Notícias
Canção Amiga: Conservatório UFMG recebe exposição que conta trajetória do Clube da Esquina
Mostra será aberta com um concerto na noite de 16 de abril e tem como ponto de partida a amizade entre os jovens músicos que mudaram o cenário musical nas décadas de 1960 e 1970.
Os professores de música popular da Escola de Música da Universidade Federal de Minas
Gerais (UFMG) se reúnem em um show de homenagem ao “Clube da Esquina”. O show de
abertura da exposição “Canção Amiga – Clube da Esquina”, instalada no Conservatório
UFMG, contará com a participação dos músicos professores André ‘Limão’ Queiroz (bateria
e percussão), Cléber Alves (saxofone), Mauro Rodrigues (flauta), Michel Maciel (violão),
Pablo Souza (contrabaixo), Wilson Lopes (guitarra e violão) e Vinicius Augustus
(sopros). Como convidado especial, participará o músico, compositor, arranjador e pianista
Túlio Mourão. No repertório estarão canções representativas do Clube da Esquina,
especialmente as produzidas no período compreendido entre os dois discos “Clube da
Esquina”, de 72 e 78 respectivamente.
No dia 16 de abril, segunda-feira às 19h30, o Conservatório UFMG retoma essa
história, que marcou o país, com a abertura oficial da exposição Canção Amiga – Clube da
Esquina. Em 2017, a mesma exposição ocorreu no Espaço do Conhecimento UFMG. A mostra
convida os visitantes a um contexto de importantes transformações políticas, culturais e
sociais, no qual uma nova musicalidade foi criada a partir da fusão de tendências, a princípio,
irreconciliáveis: bossa nova, samba, jazz, rock, os sons da América Hispânica e as tradições do
interior mineiro com fortes traços da cultura negra.
Canção Amiga é resultado das pesquisas do Centro de Referência da Música de Minas
UFMG, um trabalho de pesquisa interdisciplinar que investiga as sonoridades produzidas e em
circulação no estado. A exposição ocupa o segundo andar do Conservatório, e é a primeira a
desenvolver uma trilha sonora específica. Professores e alunos da Escola de Música da UFMG,
coordenados pelo professor Mauro Rodrigues, desenvolveram arranjos que serão ouvidos ao
longo da exposição. As gravações contaram com a participação de Toninho Horta, Tavinho
Moura, Túlio Mourão e Titane.
Amizade: o fio condutor do Clube da Esquina
Nas décadas de 1960 e 1970, a amizade se mostrou capaz de produzir muito mais que um
forte vínculo afetivo. Belo Horizonte foi o cenário onde jovens amigos surpreenderam o Brasil
com novos rumos para a canção popular. Reunido em torno de Milton Nascimento, o grupo
ficou conhecido como Clube da Esquina, levando ao topo da cena artística brasileira músicos
como Márcio Borges, Fernando Brant, Wagner Tiso, Ronaldo Bastos, Lô Borges, Beto Guedes,
Toninho Horta e Tavinho Moura.
A UFMG abriga o acervo do Museu Clube da Esquina há dois anos. Em breve, será possível
consultar todo o material online. O trabalho, assim como a exposição, é fruto de uma ação
colaborativa. A partir das análises de letras e músicas, assim como do contexto histórico no
qual estavam inseridos os artistas, foram levantados e discutidos os temas mais recorrentes
tratados pelos artistas: amizade, viagens, cidades, natureza, infância, transcendência,
contexto político e utopias.
Os jovens músicos conviviam com um país governado pelo medo e a restrição da liberdade. A
riqueza cultural e artística contrastava com a censura e a repressão política. As canções do
Clube da Esquina apresentam novas ideias, princípios e valores que envolviam a esperança de
experimentar algo novo e adverso àquela realidade.
O que é o Clube da Esquina?
Não há um consenso entre pesquisadores sobre o que é, exatamente, o Clube da Esquina.
Para uns, são os dois LPs, produzidos em 1972 e 1978 e conduzidos por Milton Nascimento,
com a participação de diversos músicos e compositores mineiros. Para outros, trata-se de um
movimento mais sistemático, que tem início em Minas Gerais, mas se espalha pelo Brasil e
pelo mundo. As principais características do Clube são os temas das letras das músicas, como
amizade, utopia de um mundo melhor, natureza e os espaços rural e urbano, além da
singularidade das melodias, das harmonias e dos arranjos. A multiplicidade sonora e a
diversidade cultural marcam grande parte do desenvolvimento artístico e a originalidade da
trajetória do Clube da Esquina.
Foto:Larissa Brenda
Selecionamos os melhores fornecedores de BH e região metropolitana para você realizar o seu evento.
