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Grupo Maria Cutia ensaia novo espetáculo com direção de Gabriel Villela

Cia lança campanha de financiamento coletivo para montagem do Auto da Compadecida

Segundo o dramaturgo francês Molière, “não existe tirania que resista a uma gargalhada que dê três voltas em torno dela”. Obra mais conhecida do teatro brasileiro, “Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, é uma peça baseada no universo medieval dos romances picarescos em que as personagens são retratadas de forma mundana, mais realista, com falhas em seu caráter. Este texto será a nova montagem do grupo Maria Cutia e terá direção de Gabriel Villela. Com estreia prevista para o mês de  julho deste ano, a montagem não tem nenhum tipo de patrocínio. Assim, o grupo lança uma campanha de financiamento coletivo com dois eventos. O lançamento oficial acontecerá na quarta feira, dia 27 de março, na Toca da Cutia - sede do grupo, com um pocket show com o Grupo Maria Cutia. A campanha conta também com outro encontro com o público, dessa vez com a apresentação do espetáculo brincante “Na Roda”,  no Parque Municipal no dia 13 de abril, e às 16h, na Pista de Patinação, ao lado do teatro Francisco Nunes.

Em tempos complexos para captação de recursos via leis de incentivo, o grupo recorre a alternativas coletivas para viabilizar a obra. “Não temos nenhum tipo de patrocínio. Então, pensamos nessa campanha como mais um caminho para conseguirmos concretizar este sonho”, explica a produtora Luisa Monteiro.

A apresentação do pocket show e da peça brincante “Na Roda”, primeira montagem do Maria Cutia, foi uma forma de celebrar com o público este início do novo trabalho e também de lançar artisticamente a campanha de arrecadação. “É um jeito simbólico, pelo teatro para o teatro, de lançarmos um projeto que necessita da ajuda de muitas pessoas para atingirmos o valor”, conta o ator Hugo da Silva.

A Campanha de Financiamento Coletivo entrou no ar a no dia 23 de março e tem como meta arrecadar 40 mil reais em um mês para custear, além da hospedagem e alimentação da equipe, parte do cenário e do figurino do espetáculo. Além do Maria Cutia, outros grupos de teatro também estão recorrendo a este tipo de estratégia para realizarem seus projetos em tempos tão árduos. O Espanca!, por exemplo, possui uma campanha permanente, que fica aberta durante todo ano, para manutenção do seu espaço. A Cia Luna Lunera e o coletivo Os Conectores lançaram recentemente um financiamento para realização de seus espetáculos no Festival Internacional do Alentejo, em Portugal.

Para participar da campanha, basta acessar o link  www.evoe.cc/grupomariacutia e conhecer as recompensas. Foram pensadas diversas retribuições os apoiadores: canções do processo espetáculo, convite exclusivo para ensaios abertos, kits com produtos do Maria Cutia, bolsas para os cursos que acontecem na Toca da Cutia, entre outros. O projeto conta também com cotas para empresas de chancelas de Patrocínio e Apoio.  No site está tudo detalhado e nos eventos haverá uma equipe à disposição do público para realizar as contribuições no local.

Nova Montagem

“Auto da Compadecida” recebeu uma aclamada adaptação para a televisão em 1999, com direção de Guel Arraes - vanguardista à época por sua forma ágil de contar uma narrativa na TV –, em que a história era ambientada no nordeste de Pernambuco. Contudo, a montagem feita pelo Maria Cutia não será regionalizada. “Gabriel traz uma nova abordagem da obra de Suassuna. Será uma obra ampla, atemporal, com um olhar mais irônico, sarcástico, do ‘jeitinho brasileiro’ para resolver as coisas”, conta a atriz Mariana Arruda.

A peça tem na equipe, além de Gabriel Villela, Lydia del Picchia como assistente de direção, Babaya como preparadora vocal e direção musical, Fernando Muzzi também como diretor musical, José Rosa como assistente de figurino,  conta os atores convidados Polyana Horta, Malu Grossi, Lucas DeJota e Marcelo Veronez, além de Leonardo Rocha, Hugo da Silva e Mariana Arruda, integrantes do Maria Cutia.

O barroco e Gabriel Villela

Com seu reconhecido estilo barroco de encenação, com figurinos e cenários delicados e de detalhes, o diretor Gabriel Villela construiu sua trajetória no teatro brasileiro. Dirigiu as consagradas montagens de “Romeu e Julieta”, “A Rua da Amargura” e “Os Gigantes da Montanha”, do Grupo Galpão, além de tantos outros espetáculos que lhe renderam 10 prêmios Shell e 9 APCA´s. Nesta nova montagem, o diretor e o Grupo Maria Cutia encenam uma peça clássica do teatro popular brasileiro em uma parceria que começou a ser desenhada em 2016. “A história picaresca de João Grilo e Chicó é uma ótima metáfora aos tempos em que vivemos. São heróis sem caráter, como diria Mario de Andrade em Macunaíma”, comenta o ator Leonardo Rocha.

Foto: Tati Motta.

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