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Mostra Arte na Maternidade focaliza o lugar das mães e crianças no ambiente artístico

Programação virtual começa no Dia das Mães, com apresentações que misturam linguagens entre 9 e 12 de maio

"Reentender a criação das crianças para além dos laços genéticos. Construir novos espaços que acolham crianças. Incentivar a vida artística das mulheres. Propiciar condições para que mães consigam vivenciar a arte". Estes são alguns dos propósitos da Mostra Arte na Maternidade, cuja primeira edição estreia no Dia das Mães, 9 de maio (domingo), e acontece também nos dias 11 (terça-feira) e 12 (quarta), com uma programação inteiramente gratuita e virtual. As atrações, apresentadas por meio de vídeos, publicados no YouTube, abarcam variadas linguagens e focalizam o lugar das mães e das crianças nos diversos espaços da cadeia produtiva da arte. São intervenções cênicas e de artes visuais, espetáculos teatrais e shows musicais, além de bate-papos, uma palestra sobre inteligência emocional e um vídeo-manifesto.

Organizada pelo Movimento Arte na Maternidade (MAM), iniciativa de Luciana Brandão, Bruna Toledo e Iaci Carneiro – três artistas, mães e amigas de Belo Horizonte –, a Mostra traz apresentações artísticas, que serão publicadas no YouTube, criadas por mães e voltadas ao tema. A programação começa às 16h, com um vídeo-manifesto que discorre sobre os objetivos do MAM. O texto, assinado por Bruna Toledo, ganhou versão em vídeo, com narração de Teuda Bara (Grupo Galpão) e direção de Juliana Barreto e Henrique Bocelli. “Enquanto a Teuda lia o texto do manifesto, antes de gravar, ela comentava, ‘gente, é o filme da minha vida passando, eu com menino no colo, correndo pra lá e pra cá, ensaiando, apresentando’. A presença nela na programação, além de uma honra, mostra que a questão que o MAM, apesar de estar acontecendo agora, atravessa gerações”, reflete Bruna Toledo.

Às 16h30, será publicado o show musical A Casa Imaginária, com as cantoras e compositoras Júlia Tizumba, Elisa de Sena, Mariana Cavanellas e Deh Mussulini. Entrecortando a música, as artes visuais aparecem com performances de Iacizinha (Iaci Carneiro), Lara Marques e Regiane Espírito Santo (ceramista e mãe de Luciana). “A artista cênica Thálita Motta, que dirige o show, propôs que fizéssemos do roteiro um experimento audiovisual. Chegamos, então, nesta ideia da casa imaginária. Uma casa vazia, sem nada, em que eu e a Bruna (Toledo) chegamos e começamos a pensar em possibilidades. Assim, vão surgindo as atrações”, conta Luciana Brandão, que é do campo das artes cênicas, bem como Bruna Toledo, também das artes circenses.

“Como tudo que fazemos, o afeto norteou a programação. Pensamos em artistas que nos acompanham desde o início do movimento, como Elisa de Sena e Mariana Cavanellas. Júlia Tizumba foi minha contemporânea no mestrado. Mãe de duas filhas, doutoranda, integrante de coletivos de arte importantes da cidade. E minha mãe tinha que estar na mostra. Afinal, não se pode querer fazer a revolução da porta de casa para fora”, diz a artista. O dia 9 ainda conta com o Boteco MAM, live com as organizadoras da Mostra pelo Instagram, às 19h; e com o espetáculo “Maternar”, da Cia Quatro Quartos (BH), às 21h. Após a exibição da peça, haverá um bate-papo ao vivo com a atriz Amanda Coimbra e a diretora Malu Falabella.

No dia 11, terça-feira, às 14h, será exibido um vídeo em que a psicóloga mineira Adeliane Melo ministra uma palestra sobre inteligência emocional. Às 21h, vai ao ar o espetáculo “Mãe Arrependida” e, logo depois, acontece um bate-papo ao vivo, pelo Instagram, com a atriz Karla Tenório e a diretora Maria Amélia Farrah, responsáveis pela criação cênica. Já no dia 12, quarta. a artista Juliana Abreu, integrante do coletivo cênico “Toda Deseo”, de BH, apresenta sua performance solo “Conselheira”. O vídeo será publicado às 21h e, às 22h, o Instagram sedia mais uma edição do Boteco MAM, fechando os trabalhos da Mostra.

Movimento Arte na Maternidade

O Movimento Arte na Maternidade surgiu a partir de uma cena curta apresentada por Luciana Brandão durante seu mestrado em artes cênicas, em 2017. “O exercício final da disciplina era criar uma performance. Não sabia o que fazer, até que pensei em post-its, aqueles bilhetes amarelos, adesivos. Coloquei vários na minha barriga, com perguntas que me faziam e eu achava invasivas ou desnecessárias: se eu estava feliz, porque eu estava grávida, se eu tinha esquecido a camisinha, se considerei abortar, se era menino ou menina”, relembra a artista, que à época da apresentação estava grávida de sua filha, Teresa. Após apresentar a performance na disciplina, Luciana se inscreveu no edital do Festival de Cenas Curtas do Galpão Cine Horto e passou.

“Foi um acontecimento. Poder expor, em cena, meus sentimentos, minha vulnerabilidade. Com um corpo grávido e nu. Foi uma enorme reafirmação enquanto artista, capaz de traduzir uma experiência individual para a coletiva. Afinal, todo mundo ali era filho de uma mãe”, reflete. Para aprofundar a criação da cena, Luciana convidou artistas que já admirava, entre elas, Bruna Toledo, sua primeira amiga mãe. “O encontro com a Bruna, mãe da Lis, que na época tinha três meses, enriqueceu muito a concepção da cena. Quando vencemos como cena mais votada, fomos a Mariana apresentar uma temporada e passamos mais tempo juntas. Nossa amizade se manteve e cresceu. Continuamos a nos questionar, falando das nossas experiências e isso, sem dúvidas, permitiu com que o MAM brotasse”.

A partir dali, não faltaram encontros e projetos. “A gente conversava muito, e as ideias iam aparecendo, para todos os lados. Eventos, mostras, livros, rodas de conversa, residências artísticas, políticas públicas para cultura e urbanismo”, afirma Luciana. Pintou, então, a vontade de promover uma festa independente, sem patrocínio ou apoio institucional, que juntasse arte e maternidade. “Colocamos tudo o que imaginávamos que era preciso para oferecer uma tarde agradável às mães, num ambiente seguro para os filhos. Fizemos um palco aberto, com sarau, para artistas mães que quisessem participar construíssem uma consciência coletiva na festa e se divertissem. Ou seja: todo mundo olhava as crianças”, afirma a artista.

Luciana conta que, para a festa, convidou a amiga Iaci Carneiro, artista visual e designer, para criar a identidade gráfica do cartaz. “A entrada da Iaci, mãe da Cora, foi uma experiência prática e consciente do que, sem querer, eu e Bruna já fazíamos: não deixar ela desistir do valor do seu trabalho, trazer suas questões e dificuldades para nossa rede de apoio e tê-la como parceira”, sublinha. “Queríamos mostrar que era possível ter um momento de lazer digno, seguro e agradável para mães que não tinham com quem deixar os filhos ou que queriam tê-los por perto. Apesar de toda a infraestrutura e lazer para as crianças, nosso foco era na mãe, no sujeito mulher, que tem direito ao acesso à cultura, como qualquer outro”.

A “1ª Mostra Arte na Maternidade” é realizada com o apoio do Ministério do Turismo e do Governo do Estado de Minas Gerais, por meio da Lei Emergencial Aldir Blanc - conquistada com a luta e a articulação de quem acredita que a cultura é fundamental.


MAM - “1ª Mostra Arte na Maternidade”
Quando. 9 a 12 de maio
Onde. YouTube e Instagram
Mais informações. Facebook MAM

Foto: Lina Mintz

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