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BH recebe “A Desumanização”, inspirado no livro homônimo do escritor português Valter Hugo Mãe
A montagem aborda questões profundas, como a passagem da infância para a juventude e o contato íntimo com a experiência da perda e da dor através da história de uma gêmea que perdeu sua irmã na infância
O Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH) apresenta o espetáculo “A Desumanização”, inspirado no livro homônimo do escritor português Valter Hugo Mãe, com direção de José Roberto Jardim e com Fernanda Nobre e Maria Helena Chira no elenco. A adaptação inédita no Brasil, deste que é o quarto romance do autor, traz à cena a história de uma gêmea que perdeu sua irmã na infância. Tendo que amadurecer sem a sua metade e melhor amiga, numa cidade conservadora do interior da gelada Islândia, ela se depara com situações e intolerâncias que a fazem rever de maneira drástica sua relação com a família, amigos e moradores daquela sociedade opressiva.
Idealizado pela atriz Maria Helena Chira, que conseguiu o aval do autor para adaptação do livro para os palcos, a montagem cumpre temporada no CCBB BH de 21 de abril a 15 de maio, sempre de sexta a segunda, às 19h, no Teatro II. Os ingressos, a R$30 (inteira) e R$15 (meia), estarão à venda em bb.com.br/cultura e na bilheteria do CCBB BH. Clientes Banco do Brasil com cartão Ourocard pagam meia-entrada.
A peça aborda questões profundas, como a passagem da infância para a juventude e o contato íntimo com a experiência da perda e da dor através da história das irmãs islandesas Halla e Sigridur. Halla perdeu sua irmã gêmea muito cedo, e vive com o peso de carregar em si a existência das duas. Ao mesmo tempo em que se sente oprimida por “ser duas”, acredita que esta é a única forma de manter sua metade viva e próxima.
TRECHO DA PEÇA
...“Éramos gêmeas. Crianças espelho. Tudo ao meu redor se dividiu pela metade com a morte da minha irmã. De nós duas, ela era a sonhadora. Dizia que quando crescesse, queria ser longe. Eu dizia que ninguém é longe. As pessoas são sempre perto de alguém ou perto delas mesmas. São sim, ela dizia. Algumas pessoas são longe. Quando crescer eu quero ser longe.”
O ESPETÁCULO
O palco está dividido em duas metades com cenários espelhados, e cada atriz ocupa uma das metades. Num jogo de projeções em tempo real, em que contracenam com a própria imagem e também uma com a outra através das figuras projetadas, as duas atrizes contam a história das irmãs Halla e Sigridur.
A montagem de “A Desumanização” busca uma linha narrativa que preserva as imagens idealizadas pelo autor, criando uma leitura paralela. Duas atrizes em cena falam do passado e, ao mesmo tempo, revivem as diferentes passagens das fases de menina para mulher, as descobertas dolorosas e a necessidade de se sentirem inteiras.
No romance, o “longe” é representado pela Islândia, lugar mítico e sombrio. Cenicamente, esse “longe” existe dentro das personagens e nas palavras de Valter Hugo Mãe. O lirismo e a poesia estão presentes e há uma lente de aumento na questão da falta de identidade, da falta da outra metade, da duplicação.
A personagem Halla assiste sua irmã, Sigridur, morrer. Ou melhor: a vê ser plantada “para nascer árvore”, como assim contaram para ela. A obra é recheada de analogias e sentimentos profundos e de afeto. Alguns perturbadores, outros de encantamento. “...Era fundamental que fôssemos cada vez mais gêmeas.”
Para José Roberto Jardim, dirigir “A Desumanização” é uma oportunidade de criar, sobre um palco, a jornada proposta por Valter Hugo Mãe, na qual o mundo e suas contradições encontram símbolos e lirismos tão arquetípicos quanto o desejo da personagem Halla em sobreviver ao que ela considera absurdo e, paradoxalmente, belo. “É um grito por sua paridade, autonomia, liberdade e pela busca de entendimentos nesse mundo tão árido e individualista”, analisa Jardim.
PALAVRA DE ATRIZ
“Poder realizar ‘A Desumanização’ é como um sopro de esperança. Conseguir voltar aos palcos, recuperando a força do teatro e da cultura no nosso país, é um privilégio, ainda mais levando as palavras do Valter Hugo Mãe. Espero que esse encontro com o público tenha a força do recomeço, esse que todos estamos precisando!” - Maria Helena Chira.
“Este texto nunca teve tanta relevância como neste momento que estamos vivendo. O espetáculo conta a história de uma menina que perdeu sua irmã gêmea na infância. Então ela tem que aprender a amadurecer e continuar sem a sua metade, sua irmã e melhor amiga, numa cidade do interior da Islândia. Nesse rito doloroso de passagem que ela tem que passar, ela se depara com situações e intolerâncias que a fazem rever sua relação com a família e moradores naquela cidade opressiva.” - Fernanda Nobre.
PALAVRA DO AUTOR
“Não esperaria que um texto meu pudesse regressar como pertença absoluta de outras pessoas, e foi o que aconteceu. De todos os criados, eu já era o mais distante. Senti que meu livro encontrou modo de renascer. Um livro que virou gente de verdade e outra arte.” - Valter Hugo Mãe.
ORIGEM E TRAJETÓRIA DA PEÇA
O projeto de montagem de “A Desumanização” foi idealizado pela atriz Maria Helena Chira, que conseguiu o aval do autor para adaptação para os palcos do livro lançado em 2013 pela editora portuguesa Porto Editora e editado no Brasil pela extinta editora Cosac Naify, em 2014, tendo vendido mais de 35 mil exemplares até 2018.
A temporada de estreia da peça em São Paulo, em 2019, contou com a presença de Valter Hugo Mãe, que celebrou a bela tradução para o palco de uma narrativa profundamente feminina.
FICHA TÉCNICA
Patrocínio: Banco do Brasil / Realização: Centro Cultural Banco do Brasil
De Valter Hugo Mãe / Direção: José Roberto Jardim / Adaptação: Fernando Paz
Elenco: Fernanda Nobre e Maria Helena Chira / Música Original: Marcelo Pellegrini / Desenho de Luz: Wagner Freire / Coordenação de Produção: Mônica Guimarães/ Cenografia: Belisa Pelizaro / Figurinos: João Pimenta/ Videografismo e videomapping: André Grynwask e Pri Argoud (Um Cafofo)/ Visagismo: Leopoldo Pacheco / Assistência de Direção: Louise Belmonte / Produção Executiva: Lívia Pinheiro / Administração: Julia Sousa/ Assistência de Cenografia: Mariana Godone/ Fotos: Victor Iemini/ Idealização do Projeto: Maria Helena Chira/ Realização: MoG Produtora / Assessoria de Imprensa BH: Luz Comunicação - Jozane Faleiro
BIOGRAFIAS
José Roberto Jardim – Direção
Diretor, dramaturgo, iluminador e ator, vem, ao longo dos últimos anos, acumulando prêmios e recebendo reconhecimento internacional, sendo convidado para se apresentar em diversos festivais como ator e diretor. Com “Adeus Palhaços Mortos”, recebeu importantes premiações e participou de festivais internacionais. Com “A Cor que Caiu do Espaço” e “O Poço e o Pêndulo”, concorreu a premiações de direção em 2018 (tendo conquistado algumas, como o APTR). Em 2019, foi convidado a estrear o espetáculo “Há Dias que Não Morro” no International Antalya Theatre Festival, na Turquia.
Fernanda Nobre – Atriz
Indicada a Melhor Atriz pelo prêmio Shell RJ 2016 por sua atuação no espetáculo “O Corpo da Mulher como Campo de Batalha”, de Matei Visniec, começou sua carreira artística aos 8 anos de idade, tendo hoje no currículo 14 novelas, 8 séries e 3 filmes. No teatro, participou de dez espetáculos. Entre estes, foi dirigida por Aderbal Freire Filho, João Fonseca e Fernando Philbert. Recentemente, esteve em cartaz com “Soror”, com direção de Caco Ciocler.
Maria Helena Chira – Atriz
Formada pela ECA, é idealizadora da adaptação do livro para os palcos. Em teatro, trabalhou com diretores como Leonardo Moreira e José Possi Neto, além da extinta Cia. de Teatro em Quadrinhos. Estreou na TV com a série “Som & Fúria”, dirigida por Fernando Meirelles, na Rede Globo. Fez algumas novelas na emissora e séries em canais fechados, tendo recebido o Prêmio Telas de Melhor Atriz por “Zé do Caixão”, série que coprotagonizou com Matheus Nachtergaele.
SERVIÇO: “A Desumanização”, com Fernanda Nobre e Maria Helena Chira
Classificação indicativa | 14 anos
Duração | 50 minutos
Temporada | de 21 de abril a 15 de maio de 2023
Horário | de sexta a segunda, às 19h
Local | Teatro II do Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte - CCBB BH
Endereço | Praça da Liberdade, 450 - Funcionários – Belo Horizonte/MG
Ingressos | R$ 30 (inteira) - R$ 15 (meia-entrada) * à venda em bb.com.br/cultura e na bilheteria do CCBB BH.
Horário de Funcionamento do CCBB BH: de quarta a segunda, das 10h às 22h.
* Clientes BB têm direito à meia-entrada na compra com Cartão Ourocard
Mais informações: 31 3431 9400 – www.bb.com.br/cultura
E-mail: ccbbbh@bb.com.br
Facebook: /ccbbbh | Twitter: @CCBB_BH | Instagram: @ccbbbh
Foto: victoriemini
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