Notícias
‘Melhor público’: Regional da Serra leva chorinho a instituições de assistência ao idoso em BH
Projeto contará com apresentações em 16 casas de repouso e instituições voltadas ao idoso na capital; primeira ‘roda’ acontece nesta segunda (4)
Quem pula Carnaval em Belo Horizonte sabe da tradição de tocar “Carinhoso” a senhoras ou senhores atentos, em suas janelas, ao passar do bloco. A homenagem sempre arranca lágrimas, e não é para menos – o clássico de Pixinguinha, lançado em 1917, remete a lembranças e saudades dos antigos. Primeiro gênero musical genuinamente brasileiro, o choro marcou a memória afetiva de muitos brasileiros que se encontram, hoje, na terceira idade. Aliando esse fato à necessidade de se levar arte e sociabilização a idosos que vivem em casas de amparo, surgiu o “Encontro Regional da Serra com o Melhor Público”, que acontece durante todo o mês de abril. Serão 16 apresentações, em diferentes instituições públicas e privadas da capital mineira, que começam nesta segunda-feira (4), às 9h45, na Casa de Repouso Sagrada Família.
Realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, com patrocínio do Hospital Mater Dei, o projeto surgiu a partir de uma primeira experiência do conjunto Regional da Serra em um lar de idosos. “Tocamos em um evento rápido, em uma instituição, a convite de uma amiga, e foi muito bonito. Os idosos começaram a dançar, a pedir músicas. Daí, tivemos a ideia de transformar isso num projeto, que inclusive, futuramente, pode ser mais duradouro e acontecer durante todo o ano”, afirma o flautista Pedro Álvarez. “O choro traz um repertório que é do tempo dos idosos, dos anos 20 a 50. Eles têm muita conexão com as músicas, relembram histórias, acessam memórias”, completa, lembrando que o projeto busca atingir cerca de mil pessoas, com faixa etária superior a 60 anos.
Formado em Belo Horizonte, o Regional da Serra conta também com os músicos Daniel Nogueira (pandeiro), Daniel Toledo (violão sete cordas) e Pablo Dias (cavaco). Entre os objetivos do grupo, está a popularização e a circulação do choro por meio de projetos atrelados a perspectivas sociais, como foi o festival “A Praça do Choro é Nossa”, realizado entre janeiro e fevereiro deste ano, em feiras populares de BH. “Queremos difundir o choro e levar alegria para pessoas em contextos sociais diferentes do show ou do bar”, diz Alvarez. “Faremos choros e sambas mais antigos, que fizeram sucesso em suas épocas. Também vamos tocar alguns boleros e valsas. Um repertório para os idosos reviverem suas memórias conosco”, conta.
A programação, que abarca cinco diferentes regionais de BH, ainda conta com “rodas de choro” no Lar dos Idosos Santa Rita de Cássia (7/4), Casa Fada – Casa de Repouso e Lar de Idosos (11/4), Instituto Geriátrico Afonso Pena (14/4), Maria Amélia – Lar de Idosos (15/4), Lar da Vovó – Asilo Nossa Senhora da Piedade (15/4), Associação Assistencial Amor Fraterno (18 e 25/4), Lar Recanto Feliz (26/4), República Nossa Senhora D’Abadia (26/4), Lar dos Idosos Recanto da Saudade (27/4), Lar Santa Teresa (27/4). Centro Geriátrico Lar Frei Zacarias (28/4), Lar Dona Paula (29/4), Lar dos Idosos Recanto dos Amigos (29/4) e Centro de Referência de Assistência Social – CRAS Taquaril (30/4).
Música para a ‘melhor idade’
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o número de pessoas com idade superior a 60 anos chegará a dois bilhões, o que representará um quinto da população mundial em 2050. Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil, em 2016, tinha a quinta maior população idosa do mundo, e, em 2030, o número de idosos ultrapassará o total de crianças entre zero e 14 anos. Diante desses números, é necessário pensar em políticas públicas que atendam de forma adequada e eficaz essa parcela numerosa da população.
O “Encontro Regional da Serra com o Melhor Público” busca, portanto, ajudar a suprir a demanda sociocultural dos idosos que hoje vivem em instituições, impossibilitados de sair para apreciar uma apresentação musical. Neste sentido, o projeto do grupo – formado por músicos jovens, mas preocupados com bem-estar da população idosa – deseja garantir os direitos previstos no Artigo 20 do Estatuto do Idoso, que garante “educação, cultura, esporte, lazer, diversões, espetáculos, produtos e serviços que respeitem sua peculiar condição de idade.
Uma das assistentes sociais do Centro Geriátrico Lar Frei Zacarias, localizado no bairro Carlos Prates, Natasha Dias recebeu com entusiasmo o projeto. A instituição onde trabalha acolhe 28 idosas, com idades entre 60 e 100 anos. “Elas amam cantar, dançar, se divertem muito. As pessoas costumam achar que a velhice é o início do fim, mas não. É realmente o encerramento de um ciclo, mas também a abertura de várias novas possibilidades, de encarar a vida com mais paciência, com mais sabedoria. E a gente sabe que a cultura é muito importante para a saúde e para a alma”, afirma.
Para a assistente social, o projeto marca uma retomada gradual das ações presenciais no lar de idosos, neste momento “pós-pandêmico”. “A pandemia trouxe um processo de recolhimento na casa, para proteger as moradoras. Elas ficaram bem isoladas, com comunicação por videochamada e telefone. Hoje, com nossas idosas já todas vacinadas com três doses, com a queda da transmissão do vírus e seguindo a orientação dos órgãos que nos respaldam, estamos gradativamente abrindo as portas do lar. Então, esse encontro também será muito importante no sentido de alegrar novamente a rotina destes idosos”.
Sobre o Regional da Serra
Quem acompanha o choro de Belo Horizonte sabe que a cidade vive um processo de renovação nos últimos anos, iniciado em 2018, com o fim da roda do Salomão. O que, inicialmente, foi um baque para os “chorões” de BH, acabou gerando um potente e natural efeito de difusão, fazendo surgir novos grupos e rodas. “Quando a roda do Salomão acabou, muitos músicos criaram ou foram tocar em outras rodas. Umas oito rodas novas apareceram”, relembra o violonista Daniel Toledo. “Nós logo fizemos uma roda no Brasil 41, no Santa Efigênia, que na primeira noite ficou lotada. Foi incrível”, completa, destacando ainda rodas como o Choro do Jura (no bar Juramento 202, no Pompeia); o Choro da Mercearia (no Bar do Walter, no Santa Tereza); e a Roda Padreco (no Butiquim Vila Rica, no Padre Eustáquio).
O Regional da Serra, tal como se configura hoje, também deriva desse processo. “Crias” da roda do Salomão, os quatro músicos belo-horizontinos, que já tocavam juntos em alguns trabalhos profissionais, decidiram, nessa época, oficializar o grupo e batizaram-no com o bairro que os conectou. “Colocamos o nome em homenagem ao bairro onde fica o Salomão, juntando com essa coisa tradicional do choro, do ‘regional’. Geralmente, os ‘regionais’ têm violão sete cordas, violão seis cordas, pandeiro e cavaco. E tocam sem muitos improvisos. No nosso caso, só temos um [violão] sete cordas, mas nos inspiramos nos regionais mais na forma tradicional de executar as músicas e no repertório”, afirma o cavaquinhista Pablo Dias, que cita nomes como Altamiro Carrilho, Pixinguinha e Jacob do Bandolim.
Os músicos do Regional da Serra trabalham individualmente e em outros coletivos há dez anos, tocando em bares tradicionais de BH, como Pedacinho do Céu, Bar Brasil 41, Bar do Bolão, Bar Vila Rica, Bar Muringueiro e o já citado Bar do Salomão. Já tocaram com importantes nomes da música brasileira, como João Camarero (violão sete cordas, RJ), Antônio Rocha (flauta, RJ), Hamilton de Hollanda (bandolim, DF), Zé da Velha (trombone, RJ) e Silvério Pontes (trompete, RJ), Yamandú Costa (violão sete cordas, RS), Monarco (cantor e compositor da Velha Guarda da Portela, RJ), Seu Mozart (violão, BH), Luís Melodia (cantor e compositor, RJ), Emanuel Fulton Casara (bandolim, RO) e Pedro Paes (Saxofone, RJ). Entre os mineiros, estão Ausier Vinícius (cavaquinhista, BH), Acir Antão (cantor e presidente do Clube do Choro de Belo Horizonte, BH), Seu Tião do Bandolim (Bandolim, BH), Caetano Brasil (Clarineta, JF), Alaécio Martins (trombone, BH), Marcos Flávio, (trombone, Betim), Artur Pádua (intérprete e violão, BH) e Paulinho Pedra Azul (intérprete e compositor BH).
Encontro Regional da Serra com o Melhor Público
De 4 a 30 de abril, em 16 instituições casas de repouso e instituições de longa duração voltadas para o idoso em Belo Horizonte
Primeira apresentação. Dia 4 de abril, segunda-feira, às 9h45, na Casa de Repouso Sagrada Família (R. Vicentina de Souza, 382 – Sagrada Família).
Próximas apresentações. Lar dos Idosos Santa Rita de Cássia (7/4), Casa Fada – Casa de Repouso e Lar de Idosos (11/4), Instituto Geriátrico Afonso Pena (14/4), Maria Amélia – Lar de Idosos (15/4), Lar da Vovó – Asilo Nossa Senhora da Piedade (15/4), Associação Assistencial Amor Fraterno (18 e 25/4), Lar Recanto Feliz (26/4), República Nossa Senhora D’Abadia (26/4), Lar dos Idosos Recanto da Saudade (27/4), Lar Santa Teresa (27/4). Centro Geriátrico Lar Frei Zacarias (28/4), Lar Dona Paula (29/4), Lar dos Idosos Recanto dos Amigos (29/4) e Centro de Referência de Assistência Social – CRAS Taquaril (30/4).
Regional da Serra nas redes. Instagram | Facebook | YouTube
Ficha técnica “Encontro Regional da Serra com o Melhor Público
Regional da Serra: Pedro Alvarez (flauta), Pablo Dias (cavaco, Daniel Toledo (violão sete cordas), Daniel Nogueira (pandeiro)
Coordenação de Produção: Bruna Toledo
Produção Executiva: Luciana Brandão
Assistente de Produção: Mateus Jacob
Fotografia: Lucas Sharif
Vídeo: Henrique Bocelli
Produtora: Grupo Dolores
Foto: Lina Mintz
Selecionamos os melhores fornecedores de BH e região metropolitana para você realizar o seu evento.
