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Último debate da 9a Mostra Tiradentes | SP abordou "Atuação, performance e construção de cena"
A 9a edição da Mostra Tiradentes | SP encerrou sua programação reflexiva com o debate virtual “Atuação, performance e construção de cena”, realizado na noite desta quarta, 24 de março. A discussão contou com a participação de Badu Morais, atriz de “Céu de Agosto” | SP; Dandara Fernandes e Débora Arruda, atrizes de “Abjetas 288” | SE e Mohana Uchôa, atriz de “Novo Mundo” | RJ.
A mediação foi de Camila Vieira – curadora Mostra Tiradentes | CE, que explicou que este debate foi elaborado para propor uma reflexão sobre os curtas de ficção da Mostra Foco, e em especial, estes que contam com mulheres como personagens principais.
O bate-papo começou com uma breve apresentação das participantes. Badu Morais é natural de Natal, morou em Parnamirim e descobriu a arte, a dança e a atuação a partir das atividades religiosas. Começou a atuar profissionalmente em 2016 e mudou-se que para São Paulo em 2019, para participar de um musical.
A baiana Dandara Fernandes, atualmente mora em Sergipe e tem contato com o teatro desde 2014. Entrou para a graduação de Artes Cênicas da UFSE, onde vem descobrindo outras possibilidades do corpo, na performance e no dia-a-dia.
Já Débora Arruda, tem uma trajetória diferenciada, por não atuar como atriz, mas como poeta. Fez teatro de 2010 a 2013, mas desde 2013 trabalha com poesia de slam. Em 2018, percebeu que a palavra não era mais suficiente e passou a se aproximar da performance. Sua primeira experiência com cinema foi em 2013. “Abjetas 288” é seu segundo filme.
Mohana Uchôa, tem 28 anos e mora em Recife. Seu primeiro contato com as artes cênicas foi em um primeiro curso de teatro na comunidade onde vive. Aos 17 anos voltou a fazer teatro e começou a trabalhar com atriz em 2016.
A curadora Camila Vieira destacou que “Céu de Agosto” é o único dos três o curtas com uma narrativa mais tradicional. “Neste momento de pandemia, por sua temática, este curta chega para o público de forma bastante contundente”.
“Considero a Jasmin Tenucci, diretora do curta, uma bruxona. Quando filmamos, há mais de um ano, ela foi muito certeira e sabia o que ela queria”, afirmou Badu Morais. “Hoje é possível fazer vários links com esse filme e aproximar da nossa realidade. O meio hospitalar é muito agonizante, hoje isso está muito mais explícito. Estou com seis meses de gravidez, assim como a personagem, e é muito impressionante ver como a arte pode ser profética”. A atriz recordou que sua preparação para a personagem foi voltada para as emoções, para descobrir a válvula motivadora da enfermeira Lúcia.
Camila Vieira salientou que “Abjetas 288” é uma distopia tropical, mas esgarçada e disruptiva, com uma montagem que vai fragmentando a estrutura das cenas. “Não sei se podemos considerar Valenza e Joana como personagens, porque há uma opacidade para o protagonismo do corpo”.
Para Dandara Fernandes, Valenza é uma personagem “que usou meu corpo como queira e como cada situação do filme pedia. Neste sentido, a performance é como uma provocação do corpo. Por isso, acredito que não exista um ensaio para ocorrer a performance. As situações do filme trouxeram as sensações, que expressamos por meio da performance”.
Já Débora Arruda, destacou que às vezes pensa se a Joana é uma personagem ou um estado de espírito. “No começo, fiquei com a impressão de que a personagem era muito fechada, depois percebi que ela se comunicava muito e que existem várias formas de se comunicar”. Débora recordou que na preparação para o curta, o elenco experimentou sensações com a cidade. “Tivemos um trabalho de entender e nos deslocar para os locais e espaços atuação. Nossa preparação foi de construir realidades e transformar nossa relação com os lugares, para que eles passassem outras sensações. Foi complicado ensaiar performance e tivemos que aprender a jogar com o improviso”.
Sobre sua preparação para “Novo Mundo”, filme que tem um roteiro baseado na fala e com uma relação histórica com nosso país, Mohana Uchôa evidenciou que seu processo foi muito poroso. “Trabalhamos muito para entender como esses textos atravessavam o corpo. Foi um processo muito horizontal, teve muita escuta e a equipe era composta na maioria por mulheres negras. Posso dizer, que foi uma personagem coletiva”.
Badu Morais ressaltou que o processo de preparação para “Céu de Agosto” foi de muita leitura e muita escuta. “Eu trabalho com o texto impresso, rabisco, costuro, procuro entender o que está por trás. Como a personagem estava grávida, ela já estava nesse estado de angústia. Uma mulher grávida é uma pessoa cansada, que não respira direito. Fui pensando o que motiva esse cansaço interno e externo, sobre a relação com as pessoas da casa e nessa tensa gestação. Tivemos o auxílio de uma preparadora de elenco que ajudou a entender e a preparar para essa emoção do filme. Enquanto atriz, nordestina e migrante, tive a liberdade de trabalhar com isso enquanto ethos e esse lugar trouxe uma couraça para a personagem”.
Em seguida, Dandara e Débora comentaram a construção das cenas a partir da deriva na cidade de Aracaju. Para Dandara Fernandes, a performance é uma provocação “porque o que vem de fora interfere em como nos relacionamos com o espaço naquele momento. A estrutura sonora do filme deu muito espaço para expressar o corpo e trazer sentido para o que estávamos fazendo”. Já Débora evidenciou o papel da preparadora Diane Veloso para alcançar o resultado que é visto no filme. “Ela se dedicou muito a nossa preparação. Foi um trabalho muito intenso e várias cenas mexeram muito comigo. Cada pessoa que assiste terá uma experiência diferente”.
A preparação de elenco também foi fundamental, imprescindível, para a produção de “Novo Mundo”, de acordo com Mohana Uchôa. “Preparamos muito o terreno, a base emocional para descolonizar o meu corpo. Trabalhamos para abrir espaços e ir reconhecendo quem é essa personagem, no que ela acredita, o que ela busca. Tivemos uma preparação emocional muito grande, para dar vazão a mensagem do filme”. A atriz considerou maravilhosa sua relação com a diretora de fotografia Lilis Soares. “Foi um processo horizontal, a câmera estava o tempo todo junto comigo e estabelecemos uma espécie de dança. Foi tudo muito bem alinhado”.
Para finalizar o debate, as atrizes comentaram sobre os principais desafios que tiveram nestes filmes e o impacto desse período pandêmico em suas carreiras. Badu Morais sublinhou que o cinema é ainda uma experiência muito recente para ela. “A linguagem cinematográfica é um embrião para mim, tudo me causa uma sensação de novidade. Acostumar com a câmera é algo novo. Quando me deparei com essa estrutura da filmagem fiquei muito assustada, é muito diferente de como é feito no teatro. Fiquei encantada. Tinha uma curiosidade imensa em fazer cinema”. Sobre o impacto da pandemia, a atriz explicou que “está trabalhando o que dá pra fazer remotamente, muito mais pelo desejo do que pela renda”.
Já para Dandara, o maior desafio foi a ansiedade gerada pela provocação de realizar as performances. “Foi um desafio ir captando as coisas, acreditar nos processos e fazer todo o percurso desse curta”. Ela classificou esse período da pandemia como imobilizador. “É um momento de esperar que as coisas normalizem para que possamos voltar a trabalhar, do jeito que for possível”.
O primeiro desafio para Débora foi atuar em frente a câmera. “Estava pouco acostumada com o ambiente de cinema. O segundo, foi fazer performance em situações adversas, pois fiquei com medo de perder o timing, mas o resultado foi maravilhoso”. Neste período pandêmico, Débora está cursando o mestrado e trabalhando com o Sesc.
Mohana realçou que seu maior desafio foi a última cena. “Pelo peso emocional de organizar as emoções para aquela cena”. A atriz acentuou que para quem é de minoria, quem não tem apoio político, “sobreviver neste período de Covid-19 fica muito mais difícil. Estou trabalhando como posso, da maneira como é possível”.
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