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VOCALISTA DA BANDA TIANASTÁCIA, PODÉ COUTINHO LANÇA SEGUNDO DISCO SOLO, POEMAS PRA OUVIR, COM TEXTOS VIRAIS DO ESCRITOR ZACK MAGIEZI,
Musicados e gravados em tom pop folk, canções versam sobre ela e sobre “Aquela velha história, o amor”
Em 2015, quando começou a orbitar em paralelo universo musical ao gravar e lançar o primeiro álbum solo, Ânima, o cantor, compositor e músico mineiro Paulo André Coutinho - o Podé, surpreendeu o público da banda Tianástica com registros acústicos de cancioneiro autoral de tom mais introspectivo. Poemas para ouvir, álbum que o artista lança no próximo dia 19 de abril (quinta-feira), no Teatro Bradesco, é sequência natural daquele disco ao vivo de 2015. Basta ouvir uma canção como Amor no inverno – arranjada por Barral Lima, com a condução dos violões tocados por Paulo André e com a intervenção lírica do violoncelo de Sergio Rabello – para identificar de imediato o clima folk que dá o tom também íntimo de Poemas para ouvir. O show terá início às 21h, com ingressos a R$ 15 (inteira). O disco é um projeto de Lei de Incentivo patrocinado pela Oi.
Paulo André Coutinho é o nome de batismo do popular Podé, codinome artístico pelo qual o artista é conhecido no posto de vocalista da Tianastácia, banda mineira que está em cena desde a primeira metade da década de 1990. Ao lançar o álbum solo Ânima, há três anos, Podé estabeleceu novos códigos musicais nessa paralela trajetória individual que ganha fôlego com a edição de Poemas para ouvir, pelo selo UNMUSIC.
Produzido por Barral Lima, Poemas para ouvir transita no universo folk com pegada pop. E nem poderia ser diferente, porque a base literária do repertório também tem raiz pop. O disco se chama Poemas para ouvir porque Podé musicou os textos do escritor Zack Magiezi: publicitário de origem paulista que se tornou fenômeno na internet nos últimos quatro anos com pensamentos e poemas datilografados (sim, na atualmente arcaica máquina de escrever) sobre “aquela velha história, o amor” e sobre todos os sentimentos (bons e ruins) que decorrem desse ato de amar. E também, e talvez sobretudo, sobre ela, a mulher, musa amada.
A sacação de Podé foi perceber que os textos de Zack Magiezi têm potencial para alcançar outro público e outros sentidos quando transpostos para o universo musical. A rede de seguidores de Magiezi nas plataformas sociais é digna de um astro da música pop ou de uma celebridade propagada pela televisão. O fenômeno é recente. Foi há apenas quatro anos, no início de 2014, que Magiezi abriu página no Facebook intitulada Estranheirismo. No primeiro semestre de 2015, o escritor pop abriu conta no Instagram. Em abril de 2016, Magiezi já lançou o primeiro livro, Estranheirismo, com seleção de textos que tinham viralizado na web.
Para quem não acompanhou a saga literária do escritor do campo virtual para as páginas impressas, a audição do disco Poemas para ouvir contribui para o entendimento de tamanho sucesso. No canto sem afetação de Podé, os textos ganham música, vida e sentimento. São canções gravadas com o humanismo recorrente nos poemas do escritor. Amor nu talvez resuma o espírito da coisa ao convidar o ouvinte a valorizar a essência da vida que, no caso, pode ser simbolizada pelo amor. Nessa faixa, como em outras, Podé somente não está nu com a música, porque a gravação tem o toque de banda virtuosa formada pelo guitarrista Marcelinho Guerra, o baterista Léo Pires, o baixista Barral Lima (conjugando as funções de músico e produtor do disco) e pelo pianista Marcio Buzelin, que vem a ser o tecladista do Jota Quest, quinteto mineiro que regravou em 2005 uma música da banda amiga Tianastácia (O sol, de 2003).
Os arranjos evitam que as dez músicas soem lineares. Há nuances em cada faixa, como a levada ágil de Plano B, canção baseada em poema que ostenta o verso-pérola “O segredo é não deixar o amor em segredo”. Ou o toque do bandolim de Rogério Delayon em Sincera.
E por falar em Sincera, essa música evidencia a sensibilidade de Zack Magiezi para retratar a mulher. Não por acaso, é majoritariamente feminino o público que propaga na web os textos e poemas do escritor, autodenominado “fotógrafo das coisas de dentro”. Em Sincera, aparece a personagem feminina recorrente na obra do escritor e apresentada somente como Ela. Não por acaso, a seção Notas sobre ela nas redes do escritor ajudou a viralizar os poemas de Magiezi. Sincera exemplifica bem a empatia do autor com as mulheres. “Ela sabe que a vida é um passeio, e não um desfile”, canta Podé, com a delicadeza assertiva condizente com o texto que valoriza a mulher que se recusa a seguir modas e modinhas em nome da autenticidade e da liberdade de ser como realmente é.
So sensível corrobora o discurso na gravação em que sobressai o toque do piano de Marcio Buzelin. Em registro iniciado de forma cool e turbinado com progressiva intensidade, mas sem perder a ternura, Podé perfila mulher que se permite ser única e feliz, mesmo fora das convenções sociais e dos padrões de beleza. Em Basta, essa mulher faz ecoar grito de insatisfação contra a hipocrisia social das redes. “Ela está cansada das conversas superficiais, das vaidades sem sentido, dos egos obesos e sufocantes”, brada Podé em Basta, canção adornada com quarteto de cordas formado pelos músicos Thiago Mello (violino), Ravel Lanza (violino), Rodrigo Garcia (violoncelo) e Romulo Salobrena (viola).
Podé teve a sensibilidade de gravar os poemas musicados com ênfase nos versos das canções. O álbum Poemas para ouvir apresenta músicas para serem escutadas de fora para dentro, sem o automatismo viral que move a indústria da música nos tecnológicos dias de hoje. Até porque, de um jeito coloquial e espontâneo, Magiezi escreve sobre sentimentos profundos, angústias e inadequações de seres humanos que se recusam a agir como bonecos fabricados em linha de montagem. Há significados profundos submersos em versos como “Teu beijo é um afogamento que salva vidas / Em mim, existe um precipício dos sonhos suicidas”, cantados por Podé em Amor ou nada. Sim, amor ou nada. Porque tudo parece ter sentido, na escrita de Magiezi, quando existe o amor. Um amor simples, como explicita o cantor, através de versos do poeta, em Café da manhã. Um amor adoçado pela ternura como o retratado em Caso casa, música em que Podé arma, em dueto aconchegante com a cantora mineira Roberta Campos, um suave jogo de palavras e sentimentos com os significados dos similares vocábulos caso, casar e casa. O toque do ukelele de Rogério Delayon realça a delicadeza caseira da gravação.
No fim, na música que se impõe como a melodia mais inspirada do álbum Poemas para ouvir, Podé sublinha no canto de Uma linda história de amor os princípios básicos da escrita de Zack Magiezi: o amor pela vida. “Meu caso com a liberdade escandaliza muita gente”, canta o artista. Do escândalo, fruto da automação dos tempos modernos, brota também a identificação com poemas que agora podem ser ouvidos no canto livre de Podé Nastácia.
Foto:Divulgação
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