele iniciou uma pesquisa e posteriormente entrou em contato com o hospital para conseguir autorização para a captura das imagens que poderão ser conferidas durante a mostra. As obras que integram a exposição propõem um olhar sobre o epicentro do chamado Holocausto Brasileiro. Por meio das imagens, o público é convidado a compreender e refletir sobre temas como preconceito e responsabilidade social, fatores fortemente associados ao sofrimento mental e a todas as questões a ele pertinentes. A exposição é, também, um trabalho coletivo que, além da concepção e fotografia de Bergamini conta com texto assinado por Luiz Gomide, artista cênico integrante do elenco da peça Nos Porões da Loucura, e pintura em técnica mista, utilizando sublimação sobre papel e aguada de nanquim, de Clifford Dutra. A exposição é gratuita.
Debates
A mostra também abre espaço para o debate. Neste domingo, dia 6, às 20h15, o psiquiatra Doutor Lauro Guirlanda (Instituto Raul Soares e professor da FAMINAS), e a Doutora Miriam Abou-yd (integrante do Fórum Mineiro de Saúde Mental) discutem a real necessidade dos hospitais psiquiátricos. O encontro será mediado pelo jornalista Hiram Firmino. Já no dia 20, também às 20h15, acontece o debate “A arte no tratamento hoje”, que contará com a presença do músico Babilak Bah, coordenador do Trem Tan Tan, grupo musical formado por pessoas com sofrimento mental, e Andréia Lima, do Instituto Raul Soares, órgão conhecido pelos estudos e incentivos a pesquisas referentes ao tratamento de portadores de sofrimento mental. O bate-papo será mediado pelo diretor e dramaturgo Luiz Paixão. Ambos os debates têm entrada gratuita.
Exibições de Filmes
A mostra contará ainda com diversas sessões gratuitas e abertas ao público geral. Serão exibidos filmes e documentários que retratam a realidade dos manicômios pelo país. Logo neste primeiro final de semana, o público poderá conferir os documentários “A Casa dos Mortos” (dia 4, às 20h), com direção, roteiro e pesquisa etnográfica de Debora Diniz, “Passageiros da segunda classe” (dia 5, às 20h), produzido pelos fotógrafos Kim-Ir-Sem, Waldir Pina e pelo historiador e cineasta Luiz Eduardo Jorge, e “A Arte da Loucura” (dia 6, às 18h30), dirigido pelas gaúchas Karine Emerich e Mirela Kruel. Também serão exibidos durante o mês os documentários “A loucura entre nós” (Fernanda Fontes Vareille) e “Sufoco da vida” (Tiago Bravo Quintes).
Foto:Andre Fossati
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