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Ciclo de Conferências Mutações abre inscrições e discute a outra margem da política

Idealizado por Adauto Novaes, evento será realizado no BDMG Cultural, de 3 de maio a 14 de junho

O Ciclo de Conferências Mutações está com inscrições abertas, a partir desta segunda-feira, 16 de abril, para sua nova edição. Idealizado pelo filósofo e jornalista Adauto Novaes, o Ciclo 2018 apresenta o tema Mutações – A outra margem da política, de 3 de maio a 14 de junho, no BDMG Cultural, sempre às 19h. As inscrições para o Ciclo completo são de R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia) podem ser podem ser feitas pelo site: www.appa.art.br ou pessoalmente na sede da APPA – Associação Pró-Cultura Promoção das Artes, localizada à rua Boa Esperança, 405 – Sion.

Entre os conferencistas convidados para a edição em Belo Horizonte estão Marilena Chauí, Newton Bignotto, Oswaldo Giacóia, Franklin Leopoldo, Pedro Duarte, Renato Janine Ribeiro, Marcelo Jasmin, Renato Lessa, Vladimir Safatle, Maria Rita Kelh, Helton Adverse, Jorge Coli, José Miguel Wisnik, Eugênio Bucci e Olgária Matos. Além de Belo Horizonte, as conferências serão realizadas em São Paulo, Rio de Janeiro e em Brasília.

A conferência de abertura “Da política como gestão ao político como lógica de poder” será no dia 3 de maio, às 19h, no Auditório do BDMG Cultural (rua Bernardo Guimarães, 1600 – Centro), tendo como conferencista a filósofa e professora Marilena Chauí.

Mutações - A outra margem da política - é uma realização da Artepensamento, com patrocínio do BDMG Cultural, copatrocínio da Caixa Econômica Federal e conta com o apoio da APPA - Associação Pró-Cultura Promoção das Artes, em Belo Horizonte; da Embaixada da França e do Instituto Francês do Brasil, em Brasília; da Casa do Saber, em São Paulo; e do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ e da Fundação Casa Rui Barbosa, no Rio de Janeiro.

Para o presidente do BDMG Cultural, jornalista Rogério Faria Tavares, “os ciclos de conferências de Adauto Novaes, ao longo de três décadas, reúnem o que há melhor na intelectualidade brasileira e estrangeira, promovendo uma reflexão sempre profunda e sofisticada sobre os grandes temas da contemporaneidade”. O projeto Mutações surgiu há dez anos, com o intuito de debater não a ideia de crise, mas, sim, a ideia de uma intensa revolução que estamos vivendo em todas as áreas.

Adauto Novaes sobre A outra margem da política

“Como pensar no intervalo entre passado e futuro posto em evidência com o desaparecimento da tradição? O que são Autoridade e Liberdade a partir do momento em que nenhuma resposta oferecida pela tradição vale mais? Como pensar o acontecimento: a crise da cultura, a crise da educação, o advento da mentira na política, a conquista do espaço? Pensar supõe ter a coragem de afrontar o mundo, a pluralidade de nossos semelhantes, instaurar novos começos. Renunciar a pensar é renunciar a ser homem.” (Hannah Arendt).

Poucos negariam o diagnóstico: há uma evidente decomposição do sistema de representação política e do corpo político como um todo, o que deixa exposta a diferença abissal entre “governo democrático” e vida democrática, isto é, o povo criando de forma permanente e vivendo em democracia; vivemos um momento de incerteza e desordem, sérios conflitos criados pela ocupação das instituições do Estado por entidades religiosas; falta de alternativas claras; redes digitais que surgem como os novos mediadores entre a sociedade e o Estado; crise dos partidos políticos; crise dos universais; singularização e fragmentação das lutas fora da visão da história e do futuro; a definição da “democracia” como consumo democrático, “supermercados dos estilos de vida”; mentiras sobre legitimidade política; pequenos e grandes golpes sem disfarce; e mais: democracias contemporâneas que se servem da técnica para estabelecer limites para o poder político do povo. Em síntese, um absoluto apolitismo.

Além dos velhos problemas que nascem ao mesmo tempo com as noções e as formas originárias da própria democracia – problemas com as ideias de representação política, o teológico-político, o chamado poder popular, as formas jurídico-políticas, a própria ideia de república etc. – é importante pôr em discussão também as novas questões trazidas à política pelas invenções técnicas e científicas.

A outra margem da política é isso: ir aos fundamentos da política para romper “as construções e ideias petrificadas, e retomar as coisas nas suas fontes”, de onde pode – e deve – surgir o novo: “começar pelo começo – aconselha Valéry – o que quer dizer recomeçar, refazer todo um caminho como se tantos outros não o tivessem traçado e percorrido...” É evidente que houve, ao longo da história, desvios das noções originárias da política, o esquecimento dos ideais preconcebidos; eis porque o futuro sonhado jamais é verdadeiro hoje. Foi o que escreveu Wittgenstein a propósito da decadência: “Se pensamos no futuro do mundo, visamos sempre o ponto no qual ele estará se ele continuar a seguir o curso que fez hoje; não pensamos que ele não segue uma linha reta, mas uma curva e que sua direção muda constantemente”. De desvio a desvio, chegamos à ilusão da democracia.”

Foto: Bendita Comunicação

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