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Fundação Clóvis Salgado promove 1ª edição do Congresso de Dança de Salão Contemporânea
Evento inédito visa debater questões de gênero e diversidade sexual no universo da dança
A Fundação Clóvis Salgado, por meio do Centro de Formação Artística e Tecnológica - Cefart promove o 1° Congresso de Dança de Salão Contemporânea: Gênero e Diversidade na Dança de Salão, que contará com palestras, debates, mesas redondas, oficinas de dança, espetáculos, uma mostra de dança aberta e bailes de confraternização entre os participantes. Trata-se do primeiro evento de grande porte dedicado à modalidade no Brasil, com uma proposta de visão investigativa da arte e do aprimoramento técnico, tanto em pesquisa quanto na prática de processos criativos. As inscrições serão realizadas em formulário disponível no site da FCS. Ao todo, o congresso dispõe de 80 vagas.
O tema da edição busca fortalecer as práticas e o pensamento crítico no contexto da dança de salão contemporânea, com participação de grupos e palestrantes LGBTQ e feministas. Com curadoria e criação deSamuel Samways, bailarino e pesquisador do Programa de Residência para Pesquisas Artísticas do Cefart, o Congresso faz parte da área de pesquisa em Condução Compartilhada de Dança de Salão e foi desenvolvido para fomentar a pesquisa, valorizar pedagogias e movimentos artísticos que criam espaços de visibilidade para corpos heterogêneos, para a emancipação das mulheres e os diversos gêneros e sexualidades, promovendo uma experiência imersiva de residência.
Segundo Fabrício Martins, coordenador do Programa de Residência Artística do Cefart, a condução compartilhada, que coloca homens e mulheres na mesma condição, ressignifica os papeis de gênero na dança de salão tradicional. “O que a pesquisa do Samuel levanta é que a condução exclusivamente masculina acaba construindo uma relação de poder no campo da dança. Muitas vezes percebemos que há mais professores homens do que mulheres e que existe uma disparidade salarial numa modalidade artística de maioria feminina. Isso está diretamente atrelado à uma opressão de gênero”, comenta.
A abordagem contemporânea da dança de salão repensa a prática como atividade social e artística, com potencial para dialogar com outras linguagens, como a improvisação cênica, evidenciando os papeis de gênero patriarcais presentes na modalidade. “Na dança de salão contemporânea a proposta do estímulo de movimento pode vir de qualquer pessoa. Quem capta alguma nuance da música ou do movimento e percebe que dali pode surgir um movimento novo pode induzir esse movimento no seu par, independentemente se é homem ou mulher. Assim, a dança se dá de forma compartilhada, como numa conversa”, complementa Fabrício Martins.
Para o coordenador, o evento desenvolve questões urgentes no cotidiano da dança e oferece novas perspectivas para a modalidade, e, por isso, há muita expectativa para que o Congresso seja um sucesso. “Percebemos que a opressão de gênero é um assunto muito discutido principalmente nas redes sociais, mas a tradição na dança é muito forte e faz com que não exista espaço para discutir nesse contexto, por isso há interessados de diversas partes do Brasil em participar e contribuir”, comenta. “O Congresso proporciona esse espaço e abre as possibilidades para a Dança de Salão. A mulher pode conduzir ou ser conduzida se quiser, e o homem pode ser conduzido ou conduzir se quiser”, explica Fabrício.
Destaques da programação – As oficinas ministradas durante o Congresso abordam temas contemporâneos, como a contestação de estereótipos heteronormativos, conexão e reciprocidade, formas mais igualitárias de condução, visibilidade LGBTQ e pesquisas artísticas na dança de salão. Os convidados do Congresso possuem forte envolvimento com o tema, e destacam-se, na programação do Teatro João Ceschiatti, nomes como Laura James, mulher trans e proprietária da Ata-me, a primeira academia de dança de salão queer do Brasil. A bailarina ministrará oficinas, palestras, mesas de debate e uma edição especial do Forró Queer, além da palestra Educar para e pela diversidade na dança de salão.
O grupo BeHoppers, que promoverá um debate a respeito do Lindy Hop como um percurso para uma dança sem estereótipos de gênero se destaca em Belo Horizonte na luta contra o machismo na dança de salão. Já a mesa redonda Novos rumos para a dança de salão contará com a participação de Samuel Samways, Debora Pazetto, Laura James, Carolina Polezi, Fernanda Conde e Marina Coura. Outros destaques da programação são a experimentação do processo criativo do espetáculo Salão, do coletivo baiano Casa 4. A montagem é baseada na identidade homossexual no meio da dança de salão, abordando os preconceitos velados e as microviolências diárias vividas pelos bailarinos. Será realizada, também uma oficina de condução compartilhada pela dançarina Carolina Polezi, de Campinas, além de mostras de Tango e Dança de Salão Queer.
Outro destaque do evento é a palestra Condução Mútua – rompendo com estruturas hierárquicas e papéis definidos por gênero, ministrada por Samuel Samways e Débora Pazetto, bailarina, pesquisadora e coordenadora do GENTTE - Grupo de Pesquisa em Gênero, Trabalho e Tecnologia.
Foto:Cassio Conde
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