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Após estreia em BH, espetáculo "Glauco" chega a Sete Lagoas no sábado, dia 13 de abril
Com direção de Allan Calisto, primeira montagem da Pigmentar Companhia leva ao teatro discussões sobre desejo, violência, homofobia e racismo, entre pessoas LGBTQIA+ e com deficiência visual.
O Centro Cultural Nacional Teatro Preqaria recebe no próximo dia 13 de abril, sábado, a temporada de estreia do espetáculo “Glauco”, primeira criação da Pigmentar Companhia de Teatro. Após apresentações em Belo Horizonte, no Galpão Cine Horto e na Funarte MG, a montagem leva a Sete Lagoas parte da obra do poeta marginal Glauco Mattoso, trazendo à tona o grito da invisibilidade de pessoas com deficiência visual e LGBTQIA+.
Em cena, Dudu Melo e Vinicius Guedes dão corpo e voz a 14 sonetos do escritor paulistano, construindo uma dramaturgia sensível, que busca ampliar as possibilidades de ser das pessoas cegas, revelando suas experiências com o desejo, o sexo, o afeto, a violência e a solidão. Deixando de lado o vitimismo geralmente atribuído às pessoas com deficiência visual, a peça mostra a autonomia do corpo cego, que também possui prazeres, sentimentos, sonhos, contradições, e diferentes gêneros e orientações sexuais.
Durante o processo de criação, que teve início em junho de 2018, nas salas de ensaio do Galpão Cine Horto, foram selecionados poemas de Glauco Mattoso que abordam temas como cegueira, invisibilidade social, sexualidade, gênero, fetiche, entre outros. Os escritos se alinham às experiências vividas pelo artista deficiente visual Dudu Melo e pelo também ator Vinicius Guedes, juntamente a uma pesquisa coreográfica proposta pelo bailarino Samuel Samways, que assina a coreografia e preparação corporal do trabalho, trazendo elementos do contato-improvisação e da dança contemporânea queer à cena.
No palco, o público tem contato com dois corpos masculinos. Um corpo cego e um corpo negro. Dois corpos gays. É dessa relação que se instaura uma experiência compartilhada com a plateia. Num diálogo com o estudo de linguagens de um contexto urbano, de um teatro marginal, levantado pelo diretor Allan Calisto como pesquisa a para cena.
Um espetáculo que a partir da sinestesia, do toque, do tato, do cheiro, da música, e dos diversos sentidos, se anuncia como um ritual e também como um manifesto político-poético. A trilha sonora é assinada pelo grupo mineiro Confeitaria, sendo mais um elemento dramatúrgico respirando com os corpos em cena, e a iluminação é do diretor Allan Calisto, que acrescenta uma nova camada plástica e visual à encenação.
“Glauco” se apresenta no sábado, dia 13 de abril, às 20h, no Centro Cultural Nacional Teatro Preqaria. Os ingressos custam R$20 reais (inteira) e R$10 (meia). Além da temporada de estreia, a montagem teve pré-estreia na cidade de São Paulo, com apresentação única em dezembro de 2018, que contou com a presença do próprio escritor Glauco Mattoso, um dos interlocutores do processo de criação.
Foto: Allan Calisto Fotografia
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