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Teatro Espanca apresenta última sessão do Cinema de Fachada com tema sobre a fatura das possibilidades de ser e existir

O cinema é gratuito e para todas as pessoas acontece nesta terça, 25

Bares, restaurantes, pontos comerciais diversos, juventudes, que ocupam a cena urbana e cultural da cidade, e transeuntes fazem parte da complexa dinâmica cultural e social do baixo centro de Belo Horizonte. É neste encontro efervescente, logo abaixo da Praça Sete e nos entornos da Praça da Estação, que se encontra o Teatro Espanca!. Para celebrar o encontro com o entorno, o espaço cultural apresenta a última sessão do Cinema de Fachada desta temporada. Ao todo a edição apresentou três sessões com 11 filmes cada. A última sessão acontece nesta terça-feira, 25, às 19h. A programação é gratuita.

Nesta terça-feira, 25, a partir das 19h, a terceira e última sessão do projeto Cinema de Fachada apresenta 11 filmes que levam ao público filmes que se conectam ao ecossistema do Teatro Espanca!. Se o cinema de fachada é encontro dos muitos detalhes, sutilezas, desafios e alegrias, a última sessão finaliza a temporada desaguando em uma sequência de filmes marcados por descobertas, despedida, agradecimento e reflexão. Os filmes, por sua vez, apresentam  a diversidade de produções de baixo e baixíssimo orçamento, realizadas por  novos cineastas, artistas que experimentam novas linguagens.

A movimentação que acontece antes ou depois da programação, são atrações à parte. O  entorno do espaço é tomado por longos papos e abraços. As cenas que se repetem, geram um grande acervo de fotografias calorosas. Uma característica do projeto é essa: a troca entre público, produção e estrelas dos filmes e organização do espaço - encontro que comprova que pessoas negras, LGBTQIA + e periféricas existem nas telas, na calçada, na cidade e no país - são novas memórias coletivas.

A sessão é marcada pela celebração da fartura das possibilidades de ser, existir, e refletir sobre as formas de superar e produzir arte neste país. Para Alexandre de Sena, um dos organizadores do Espanca, o Cinema de Fachada valoriza as várias formas de produção filmística: “Seja intuitiva e experimental, como também de quem é cineasta com formação acadêmica, ou ainda de quem foi forjado na experiência da vida e de quem se é. No fim, são as múltiplas realidades que passam nesta  telona que marcam o encerramento desta temporada”, afirma. 

Suellen Sampaio, também organizadora, confirma a vocação do projeto de respeitar o entorno do Espanca, em ser cinema gratuito para todas as pessoas, bem como, ser espaço para emergir novas vozes e narrativas: “os filmes trazem perspectivas diferentes sobre vivências individuais e coletivas que passeiam por inquietações, importância de redes de apoio e resistência” reforça.

Ao todo, a sessão tem cerca de duas horas de duração. Os organizadores reforçam sobre o clima frio de outono: “vem quentin que o tempo esfriô. Casaco, cachecol e até uma cobertinha são muito bem-vindos para curtirmos um cineminha” brincam. Para mais informações, acesse: instagram.com/teatroespanca/

Sobre os filmes da última Sessão:

• Lembrar que a dor não é o único jeito de existir (Waleff Dias - @waleff.dias)

16’20”

sinopse: Baseado no dialogo com a figura paterna, o filme é um lembrete a homens negros do encontro do hoje no amanhã sobre a ausência que surgiu ontem.

• Eu ceio, Tu ceias, Elus São (Nunes Monteiro - @elilibertas)

5’45”

sinopse: A atmosfera provocante e misteriosa deste banquete, envolve as presenças de Lili Bertas e Tyá, aparições montadas e fantasiosas, que orientam um ritual com bruxarias e fetichinhos, doses de melancolia, classe e safadeza em novo nível, explorando caminhos (im)possíveis na arte drag CUir.

• Morro do Cemitério (Rodrigo Rezende Meireles - @rodrigormeireles)

19’42”

sinopse: O luto em si já é difícil. Mas nessas situações ele é cruel. Ele é carrasco. Um aspirante a rapper de uma pequena cidade do Brasil tenta sobreviver e ainda produzir sua arte.

• Olhos de Erê (Luan Manzo - @luan.manzo - @olhosdeere)

11’00”

sinopse: Luan tem um celular em suas mãos, uma câmera, e faz um gesto audiovisual inaugural, em idade inaugural. Ele tem seis anos e meio e é bisneto da sacerdotisa Mametu Muiandê, do quilombo Manzo N’gunzo Kaiango, também um terreiro de candomblé. Manzo, surgido no início dos anos 70, é um dos quilombos reconhecidos recentemente pela cidade de Belo Horizonte. Em tempos de isolamento social, Luan atravessa praticamente só, por conta própria, este filme – mas vastamente acompanhado pela presença dos santos, de seus familiares, de um certo mundo momentaneamente emudecido, cuja força, beleza e pujança parece prestes a irromper a qualquer instante.

• Sobre Elas (Bruna Arcangelo  - @brunarcangelo - @videocomalma)

14’07”

sinopse: Uma imersão em diferentes alianças femininas, retratando movimentos de apoio mútuo nos quais diferentes mulheres participam e assim fortalecem os elos e a rede de amparo, mostrando que a libertação feminina não é individual, e sim coletiva.

• 00000 (Rauta - @rauta_raul)

4’13”

sinopse: A proposta é: exibir de forma pública um trabalho feito na inquietação da quarentena, criações conjunta online musical e expelir o que passa na nossa mente, dentro da perspectiva cinematográfica.

• Comida de Quintal (Luisa Macedo - @luisa.macedo)

16’56”

sinopse: Comida de Quintal é um filme curta metragem, ensaio visual sinestésico que nos convida a conhecer Maria, Vera e Wanusa, que têm em comum o fato de manterem seus quintais urbanos produtivos, uma forma de resistência no território verticalizado da cidade de Belo Horizonte. Ali, falam sobre as relações de afeto estabelecidas com a comida, sobre machismo e outras questões que perpassam o universo da cozinha.

• ENTRE O CISTEMA (ZABÉ QUINTELLA - @zabequintella)

7’56”

sinopse: Curta-metragem com relatos e vivências dos primeiros moradores da primeira casa de acolhimento LGBT com parceria da prefeitura de Belo Horizonte. 

• su.jei.to (Mayk Ricardo dos Santos - @maykricardo)

8’38”

sinopse: o imaginário social construiu e determinou um lugar para o negro na sociedade. O corpo negro foi, e continua sendo, marginalizado, folclorizado, desumanizado, agredido, invisibilizado, colonizado, subjugado por uma estrutura racista que o enxerga como sujeito e o torna sujeito. O solo busca questionar as relações de suspeição que atravessam o corpo negro, a fim de tirá-lo do lugar de sujeito-suspeito e potencializar outras narrativas.

• TALVEZ (Renata Cristina Ferreira Silva da Paz - @brevecia - @breverenatapaz)

4’59”

sinopse: Durante visita a uma das maiores feiras de antiguidades do Rio de Janeiro, na Praça XV, encontrei um lote de 180 cartas. Todas de uma jovem a seu namorado. Renata fica comovida com o conteúdo e começa a pesquisar o passado daquelas personagens e a imaginar que futuro tiveram. Essas cartas são o cerne da estrutura do documentário.

• MARIA & EFIGÊNIA Uma vídeo-performance-ritual pra pedir bença (Gana Rodrigues Soares - @mechamegana)

5’15”

sinopse: projeto que fala sobre as minhas antigas mas sobretudo, sobre o que me restou para ser e estar no mundo. Na busca de caminhos coerentes com a ancestralidade, Gana Soares percebe o quanto o sincretismo religioso fez com a herança africana, que era forte em 3 gerações, e que, agora, se perde em meio aos cultos de outras entidades, outras religiões e ao embranquecimento da família.

Sobre o projeto: 

O Cinema de Fachada surgiu em 2013 dentro da programação do projeto “Teatro Espanca aberto para” com o intuito de propiciar aos transeuntes, comerciantes da Rua Aarão Reis, população em situação de rua e frequentadores deste centro cultural a fruição de obras ou estudos audiovisuais de forma gratuita e aberta ao público. A porta do Teatro Espanca é transformada em tela, a projeção é feita de dentro pra fora. Algumas cadeiras são dispostas pela calçada e a população se sente convidada a acompanhar a exibição. Uma pausa no cotidiano.

O projeto CINEMA DE FACHADA - 2162/2021 - é realizado com recursos do Edital Zona Cultural Praça da Estação 2021, oriundo da Política Municipal de Fomento à Cultura no âmbito do município de Belo Horizonte.

Serviço: Cinema de Fachada
Data: 25 de abril
Horário: 19h
Evento em local aberto e gratuito para o público em geral (não é necessário retirada de ingresso)

Foto: Pâmela Bernardo

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