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Cantor, compositor e instrumentista, Chico Almeida mostra a potência da viola contemporânea em disco de estreia
Mineiro de Andrelândia lança álbum homônimo no dia 3/5, no Teatro Bradesco; show terá participações de nomes como Chico Lobo e Fernando Sodré
Se engana quem pensa que a viola encontra lugar cativo apenas entre manifestações da cultura popular. Para além do regionalismo, o instrumento oferece uma gama vasta de possibilidades musicais, que vêm sendo exploradas por novos nomes da música brasileira. É o caso do cantor, compositor e instrumentista mineiro Chico Almeida, que lança no dia 3/5, quinta-feira, seu primeiro disco. O álbum homônimo será apresentado ao público no Teatro Bradesco, em um show que conta com participações de nomes como Chico Lobo e Fernando Sodré.
Natural da pacata Andrelândia, no Sul de Minas, o músico conheceu os encantos da viola ainda criança, quando começou a participar da Folia de Reis. “Venho de uma família de músicos. Meus pais e tios eram da Folia de Reis e bandas de baile, eu e meu irmão crescemos nesse ambiente. Comecei a tocar cavaco, aos sete anos, depois passei para o violão, guitarra, um monte instrumentos, até chegar na viola, apesar de flertar com ele desde criança”, conta o artista, que na adolescência foi influenciado pelo rock’n’roll e teve suas primeiras bandas. “Depois dessa fase, entrei para a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), onde estudei violão para valer. Em 2008, estava de férias em Andrelândia e acabei comprando uma viola. Levei o instrumento para Ouro Preto e rapidamente virei ‘o violeiro’ entre os colegas e trabalhos”, brinca.
A partir dali, Chico Almeida começou a estudar a linguagem da viola, aplicando o instrumento no choro e em outros gêneros da música popular. “Criei, então, o Chico Almeida Trio, que acabou virando a banda Tangram, um quarteto bem interessante, com amigos de Ouro Preto. A partir desse projeto, criei algumas composições que norteariam meu trabalho solo”, explica, contando que, a partir de 2010, começou a apresentar sozinho seus trabalhos autorais. “Aí vieram os primeiros prêmios, como o BDMG Jovem Instrumentista (2012), o Prêmio Música Independente (2013) e o Festival de Viola de Piacatuba (2010 e 2011)”, destaca.
De 2014 para cá, o artista começou a reunir composições que dariam forma a seu disco de estreia. Com o projeto aprovado pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura, contatou o produtor Marcelinho Guerra, do estúdio Locomotiva, e começou os preparativos. “Foi um processo muito legal. O Marcelinho sugeriu que juntássemos um time grande e talentoso de 23 músicos, o que foi incrível. Então, os arranjos foram acontecendo em cima de bases que eu já havia criado antes, todas de minha autoria e uma feliz parceria com Fernando Sodré, que foi meu professor pelo BDMG e é um grande mestre e amigo”, conta.
A equipe contou, ainda, com músicos respeitados no cenário nacional e internacional, como Célio Balona, Lincoln Cheib, Adriano Campagnani, Frederico Heliodoro, Felipe Continentino, Marcus Abjaud, Aloísio Horta, Ricardo Prates, Luís Patrício, João Francisco Araújo, Luciano Andrade e Tiago Almeida (irmão do artista). “Os arranjos ficaram muito bonitos. São canções que têm uma pegada que passeia pelo folk e a música caipira, com influências diversas, que vão de Almir Sater a Led Zepellin. Já os temas instrumentais passam por outros ambientes musicais, como o frevo e o baião”, diz, lembrando que seu pai e seus filhos também participaram das gravações.
Nas letras, Chico Almeida canta a mineiridade, temperando as canções com diversas referências, das folclóricas às mais sofisticadas. As músicas tratam de temas atuais, de forma aberta e consciente, e se entremeiam a figuras da nossa cultura, sublinhadas pela voz marcante e o timbre da viola lírica e virtuosa do artista. “As letras falam de amor, num sentido universal. De família, amizade, paz, otimismo e cidadania. São mensagens contadas através de histórias cotidianas, cheias de imagens mineiras”, afirma, destacando a influência interiorana de Andrelândia em seu processo de criação.
O artista sublinha, ainda, a potência do show, cuja banda será formada, em grande parte, por músicos que o acompanharam na gravação. “Além desse time de músicos talentosos, terei algumas participações, como Chico Lobo, que canta comigo na faixa ‘Chico’, e Fernando Sodré, com quem divido a instrumental ‘Frevorada’”, afirma. “Meu pai, meu irmão e meus filhos também estarão presentes neste momento especial. Será uma grande celebração da potência da viola, da música mineira e da arte”, finaliza.
Foto: Matheus Aredes
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