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Balada Sertaneja com Matheus e Santiago e Leandro Bacon

Joaquim Maria Machado de Assis, simplesmente Machado de Assis, o maior, senão o mais importante autor brasileiro. Morto há mais de cem anos, ainda é foco de estudo em várias áreas do conhecimento. A segunda sessão do projeto “Letra em Cena. Como ler...” apresenta as letras deste carioca mestiço e nascido no morro por meio da análise de Silviano Santiago e leitura dos textos feitas por Rodolfo Vaz. O evento será no dia 11 de abril, terça-feira, às 19h, no Café do Centro Cultural Minas Tênis Clube. A entrada é franca e as inscrições podem ser feitas no site da Sympla.

 

Machado de Assis é um clássico lido até por Woody Allen, o cineasta judeu/americano, que destacou a atemporalidade da escrita de Assis. Silviano Santigo afirma que essa característica deve-se aos significados. “Machado de Assis conseguiu escrever uma literatura que é linguagem carregada de significado. Seu livro é como uma tomada de energia elétrica. Você conecta o aparelho dos olhos e da imaginação nela e tudo se ilumina na sua vida”, diz. A condição de Assis também representa riqueza em sua obra, o fato de ter sido mestiço, pobre e ter sofrido de uma doença incurável (nunca se comprovou a epilepsia do escritor), estava em seus escritos. “Toda experiência de vida influencia a obra dum escritor. Indiretamente, a não ser que o autor esteja evitando a invenção de trama original para seu romance a fim de se adentrar pela história da própria vida vivida. Não é o caso de Machado de Assis. A infância pobre, a condição de mulato e também o martírio da doença incurável são elementos concretos que se detectam numa biografia do grande escritor”, afirma Santiago.

 

Segundo Santiago, a escrita de Machado de Assis foi inovadora, em seu tempo, original e por isso, polêmica. “É impossível ter obra original que não seja polêmica. Machado não escapa à regra. Não caminha seguindo a direção ditada pelo nacionalismo um tanto estreito de José de Alencar nem adota o estilo realista-naturalista, então em moda no mundo lusófono pela influência de Eça de Queirós. Opta por trilhar vereda própria, que tem a ver – segundo a maioria dos críticos – com os grandes autores ingleses irônicos do século anterior, o XVIII, de que é exemplo maior Laurence Sterne”, explica.

Mas não há como falar de Machado de Assis sem mencionar um de seus mais impactantes e comentados personagens, Capitu, mulher com “olhos de cigana oblíqua e dissimulada”. O grande mistério da literatura brasileira, segundo Santiago, não pode ser solucionado. “Não se pode falar com conhecimento de causa do tema da traição em Dom Casmurro. Narrados na terceira pessoa do singular, dum ponto de vista onisciente, o tema é o forte de romances como Madame Bovary, de Gustave Flaubert, e de O primo Basílio, de Eça de Queirós, anteriores ao de Machado. Machado de Assis aborda o triângulo amoroso, mas da perspectiva da primeira pessoa do singular, ou seja, dum ponto de vista altamente subjetivo. O do marido e apenas dele. Bentinho acredita, julga que Capitu o trai. E, por isso, como bom advogado de formação, adota o discurso do defensor público”, afirma. A análise do palestrante vai além, a forma como Assis coloca a história de Bentinho e Capitu é egoísta e demonstra um vício da sociedade que ainda é atual. “A questão da traição de Capitu é válida para os que acreditam que todo defensor público tem a certeza absoluta sobre a pessoa que está sendo objeto de julgamento. Na verdade, um samba exprime bem esse sentimento tão difundido entre os brasileiros: “A maldade nessa gente é uma arte...”. Por aí é que discuto a criação notável de Capitu enquanto representante do sexo feminino num país que teve de criar uma lei chamada Maria da Penha. Pensem um minuto: por que foi necessário criar a lei?”.

Seguindo esta linha, a segunda sessão do projeto “Letra em Cena. Como ler...” tentará mostrar que Machado de Assis não é um escritor difícil. “A dificuldade é a casca de banana que o autor joga à entrada do seu livro para impedir que leitores pouco atentos com a realidade se adentrem pelas palavras”, explica Santiago. Machado de Assis mostra o outro e as complexidades da alma das pessoas, por isso a obra é excelente. “A obra de Machado de Assis é rica, complexa e modulada. Cada livro seu requer a cabeça e o coração do leitor”.

Sobre o Letra em Cena

O projeto Letra em Cena. Como ler… é uma ação do Centro Cultural Minas Tênis Clube com o escritor, jornalista e curador José Eduardo Gonçalves, que tem como objetivo levar grandes clássicos da literatura nacional, de forma fácil e leve, para o grande público. Nos encontros, que em 2017 serão oito, há uma análise da obra feita por um especialista no autor contemplado e a leitura dos textos por um ator da cena mineira.

Foto: Alexandre Lopes 

 

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