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Artistas participantes do projeto Circunvizinhança apresentam a moradores do Santa Efigênia suas primeiras descobertas e narrativas sobre o bairro na "Mostra em Diagrama: Abertura de Processos"

Neste sábado, 4/5, os cinco integrantes da residência artística proposta pelo ESPAI vão mostrar no espaço, em evento aberto a moradores do Santa Efigênia, o que já descobriram depois de um mês de expedição pelo bairro

O ESPAI realiza neste sábado, 4/5, das 11h às 17h, a "Mostra em Diagrama: Abertura de Processos". O evento marca a segunda etapa da residência artística Circunvizinhança, cujo objetivo é investigar as potências e narrativas do baixo Santa Efigênia. Durante um mês, os cinco artistas participantes do projeto fizeram expedições por rotas pré-determinadas, buscando relatos e subsídio artístico sobre cotidiano, sobre as rotinas, costumes e modos de vida da região. No evento, aberto aos moradores do bairro, Nydia Negromonte, Flávia Péret, Ricardo Portilho, Roberto Freitas e Ricardo Burgarrelli apresentarão o que já descobriram durante esse primeiro momento da residência, que vai até julho. Até lá, serão criadas obras e intervenções, gerando um guia-cartilha final sobre o projeto, suas descobertas e resultados.

Na mostra, um grande diagrama com a pesquisa histórica e o material iconográfico coletado será aberto para que os vizinhos possam dialogar com os artistas, conhecer o resultado parcial das expedições e, paralelamente, revisitar e recontar a história local. “O projeto pretende produzir registros da memória local que possam dar subsídios visuais e metodológicos aos moradores e agentes locais no processo de estudo e resgate de suas histórias”, pontua Negromonte, lembrando a relação do ESPAI, propositor do projeto, com a região.

Localizado na Rua Tenente Anastácio Moura, o espaço é gerido por Negromonte e o também artista visual Marcelo Drummond, que assinam juntos a curadoria do Circunvizinhança. A artista conta que os participantes - cujas vertentes pela literatura, o design gráfico e as artes visuais - já têm acumulado “pano para manga” durante as expedições. “Os artistas já têm alguns pontos iniciais. Estão inteiros e comprometidos com o projeto, criando essa primeira interação com o território”, diz. “Na ‘Mostra em Diagrama’ vamos conhecer um pouco do material encontrado, embora sem delinear propriamente o trabalho a ser realizado nos próximos meses”, ressalta Negromonte.

A próxima etapa, intitulada “Crônicas Visuais”, contará com ações e intervenções desenvolvidas especificamente para o bairro, que ocorrerão entre os dias 3 e 7 de junho. A partir da “Mostra em Diagrama”, os artistas intervirão no bairro, envolvendo ativamente os moradores e frequentadores. Desta ação coletiva resultará uma nova cartografia, aproximando histórias, pessoas e lugares. Um mapa servirá de convite para que a comunidade participe das visitas às intervenções, sendo que algumas delas terão os próprios artistas como guias.

Para fechar o projeto, a intenção é que seja publicado um guia-cartilha, peça gráfica que reunirá crônicas do baixo Santa Efigênia, registrando a memória textual, documental e imagética do trabalho realizado pelos cinco artistas durante a residência. A publicação, que também será disponibilizada em formato digital, será distribuída em pontos estratégicos, contemplando as duas zonas pertencentes ao bairro Santa Efigênia, dentro e fora da Avenida do Contorno: ateliês, bancas, padarias, casas lotéricas, farmácias, bares e armazéns.

Envolvimento e troca

Um dos bairros mais antigos de BH, o Santa Efigênia fica situado nos vales de dois córregos que fazem parte da bacia hidrográfica do ribeirão Arrudas. Nesse local, foram instaladas as colônias agrícolas que produziam alimentos a serem consumidos na recém-criada capital mineira. Sua história também está intimamente ligada à construção do 1º Batalhão da Polícia Militar de Minas Gerais.

Primeiramente nomeado como Quartel, o bairro passou a se chamar Santa Efigênia, padroeira dos militares. Esta influência militar se estendeu até os dias atuais, parcela significativa dos topônimos do bairro prestam homenagem aos muitos militares que ali viveram. Nos primeiros anos da nova capital de Minas, o lugar também abrigou muitos dos trabalhadores que ajudaram a erguer a cidade planejada, além de médicos, enfermeiros, estudantes, professores e funcionários públicos de diferentes setores que por lá foram se estabelecendo, depois de inaugurada a cidade.

Desde 2014 encravado na Zona Leste de BH, o ESPAI vem estreitando relações e explorando a vizinhança como recurso de prospecção e reconhecimento do bairro. Em 2015, junto com o Instituto Undió, o ESPAI realizou no SESC Palladium o projeto “As Casas de Lili”, que deu visibilidade às narrativas locais. Na esteira de outros processos de reflexão artística, o ESPAI promoveu duas expedições consecutivas: “Expedição Fazendinha”, no município de Brumadinho, em 2014; e “Expedição Objetos da Natureza”, em Itabirito, em 2017.

Desses processos vivenciados brotam com força o conceito de Circunvizinhança, em que o ESPAI reafirma o desejo de dedicar-se cada vez mais a seu entorno, cuja vizinhança tem personagens como Dona Elza, filha do Tenente Anastácio de Moura; Senhor Hélio, dono do tradicional “Bar Berberik”, que funciona desde 1933 como ponto boêmio do bairro; ao Senhor Ademir, que hoje dirige a Tipografia Mathias, fundada por seu pai, Leôncio, em 1958; ao “Rei do Amendoim”, tradicional armazém de secos e molhados, fundado em 1953.

O Circunvizinhança é um projeto realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte

Foto: Divulgação

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