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A mezzo-soprano Denise Freitas se apresenta com a Filarmônica de Minas Gerais

Obras de Respighi e de Falla para canto, além da Sinfonia do Novo Mundo de Dvorák, estarão sob regência do maestro Fabio Mechetti

A mezzo-soprano Denise de Freitas se apresenta com a Filarmônica de Minas Gerais, nos dias 6 e 7 de abril, às 20h30, na Sala Minas Gerais, e interpreta duas impactantes obras: Il tramonto, de Respighi, e o balé espanhol El amor brujo: Suíte, de Manuel de Falla. Ainda no repertório, a Sinfonia nº 9 em mi menor, op. 95, “Do Novo Mundo”, de Dvorák. A regência é do maestro Fabio Mechetti. Ingressos entre R$ 40 (inteira) e R$ 105 (inteira).

Antes das apresentações, das 19h30 às 20h, o público poderá participar dos Concertos Comentados, palestras que abordam aspectos do repertório. A Nona Sinfonia de Dvorák, apelidada por ele mesmo de “Do Novo Mundo”, é o tema dos dois encontros com o maestro Fabio Mechetti.

Estes concertos são apresentados pelo Ministério da Cultura, Governo de Minas Gerais e Itaú Personnalité. Já as palestras dos Concertos Comentados são apresentadas pelo Ministério da Cultura e Governo de Minas Gerais.

O repertório

Ottorino Respighi (Itália, 1879 – 1936) e a obra Il tramonto (1914)

Ligado à chamada Geração de Oitenta (1880), Respighi lutou, na Itália de tradição operística, pelo renascimento da música instrumental. Como violista da Orquestra da Ópera de São Petersburgo, estudou orquestração com Rimsky-Korsakov, e, em Berlim, com Max Bruch. Inspirou-se, ainda, em aspectos inovadores da obra de Richard Strauss e Debussy. Seu sucesso como compositor apoia-se na orquestração moderna, atraente e inventiva. O compositor interessou-se muito tempo por vozes femininas e compôs pensando na voz da esposa, Elsa Olivieri, e da amiga Chiarina Fino Savio – a quem Il tramonto é dedicada. A peça estreia, na Accademia di Santa Cecilia, em Roma, com Chiarina como solista. Emotiva e enigmática, a música se adapta aos versos do inglês Shelley (traduzidos para o italiano por Roberto Ascoli) que relatam o amor e a morte de dois jovens apaixonados. Originalmente composta para quarteto de cordas, a obra será interpretada, pela Filarmônica de Minas Gerais, em versão para orquestra de cordas.

Manuel de Falla (Espanha, 1876 – Argentina, 1946) e a obra El amor brujo: Suíte (1914/1915, revisão 1916) (versão 1925)

Com ascendência, ao mesmo tempo, andaluz e catalã, Manuel de Falla sempre foi ligado à música folclórica espanhola. Em sua obra, o compositor celebra a Espanha por meio da aproximação entre o fulgor de motivos e ritmos populares e as renovações musicais do início do século XX. O balé El amor brujo foi escrito para a prestigiada dançarina de flamenco Pastora Imperio. A obra se baseia na lenda de um ciumento cigano morto, cujo espectro reaparece quando sua amada, Candelas, procura um novo amor. Ao final da trama, que se passa na Andaluzia, a jovem cigana e o namorado Carmelo acabam por conseguir trocar o beijo capaz de afastar definitivamente as maléficas aparições do Fantasma. Repletos de magia e de superstições, os números da suíte apresentam-se sem interrupção.

Antonín Dvorák (Boêmia, atual República Tcheca, 1841 – 1904) e a obra Sinfonia nº 9 em mi menor, op. 95, “Do Novo Mundo” (1893)

Antonín Dvorák pertence à escola nacional tcheca, nascida do Romantismo e inaugurada por Smetana. Inspirada no folclore boêmio, sua linguagem não apresenta inovações formais ou experiências estruturais. Em 1892, o músico assume, nos EUA, a direção do Conservatório de Nova York. Nascem, nesse período, algumas de suas obras mais importantes, como o Quarteto, op. 96, e a Sinfonia nº 9 em mi menor, op. 95, “Do Novo Mundo”, sucesso imediato quando de sua estreia no Carnegie Hall e até hoje marcante na obra de Dvorák. Por intermédio de um aluno negro, Dvorák conhece os spirituals americanos, repletos de referências às imagens bíblicas, à tragédia e ao sofrimento dos africanos desterrados na América. O interesse do compositor pelo gênero musical apareceria no célebre tema do segundo movimento da referida Sinfonia, cujo solo de corne inglês evoca a pungente melodia, característica dos spirituals.

Maestro Fabio Mechetti

Desde 2008, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Com seu trabalho, Mechetti posicionou a orquestra mineira nos cenários nacional e internacional e conquistou vários prêmios. Com ela, realizou turnês pelo Uruguai e Argentina e realizou gravações para o selo Naxos. Natural de São Paulo, Fabio Mechetti serviu recentemente como Regente Principal da Orquestra Filarmônica da Malásia, tornando-se o primeiro regente brasileiro a ser titular de uma orquestra asiática. Depois de quatorze anos à frente da Orquestra Sinfônica de Jacksonville, Estados Unidos, atualmente é seu Regente Titular Emérito. Foi também Regente Titular da Sinfônica de Syracuse e da Sinfônica de Spokane. Desta última é, agora, Regente Emérito. Foi regente associado de MstislavRostropovich na Orquestra Sinfônica Nacional de Washington e com ela dirigiu concertos no Kennedy Center e no Capitólio norte-americano. Da Orquestra Sinfônica de San Diego, foi Regente Residente. Fez sua estreia no Carnegie Hall de Nova York conduzindo a Orquestra Sinfônica de Nova Jersey e tem dirigido inúmeras orquestras norte-americanas, como as de Seattle, Buffalo, Utah, Rochester, Phoenix, Columbus, entre outras. É convidado frequente dos festivais de verão nos Estados Unidos, entre eles os de Grant Park em Chicago e Chautauqua em Nova York.

Realizou diversos concertos no México, Espanha e Venezuela. No Japão dirigiu as orquestras sinfônicas de Tóquio, Sapporo e Hiroshima. Regeu também a Orquestra Sinfônica da BBC da Escócia, a Orquestra da Rádio e TV Espanhola em Madrid, a Filarmônica de Auckland, Nova Zelândia, e a Orquestra Sinfônica de Quebec, Canadá. Vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko, na Dinamarca, Mechetti dirige regularmente na Escandinávia, particularmente a Orquestra da Rádio Dinamarquesa e a de Helsingborg, Suécia. Recentemente fez sua estreia na Finlândia, dirigindo a Filarmônica de Tampere, e na Itália, dirigindo a Orquestra Sinfônica de Roma. Em 2016 estreou com a Filarmônica de Odense, na Dinamarca.

Igualmente aclamado como regente de ópera, estreou nos Estados Unidos dirigindo a Ópera de Washington. No seu repertório destacam-se produções de Tosca, Turandot, Carmem, Don Giovanni, Così fan tutte, La Bohème, Madame Butterfly, O barbeiro de Sevilha, La Traviata e Otello. Fabio Mechetti recebeu títulos de mestrado em Regência e em Composição pela prestigiosa Juilliard School de Nova York.

A mezzo-soprano Denise de Freitas

Natural de São Paulo, a mezzo-soprano Denise de Freitas teve orientação da renomada cantora Lenice Prioli. Em Nova York, aperfeiçoou-se com Catherine Green e Patricia McCaffrey, e, na França, com Sylvia Sass. Uma das mais importantes artistas líricas da atualidade no Brasil, destaca-se pela voz de grande extensão e de timbre escuro. A cantora tem se destacado devido a intensas e sensíveis atuações, tanto na ópera como em obras orquestrais. Atuou como Azucena em Il Trovatore, no Teatro Municipal de São Paulo e durante o Festival de Ópera do Teatro da Paz. Foi Fricka, em A Valquíria, e Suzuki, em Madame Butterfly, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. No Teatro Municipal de São Paulo, cantou em O Ouro do Reno e brilhou como Waltraute, em O Crepúsculo dos Deuses. Recentemente, apresentou uma série de concertos com a ópera Yerma, de Villa-Lobos, em Berlim, Paris e Lisboa.

Denise conquistou o Prêmio Carlos Gomes em 2004, 2009 e 2011. Seu repertório operístico, ainda, inclui Cherubino (As bodas de Fígaro), Nicklausse (Les Contes d'Hoffmann), Hänsel (Hänsel e Gretel), Siebel (Fausto), Orfeu (Orfeu e Eurídice), Marquise de Berkenfield (La Fille du Régiment), Angelina (La Cenerentola), Rosina (O barbeiro de Sevilha), Laura (La Gioconda), Carmen (Carmen), Adalgisa (Norma) e Charlotte (Werther). Como concertista, interpretou Das Lied von der Erde, Sinfonias números 2 e 3, Kindertotenlieder e Des Knaben Wunderhorn de Mahler; Stabat Mater de Dvorák; Stabat Mater, de Pergolesi; Shéhérazade, de Ravel; O Messias, de Haendel; Magnificat, de Bach; Magnificat-Aleluia, de Villa-Lobos, e Sinfonia nº 9, de Beethoven. Gravou o disco Lembrança de Amor, com obras de Osvaldo Lacerda, e Eudóxia de Barros ao piano. O álbum ganhou, em 2003, o Prêmio APCA.

Sobre a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais

Belo Horizonte, 21 de fevereiro de 2008. Após meses de intenso trabalho, músicos e público viam um sonho tornar-se realidade com o primeiro concerto da primeira temporada da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Criada pelo Governo do Estado e gerida pela sociedade civil, nasceu com o compromisso de ser uma orquestra de excelência, cujo planejamento envolve concertos de série, programas educacionais, circulação e produção de conteúdos para a disseminação do repertório sinfônico brasileiro e universal.

Foto: Heloi

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