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O artista Lucas Dupin lança “A parte pelo todo”, livro que abarca 15 anos de sua trajetória

Com textos inéditos de Cauê Alves, curador-chefe do Museu de Arte Moderna de São Paulo, e da curadora francesa Élise Girardot, obra tem edição bilíngue, tiragem de 1.000 exemplares, e será lançada no dia 30, na Livraria da Rua em BH

O artista mineiro Lucas Dupin vai lançar, no dia 30, das 11h às 14h, o livro “A parte pelo todo”, na Livraria da Rua, em Belo Horizonte. A obra traz textos inéditos assinados pelo curador-chefe do museu de Arte Moderna de São Paulo, Cauê Alves, e pela curadora francesa Élise Girardot. Com projeto gráfico do Estúdio Guayabo, a edição é bilíngue (português/inglês), possui 208 páginas e tiragem de 1.000 exemplares. Destes, vale o destaque para os 150 exemplares que trazem na capa uma intervenção única feita pelo artista. Cada exemplar foi numerado, assinado e é apresentado em uma  caixa especial. 

“A parte pelo todo” abrange 15 anos de trabalho do artista, que também vai abrir, no dia 26 de maio, sua segunda exposição  individual na Galeria Lume em São Paulo. Esse é o seu primeiro livro, fruto de quatro anos de amadurecimento de um projeto que foi viabilizado a partir de uma campanha de financiamento coletivo, realizada entre maio e julho de 2021. Além do apoio direto de mais de 270 pessoas, a publicação contou com o patrocínio das Galerias Lume e Periscópio e o co-patrocínio de Felipe Hegg e Luiz Mussnich.  

A publicação apresenta uma seleção de trabalhos produzidos entre 2007 e 2021, em diversas linguagens como pintura, instalação, fotografia e performance. Com concepção editorial do próprio artista, as obras são apresentadas sem obedecer a uma ordem cronológica, com fotografias e pequenos textos que contextualizam cada uma das ações. Dentre elas, por exemplo, está a série  “Tempo-revés” (2014-2017), que abrange instalação, fotografia e performance. Obras dessa série foram exibidas, em 2017, na Funarte-SP, no Instituto Tomie Ohtake e na programação da 13ª edição da SP-Arte.

Para o artista, que já participou de exposições individuais e coletivas, além de importantes residências artísticas, no Brasil e no exterior, esta é uma oportunidade única de poder revisitar diferentes momentos de sua trajetória. “Grande parte dessa produção artística, no entanto, acaba ficando restrita ao período expositivo e raramente se vê registrada no formato de um livro ou reunida em um mesmo local”, pontua Dupin, que já foi contemplado com o Prêmio Funarte de Arte Contemporânea em 2015, e na 6ª edição da Residência Artística Bolsa Pampulha, em 2016, entre outros.

Concebida inicialmente a partir de 32 calendários de papel, que tiveram todas as referências às datas recortadas, a instalação estimula a imaginação do espectador com formas que também remetem a janelas. No texto “A parte que está por vir”, Cauê Alves destaca a potência do gesto de Dupin: “Mais do que regressar a um ponto inicial, um grau zero do tempo, o que Lucas Dupin faz é esvaziar o calendário de toda e qualquer marcação. O que resta é uma estrutura quadriculada vazada, uma negação da quantificação do tempo, que acabou nos aprisionando”, frisa o curador.  

Élise Girardot também ressalta o tempo como uma das principais questões que permeia o trabalho do artista. No texto, “Nós atravessamos a espessura do tempo”, a curadora afirma: “Ele estende e estica a temporalidade da obra de arte, desenvolvendo um trabalho orgânico e de múltiplas formas, marcado pela fotografia, instalação e video-performance”.

Em suas ações poéticas, como observa Girardot, Dupin desconstrói imaginários e desvela outros ângulos, por meio dos quais histórias locais e nacionais também se encontram. É o caso, por exemplo, da instalação “Jardins Suspensos” (2015-2018), ou ainda a série “equivalências” (2017-2019), de fotoperformances. 

Na primeira, pequenas plantas e musgos brotam de fragmentos de calçadas portuguesas. Na segunda, o artista também retorna esse tipo de calçada típica do período colonial, mas retira uma pedra que é substituída por outra folheada a ouro ou por um pedaço de carne no mesmo formato e tamanho da parte anteriormente extraída. Ambos os elementos inseridos remetem, assim, a um passado que ainda reverbera.

“Ao combinar a imagem poética a narrativas históricas, o artista consegue desvendar discretamente as falhas de uma memória emaranhada e tece uma narrativa polifônica e sugestiva”, sublinha Girardot.  

Lucas Dupin (minibio):

Mestre (2012) e Bacharel (2008) em Artes Visuais pela UFMG, Lucas Dupin já participou de exposições e residências artísticas no Brasil e no exterior. A maior constante em sua produção está na capacidade de diálogo com os contextos em que trabalha, embora se volte com frequência para observação atenta da transitoriedade presente no cotidiano. Sem se ater aos materiais, linguagens e modos de trabalhar específicos, busca dentro do seu universo de investigação realizar trabalhos em que partes são capazes de acessar um todo. Dupin já participou de mais de uma dezena de importantes premiações e residências artísticas como, por exemplo, Pivô (2019), Kaaysá (2019), 6º Bolsa Pampulha (2016), OCA/OEI (2018), FAAP (2017) FUNDAJ (2015), Banff Centre (2011) e, em anos anteriores, destaca-se o Prêmio Arte Contemporânea da FUNARTE (2015) e o 2º Prêmio Energias na Arte (2010) no Instituto Tomie Ohtake, no qual recebeu a primeira colocação. Vive e trabalha em São Paulo e Belo Horizonte. Representado pelas galerias Lume (SP) e Periscópio (MG).

Serviço: Lançamento do livro “A parte pelo todo”, no dia 30, das 11h às 14h, na Livraria da Rua (R. Antônio de Albuquerque, 913, Funcionários).

Foto: Marcus Leoni

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