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Restaurações preservam o acervo do Palácio da Justiça
Profissionais especializados trabalham em detalhes da época da construção do prédio
Restauradora Elizabeth Kiefer trabalha em placa de alvenaria remanescente da construção do Palácio da Justiça na década de 1910 (Acervo Mejud/TJMG)
A Memória do Judiciário Mineiro (Mejud) vem coordenando diversos trabalhos de restauração de peças do acervo do seu Museu localizado no centenário Palácio da Justiça Rodrigues Campos. Os serviços tiveram início em 2020, respeitando todos os procedimentos de segurança impostos pela pandemia de Covid-19, e o cronograma prossegue este ano.
No segundo semestre passado, a restauração eliminou os principais agentes naturais, como chuva, fuligem e excrementos de pássaros, que danificaram a escultura da Deusa da Justiça, instalada no átrio do prédio.
A primeira providência foi a remoção da massa plástica e da ferrugem da espada e das correntes. Foram também eliminadas as trincas no corpo da obra e a recuperação de dois dedos faltantes da mão direita e de parte do dedo do pé.
Mural
Uma das restauradoras mais renomadas do País, a mineira Elizabeth Kiefer, foi a responsável pela restauração da placa de alvenaria que mantém preservadas as faixas decoradas remanescentes da construção do Palácio da Justiça na década de 1910. É um fragmento de mural medindo 60 cm x 110 cm, descoberto após um serviço de prospecção no prédio.
"Esse trabalho é um importante resgate da memória de uma das principais construções históricas da cidade", ressaltou Kiefer. Sua experiência já é reconhecida pelo Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG) desde 1993, quando trabalhou na restauração do mural do pintor Di Cavalcanti, que se encontra instalado no auditório do prédio do Anexo I.
No primeiro momento, a restauradora fez uma limpeza da placa e o tratamento das trincas. Para isso, ela aplicou uma mistura a base de carbonato de cálcio com o polímero mowiol, permitindo o nivelamento da superfície. Na etapa seguinte, ela aplicou pigmentos coloridos, que realçaram os tons originais.
Kiefer fez ainda, em dezembro do ano passado, a recuperação da estrutura de sustentação de um dos pés da escultura Crepúsculo, que integra o conjunto de objetos da Sala do Barão do Rio Branco. Após a remoção de durepoxi e cola aderidos, o serviço foi finalizado com a apresentação cromática da peça e a aplicação do verniz final.
Ainda na Sala do Barão, a restauradora retificou alguns trechos danificados da moldura do quadro que mostra a figura do ilustre diplomata brasileiro que empresta o nome ao espaço.
Vitral com a figura da Deusa da Justiça, datado de 1911, também passou por restauração (Crédito : Divulgação/TJMG)
Vitral
O vitral com a figura da Deusa da Justiça, localizado no alto da escadaria do hall, é um dos elementos mais admirados do Palácio da Justiça. Datado de 1911 e desenhado por L. Piscini, ele foi confeccionado pela centenária Casa Conrado. O painel também passou por uma minuciosa restauração.
O ateliê Vari Vetri foi selecionado para a realização do trabalho. Vinte anos atrás essa mesma empresa já havia sido contratada para restaurar a obra. Para a vitralista Neuza Alvim e sua irmã e sócia na empresa Valéria Alvim, após duas décadas, o vitral ainda estava bem conservado. "Ele está em bom estado porque está protegido, fora da chuva e do sol intenso", explicou.
A oxidação das placas foi limpada com o uso de uma solução de ácido etilenodiamino tetra-acético (EDTA) que não agride a pintura. Os vidros quebrados foram substituídos e realizada a fixação das trincas. "A maior dificuldade é quando existe uma parte faltante e é preciso encontrar o vidro na mesma tonalidade e mesma textura do original. Nesse vitral, conseguimos obter o vidro no mesmo tom da peça quebrada", disse Neuza Alvim.
As duas vitralistas iniciaram a carreira há 25 anos com um curso especializado na cidade de Bolonha, na Itália. Ao longo desse tempo, elas se tornaram referência nacional na arte de restauração de vitrais. Atualmente, as irmãs mantêm parceria com o Grupo Oficina de Restauro. "Quando começamos, descobrimos que não havia em Belo Horizonte ninguém que trabalhava com esse tipo de serviço", explicou Neuza Alvim.
Livros históricos
A próxima etapa de restaurações será dedicada aos livros históricos que integram o acervo documental do Museu da Mejud. Segundo a assessora técnica do setor Andréa Costa Val, as obras apresentam diversas avariações. "Encadernação soltando, páginas perfuradas com perda de suporte, capas desgastadas, manchas e sujidades, rasgos e rompimento de costuras", exemplificou. O contrato tem vigência de 12 meses, após a sua assinatura, e inclui a restauração de livros de Atas do Tribunal da Relação de Minas Gerais e do Tribunal Pleno, a Bíblia Sacra em Latim e edições consolidadas das Leis Civis.
Costa Val ainda reforçou o compromisso constante da Mejud com a proteção e preservação de todos os bens móveis e também os integrados, presentes em vários espaços do Palácio da Justiça Rodrigues Campos. "O cuidado e os esforços para a manutenção das características originais do prédio são rotineiros e todos os trabalhos ali desenvolvidos permanecem sob olhar atento de todos os funcionários e colaboradores que ali trabalham", destacou.
Superintendente
O superintendente adjunto da Mejud, desembargador Marcos Henrique Caldeira Brant, ressaltou que os trabalhos de restauração e conservação do rico acervo do Museu são acompanhados de perto, com toda a atenção e cuidado.
Pontou, ainda, que os profissionais escolhidos para os serviços foram selecionados entre os melhores do país, com reconhecimento nacional e internacional. "Tudo com fins de preservar e dar o melhor tratamento possível à História do Poder Judiciário", disse.
O Museu da Mejud funciona no Palácio da Justiça Rodrigues Campos, na avenida Afonso Pena, 1.420, Centro de Belo Horizonte. Devido aos procedimentos de segurança impostos pela pandemia de Covid-19, as visitações presenciais estão suspensas e deverão ser retomadas futuramente. Outras informações podem ser obtidas pelo endereço mejud@tjmg.jus.br.
Foto: Acervo Mejud/TJMG
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