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Espetáculos mineiros viajam à Curitiba levando arte, política e gastronomia
Mostra Feijão Tropeiro integra o Festival de Teatro Curitiba na programação especial do Fringe e traz peças com temas como racismo, homofobia, intolerância, amor e violência
O Festival de Teatro Curitiba começa no próximo dia 26 de março, terça-feira, e já no dia 27 tem programação especial no Fringe. Quatro companhias mineiras chegam à Curitiba para apresentarem seus espetáculos na Mostra Feijão Tropeiro, cuja proposta é unir arte, política e gastronomia em programação que segue até o dia 1º de abril na Sala Londrina, dentro do Memorial de Curitiba, no Centro Histórico.
Integrantes da Companhia Negra de Teatro, Espaço Preto, Plataforma Beijo e Preqaria Companhia se uniram para criar a mostra, pensada como um espaço de encontro, formação compartilhamento e produção de conhecimento, com a troca de referências ético-estéticas e relações afetivo-políticas entre artistas de diferentes linguagens e o público. A mostra reúne mais de vinte ações artístico-culturais, que apresentam a diversidade de vozes da cena teatral contemporânea de Belo Horizonte e região metropolitana, e além disso busca difundir a produção artística dessa região para além das fronteiras de Minas Gerais, gerando diálogo com outros públicos do país.
A programação da mostra compartilha uma prática muito presente na cultura mineira: o encontro entorno da comida. Assim, com o intuito de valorizar a comunhão, as trocas e, sobretudo, o diálogo, a Mostra Feijão Tropeiro une arte e gastronomia, convidando o público para um almoço com o tradicional feijão tropeiro no cardápio.
Entre os espetáculos, a Companhia Negra de Teatro exibe Chão de Pequenos, premiada montagem que retorna à Curitiba após apresentações pela América Latina. Com direção de Zé Walter Albinati (Cia Luna Lunera) e Tiago Gambogi (The Detonators), a o trabalho traz a questão da adoção como ponto de partida para investigar questões relacionadas à infância, ao racismo, aos afetos e à solidão. O texto é de Ana Maria Gonçalves, em parceria com os atores Felipe Soares e Ramon Brant, e uma das sessões da peça será realizada em espanhol.
Já a companhia Espaço Preto apresenta AMA, espetáculo que denuncia a “ideologia do branqueamento”, que determina, como padrão estético e norma comportamental, os referenciais marcados pelo signo da brancura, cultura dominante e opressora, e sobretudo trata da resistência, alegria e culturas negras. Uma transcriação do clássico Medeia, que debate a violência doméstica sofrida por mulheres negras. No elenco estão Anair Patrícia e Anderson Nascimento, que assinam a direção ao lado de Sinara Teles.
A Plataforma BEIJO, coletivo de artistas LGBTQI+ em conexão com a cena queer de BH e os direitos humanos, apresenta Projeto Maravilhas, com direção de Cláudio Dias (Cia Luna Lunera) e Marcos Coletta (Quatroloscinco Teatro do Comum). O espetáculo parte do primeiro assassinato por homofobia registrado em Belo Horizonte, nos anos 1940, para investigar as homossexualidades e o universo masculino em espaços públicos como saunas, boates e banheirões. A dramaturgia traz experiências do elenco formado por Aisha Brunno, Bremmer Guimarães, Igor Leal e Pedro Henrique Pedrosa, e defende uma ideia de comunidade entre pessoas LGBTQI+, que devem se unir na luta contra a violência dos dias atuais.
Vinda de Sete Lagoas, na Grande BH, A Preqaria Companhia marca presença com dois trabalhos na programação. O infantil A Princesa Gaia é uma peça lúdica e divertida que aponta questões sobre a relação entre a espécie humana e o meio ambiente, buscando conscientizar as crianças sobre a importância de já serem cidadãs. A direção é de Izabela Oliveira e João Valadares, texto de Raysner de Paula, com Angélica D’Vries, João Valadares, Julio Gomes e Piera Rodrigues na atuação.
O espetáculo adulto Amor, com direção de João Valadares, é um teatro-manifesto sobre o maior amor do mundo, nossos afetos, sobre o amor poético. Mas também sobre o amor que sufoca quando algumas coisas não são ditas: o machismo, a homofobia, a violência. No elenco, Izabela Oliveira, Leo Horta, Piera Rodrigues, Rogério Alves e Valquíria Correa.
Além disso, na quarta-feira, dia 27, a Companhia Negra de Teatro traz a roda de conversa Teatro Negro, com artistas de BH e Curitiba discutindo a negritude na cena contemporânea, e, na quinta, a Plataforma Beijo faz o chamado para um bate-papo sobre a Arte Queer na atualidade. Mais informações sobre a programação, na página do Facebook da Mostra Feijão Tropeiro ou no site oficial do Festival de Curitiba: www.festivaldecuritiba.com.br.
Foto: Junio Souza
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