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Coladera inicia temporada dos shows no Brasil de seu novo disco, La Dôtu Lado

João Pires e Vitor Santana recebem convidados especiais no palco em Belo Horizonte. São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador estão na rota das próximas apresentações a partir de julho

Entre fevereiro e março de 2018, o Coladera lançou La Dôtu Lado, seu segundo álbum, na Europa. Foi uma turnê calorosa, como define João Pires. “Tocamos pela primeira vez em países como a Dinamarca, a Alemanha e repetimos Portugal e Holanda, onde cada vez mais temos mais ouvintes e público”. O projeto retorna ao Velho Mundo em outubro, mas antes ancora por terras brasileiras, numa temporada de shows que começa dia 5 de maio, sábado, às 21 horas no Sesc Palladium, na capital mineira.

Com uma ambientação especialmente pensada para o teatro, o espetáculo terá projeções que irão estimular o público a entrar na cadência rítmica e poética do duo. O Coladera estará acompanhado de presenças especias: Miroca Paris, percussionista e cantor cabo-verdiano, que acompanhou João e Vitor Santana nos últimos concertos; Aline Frazão, cantora angolana e Mário Lúcio, cantor e compositor cabo-verdiano, além de figura icônica em seu país. Ele foi fundador do grupo Simentera e também ex-ministro da Cultura de Cabo Verde.

O repetório passará por La Dôtu Lado e pinçará algumas faixas do disco de estreia. “Em quatro anos de estrada, percebemos que há músicas que são importantes para a nossa relação com o púbico e até para nós músicos entrarmos no clima”, explica João. Na toada dançante, que celebra a diversidade cultural da língua portuguesa, São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador são as próximas cidades da turnê pelo Brasil.

Sobre o disco

La Dôtu Lado é segundo disco do Coladera (selo Scubidu) e faz, ao longo de suas 11 faixas, um passeio por vários ritmos como samba, xote, fado, lundo, funaná, entre outros. Em tom festivo confirma a proposta plural e singular de cada artista envolvido no projeto encabeçado pelo brasileiro Vitor Santana e pelo português João Pires, músicos e compositores que trabalham juntos há uma década. O cabo-verdiano Miroca Paris passa a somar na percussão e nos vocais, esbanjando DNA musical e bagagem da mais alta qualidade: além de sobrinho do Tito Paris, uma verdadeira lenda em seu país, ele tocou por doze anos com Cesária Évora, eternizada como a rainha da morna. Marcos Suzano segue como colaborador afetivo e também efetivo no álbum.

Todas as canções são cantadas em português, com exceções da faixa-título, La Dôtu Lado, e de Primer Letra, ambas em língua crioula. A base afiada de violões salpicada por batuques vibrantes é combinada com sofisticação poética presente nas letras. Colaborativo e diverso, o trabalho explora diálogos que continentes são incapazes de separar. Os parceiros nas letras são: o escritor angolano José Eduardo Agualusa, autor de obras premiadas como A Conjura e Teoria Geral do Esquecimento, em A Luz de Yayá; o poeta português Márcio Silva em Céu Azulino; Ana Sofia Paiva, a contadora de histórias portuguesa, em Deserto do Sal; a compositora brasileira Brisa Marques em Mandiga e Algum Lugar em Nós; o cabo-verdiano Bilan assina Primer Letra e Dino D’ Santiago, também de Cabo Verde, na faixa que dá nome ao disco.

O álbum conta com a presença das cantoras mineiras Nath Rodrigues e Raquel Coutinho. A angolana Aline Frazão empresta sua doçura no dueto de Mandinga. O time de músicos traz uma seleção de primeira: Marcos Suzano (percussão), Elmano Coelho (sax tenor), Diogo Duque (flugelhorn e trompete), Daniel Guedes (percussão), Francisco Valente (baixo) e André Xina, na programacão.

Língua e sotaques, pés no mar e olhar nas montanhas, o gingado e a introspecção, a origem e suas ressignificações permeiam La Dôtu Lado dando ao ouvinte a constante sensação de pertencimento. O brasileiro que não conhece Angola, o moçambicano que nunca pisou em Portugal, o cabo-veridiano que jamais explorou Timor Leste, assim por diante. Nada nos separa e tudo nos é familiar nessa cadência.

Sobre Coladera

O nome do projeto faz referência ao ritmo popular cabo-verdiano coladeira, nascido da morna, por sua vez originada de ritmos como o fado português e o lundum angolano, e influenciada pelo samba, pela rumba e pela cumbia. É símbolo deste fluxo vivo que constitui o encontro de diferentes matrizes da música popular iberoamericana, a um só tempo tradicional e mestiça, negra e branca, raiz e invenção.

Os mundos do Brasil, Portugal e Cabo Verde se fundem num diálogo baseado somente em violões, percussões e vozes, trazendo um ambiente sonoro rico em mesclas e mestiçagem. Ouvem-se ecos de África, do candomblé, do fado e do flamenco, do samba, da rumba e do mambo, um português com sotaques diferentes, a eletrônica nascida do acústico. Tudo isso da maneira mais crua, direta e autoral.


Foto:Eduardo Escariz

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