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Documentário Entre Mundos, de Guilherme Reis, traz a história de Helena Antipoff, educadora que contribuiu ativamente para o avanço e democratização do ensino no Brasil
O longa-metragem aborda vida e obra da educadora russa que, entre outras realizações, fundou a Sociedade Pestalozzi do Brasil e mantém seu legado vivo por meio da Fundação que leva seu nome
Com a bagagem de quem havia passado pelos maiores centros de pesquisa do mundo sobre aprendizagem, a educadora e psicóloga russa Helena Antipoff chega a Minas Gerais em 1929, a convite do governo na época, para ajudar a reformular o ensino no estado. O documentário Entre Mundos, dirigido por Guilherme Reis, narra a história dessa mulher à frente de seu tempo que foi pioneira na introdução da educação especial no país. O longa-metragem tem sessão de pré-estreia, para convidados e público em geral, com entrada gratuita, no dia 8 de maio, quarta-feira, às 17h, no Teatro da Assembleia, em Belo Horizonte.
“Trata-se de um documentário de múltiplas vozes, que faz dialogar interlocutores de diferentes nacionalidades para construir uma biografia plural. A organização de diversos pontos de vista constrói a narrativa de Entre Mundos e enriquece as possibilidades de leitura sobre a complexa biografia de Helena Antipoff”, afirma o diretor.
Catalisadora das formulações mais arrojadas sobre a ciência da educação da Europa e dos Estados Unidos, Helena Antipoff trouxe para o Brasil não só o conhecimento teórico adquirido na Rússia, França, Alemanha e Suíça, países onde viveu, mas agregou a isso a experiência prática adquirida nos principais laboratórios de psicologia do mundo e na lida direta na educação de crianças em condições adversas.
Em sua chegada a Minas, Helena participou do grupo de especialistas multiétnicos contratados para a reforma do ensino no estado. Com seu olhar aguçado, constatou as carências e potencialidades do povo mineiro, passando então a promover as soluções por meio de metodologias de ensino adaptadas a cada situação, a começar pela educação rural. Posteriormente, se fixa em definitivo no Brasil e vai se dedicar à educação especial, criando e colaborando com instituições que ainda hoje são referência no Brasil. A partir de Ibirité disseminou sua obra por todo o país. Entusiasta de uma educação ativa, já mesmo naquela época era crítica de um modelo verbalista de ensinar. “Ainda mais triste que ver meninos sem escolas”, diria Antipoff em meados da década de 1930, “é vê-los imóveis em carteiras enfileiradas, em escolas sem ar, perdendo tempo em exercícios estéreis e sem valor para a formação do homem”.
Mais de 45 anos após o seu falecimento, a voz de Antipoff continua extremamente atual e necessária.
O FILME
Entre Mundos transita entre passado e presente para narrar uma trajetória de vida que se desenvolve paralelamente à evolução da fotografia e das técnicas audiovisuais. O documentário intercala tomadas contemporâneas e imagens de arquivo, de vários momentos do século XX, com diferentes suportes de captação, que vão de filme 16 mm ao VHS, situando o espectador sobre o tempo do qual se fala em cada etapa do filme. A não interferência nas imagens de arquivo tem a intenção de criar uma atmosfera histórica e cultural para a obra, que circula por "mundos" e "tempos" diversos.
Para narrar os feitos de Helena Antipoff na educação do Brasil, o documentário percorre os caminhos da educadora desde a origem aristocrática e a formação inicial num importante centro político e cultural do império czarista - São Petersburgo - até o reconhecimento público e a construção do seu legado no Brasil, passando pela formação em Psicologia da Educação na França e em Genebra e o trabalho de pesquisa sob a tutela de Édouard Claparède no Instituto Jean-Jaques Rousseau; a volta à Rússia em busca do pai ferido na Revolução de 1917; o casamento com Victor Iretzky e a maternidade; a experiência no exílio; a vinda para o Brasil; a pesquisa na formação de educadores; a vivência em Ibirité e a criação de instituições em defesa de pessoas socialmente excluídas.
O reconhecimento público e o legado da mestra russa ao Brasil são visitados por meio de depoimentos de pessoas que conviveram com ela no país e de pesquisadores e historiadores do Brasil, Rússia, Suíça, França e Espanha. Materiais de arquivos como fotos, filmes e diários de alunos de Dona Helena - como era carinhosamente chamada em Minas Gerais - reavivam a memória das obras dela na vida de milhares de pessoas ao longo dos seus 45 anos de dedicação no Brasil.
SINOPSE
A história da educadora e psicóloga Helena Antipoff é contada em materiais de arquivo e entrevistas de especialistas em sua obra e de pessoas que a conheceram. Formada nos mais avançados centros de pesquisa sobre aprendizagem do início do século XX, a mestra russa, que se estabelece no Brasil em 1929, atravessa períodos conturbados da história mundial. Com sua larga experiência profissional e de vida contribui com a construção de conhecimentos e práticas que influenciam ainda hoje o ensino brasileiro.
Uma coprodução da Postura Digital e da Tessitura Cultural, “Entre Mundos” é o segundo documentário de longa-metragem de Guilherme Reis.
Guilherme Reis é formado em Belas Artes com habilitação em Cinema de Animação pela UFMG e em Comunicação Social pelo Uni-BH. Desde 2003, é diretor da produtora Postura Digital (www.posturadigital.com.br), que produz obras autorais e comerciais.
Filmografia: American Movie (2003), curta de ficção | Manipulação de Massa (2006), curta documentário | Era uma vez... (2007), curta de ficção | Jardim das Cores (2008), curta de ficção | Família (2013), longa de ficção | Bênção (2016), curta documentário | Dentro da Caixinha (2016) média de ficção | Herança – A Cavalhada em Brumal (2018), longa documentário.
Ana Amélia Arantes é especializada em Produção e Crítica Cultural pelo Instituto de Educação Continuada da PUC Minas. Produtora cultural há 18 anos, se dedica à produção audiovisual desde que realizou o documentário de curta-metragem Lírico Movimento, lançado em 2013. Atuou como produtora executiva e diretora de produção no filme Herança – A Cavalhada em Brumal, 2018, 70 min., documentário, e no Dentro da Caixinha, 2016, 46 min., ficção infantil; e como produtora executiva no Família, 2013, 80 min., ficção; todos dirigidos por Guilherme Reis. Além dessas experiências, na área audiovisual, desenvolveu projetos de filmes, atuou como produtora e assistente de direção em séries, longas e curtas-metragens de diversos diretores e em filmes publicitários.
Foto: Divulgação
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