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Eduardo Moreira abre segunda semana da 3ª edição da Mostra de Monólogos do Galpão Cine Horto com Danação

A mostra foi criada para ser um espaço de apresentação e visibilidade do trabalho e das pesquisas de jovens atores. Nesse final de semana , serão apresentadas as cenas “Adotivo”, com Calil Rodrigo, e “Clausuras”, com Gisele Hostalácio

“É um incentivo à produção dos alunos dos Cursos Livres de Teatro do Galpão Cine Horto, bem como um convite para que os estudantes ou recém-formados se mobilizem para a criação e produção teatral, criem também seus espaços de experimentação e pesquisa de linguagem”, comenta Chico Pelúcio, coordenador geral do centro cultural.

A última edição da Mostra de Monólogos foi realizada em 2019. Para a retomada do projeto, duas grandes novidades: as apresentações deixarão de acontecer na Sala Solo, um espaço mais intimista do centro cultural, e serão realizadas no histórico Teatro Wanda Fernandes, um espaço mais amplo para receber o público. O teatro será aberto com menos de 50% da sua capacidade, com plateia reduzida a 115 pessoas. As mudanças visam atender às normas sanitárias contra o COVID-19.

Esta será a primeira vez que, além dos estudantes, a mostra traz dois espetáculos convidados especiais, de longa-duração, com atores do Grupo Galpão. Após o sucesso de “Órfãs do Dinheiro” na última sexta, será a vez de Eduardo Moreira subir ao palco com "Danação".

Nascido do encontro entre os artistas Eduardo Moreira (Grupo Galpão), Marcelo Castro (Grupo Espanca), Mariana Maioline e Raysner de Paula, o espetáculo “Danação” estreou em Belo Horizonte, em outubro de 2016.

Em cena, Eduardo Moreira (que esse ano comemora 40 anos de trajetória de teatro de grupo junto ao Galpão) experimenta, pela primeira vez, uma atuação solo: é ele o responsável por dar voz e forma às figuras que surgem ao longo da narrativa compartilhada com o público por um narrador que tem urgência de partilhar recordações, silêncios e algumas histórias que abordam questões sobre a vida, a morte, o amor e a memória. Ao se deparar com homens e mulheres, reunidos, em uma sala, a espera de algo ou de alguém, ele se põe, então, a contar sobre uma mãe que engabelou a morte para retardar o encontro da danada-sem-jeito com sua filha. E no empenho de narrar essa façanha com riqueza de detalhes, o homem envereda por descaminhos que o levam a passear por memórias do tempo vivido por ele dentro do coração de uma mulher, depois de ter despencado naquele lugar, onde uma menina com um poço de não no meio do peito se escondia da morte.

“Danação” aposta no ato narrativo (palavra e ação). O jogo do ator está alicerçado principalmente na construção e desconstrução das imagens, atmosferas e metáforas evocadas pelo texto escrito pelo dramaturgo belorizontino Raysner de Paula. A presença do público é ressaltada diversas vezes ao longo da peça nesse jogo, já que a plateia se torna personagem essencial na situação estabelecida pelo narrador. O cenário é o próprio teatro, ocupado pelo homem e suas histórias. Durante o processo de montagem, dois norteadores impulsionaram o trabalho da direção: o desejo de que as palavras do texto se fizessem vivas e tocassem a carne do espectador; e a criação de um espaço magicamente vazio a ser preenchido pela performatividade do ator e pela imaginação da plateia.

Escrito ao longo de 2014, “Danação” foi apresentado pela primeira vez ao público no formato de leitura dramática, realizada pelo próprio Eduardo a convite de Raysner, em setembro daquele ano no projeto “Janela de Dramaturgia”, importante mostra de dramaturgia contemporânea que ocorre em Belo Horizonte. A linguagem adotada na peça flerta com a obra de João Guimarães Rosa, numa espécie de homenagem a esse grande e importante autor mineiro. Mas sua construção bebe também das poéticas de autores como Manoel de Barros, Valter Hugo Mãe e Mia Couto.

Vivemos tempos bastante sombrios e por isso é importante ressaltar que “Danação” milita, em resistência, apostando na potência existente no exercício de imaginar outras formas de realidade, outras (e insuspeitadas) formas de habitar a vida (e a morte). Reiteramos nossa fé na força revolucionária que existe no encontro de pessoas que se reúnem para escutar uma história. Na possibilidade de construir imagens e realidades outras, com os artifícios e artimanhas das linguagens. Na prosa poética. Nos limiares entre o real e o surreal. Na ampliação do absurdo aflorado no cotidiano trivial. Nas teatralidades e soluções cênicas que surgem da fusão desses elementos. O dramaturgo e pesquisador Luís Alberto de Abreu salienta que o ato narrativo “também lança mão da maior contribuição que público pode trazer ao espetáculo: uma imaginação ativa. Através da narrativa o público é também construtor das imagens do espetáculo e o espetáculo teatral, ao invés de ser um sistema predominantemente sensível, torna-se também um sistema fortemente imaginativo”. Assim, acreditamos, sobretudo, que “imaginar” seja uma forma de resistência, frente a todo embrutecimento das capacidades sensíveis que somos submetidos nos dias de hoje.

O Galpão Cine Horto conta com patrocínio da Cemig e apoio da Usiminas. A manutenção do centro cultural e de suas atividades é realizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais.

PROGRAMAÇÃO

SEGUNDA SEMANA

“Danação”, com Eduardo Moreira (convidado especial)
25/03 (Sexta-feira) 20h

26/03 (Sábado) e 27/03 (Domingo) 20h
“Adotivo”, com Calil Rodrigo, e “Clausuras”, com Gisele Hostalácio

Ingressos:
R$20,00 (inteira) / R$10,00 (meia-entrada)
Teatro Wanda Fernandes - Galpão Cine Horto (Rua Pitangui 3413 – Horto)
https://galpaocinehorto.com.br/

SOBRE OS ESPETÁCULOS

“Danação”, com Eduardo Moreira
Direção: Marcelo Castro e Mariana Maioline|Dramaturgia: Raysner de Paula
Duração: 50 min | Classificação: 12 anos
Um homem narra memórias do tempo vivido por ele dentro do coração de uma mulher, onde conviveu com uma menina que se escondia da morte. Mas nada parece estar evidenciado na memória dele, que se empenha no exercício de lembrar e inventar formas de contar essa história.

“Adotivo”, com Calil Rodrigo
Direção: Leo Mascarenhas |Dramaturgia: Calil Rodrigo e Leo Mascarenhas
Um pai à espera de sua filha na fila de adoção é posto à prova por preconceitos, burocracias e medos. Ele não sabe quando ela chegará ou mesmo se ela chegará. Uma paternidade que nasce da determinação de não parar nunca. A visão do adotante.

“Clausuras”, com Gisele Hostalácio

Direção: Fábio Furtado |Dramaturgia: Gisele Hostalácio

Uma mulher enclausurada vivendo e revivendo do que parecem ser reminiscências. O que a aprisiona? O que há nas paredes em seu entorno?

Foto: Divulgação

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