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Espécie, solo do ator Igor Leal, faz temporada em Curitiba pela primeira vez, dentro da programação do Fringe
Artista do coletivo BEIJO NO SEU PRECONCEITO atua pela primeira vez num espetáculo solo, que tem direção de Fernanda Branco Polse e dramaturgia de Ana Luisa Santos, integrantes da plataforma artística O QUE VOCÊ QUEER. Montagem propõe uma cena expandida que borra fronteiras entre teatro e performance, a partir de uma perspectiva queer e pós-pornô
O FRINGE, mostra paralela ao oficial Festival de Teatro de Curitiba, apresenta de 30 de março a 2 de abril o espetáculo ESPÉCIE, primeiro solo do ator Igor Leal. A montagem, uma cocriação do coletivo BEIJO NO SEU PRECONCEITO e da plataforma artística O QUE VOCÊ QUEER, faz sua terceira temporada de estreia, em quatro sessões. Os ingressos custam R$20 a inteira.
Por que nova temporada de estreia? Porque em ESPÉCIE cada apresentação é realmente um novo encontro, um novo começo. Dirigido pela artista Fernanda Branco Polse, ESPÉCIE é um trabalho que parte das diretrizes dos estudos da performance. A montagem é um convite para o compartilhamento de uma presença e experiência que criam fluxos poéticos de agitação sexo-política, pós-identitárias e pós-modernas, nas quais arte e ativismo se interpelam e apontam ao desajuste das amarras de sentido e de seus marcos de previsibilidade, reinventando modos de fazer.
A partir da vivência LGBTIQ+, e com referência e investigação na pós-pornografia, movimento de expressão da sexualidade em que são ampliadas as sensações e possibilidades do corpo e que buscam dinamizar as concepções e vivências de gênero e sexualidade, a dramaturgia de Ana Luisa Santos instaura um rito que evoca uma divindade não nomeada para nos indagar sobre como vemos nossos desejos, o prazer e a alteridade no mundo contemporâneo. A partir de uma perspectiva queer e pós-pornô, ESPÉCIE busca desnaturalizar as identidades sexuais e de gênero.
A construção dramatúrgica reflete as práticas artísticas neoliberais, o esforço contemporâneo de combate ao fundamentalismo religioso e que reivindica o exercício democrático da construção política, indagando-nos sobre os lugares específicos e formatos de criação. O trabalho propõe uma cena expandida que borra fronteiras entre teatro e performance. Em cena, Igor Leal experimenta novos formatos de relações e de encontros entre artistas e espectadores.
Nas aproximações entre arte e ativismo, o trabalho dialoga com a obra Manifesto Contrassexual, de Paul Preciado, que aponta o sexo como estratégia política. As leituras do filósofo espanhol serviram como importante referência para o processo de criação, ampliando as possibilidades de abordagem das sexualidades no teatro contemporâneo.
A equipe de criação conta com outros colaboradores e pesquisadores no campo de corpos dissidentes, dramaturgia de performance, linguagens híbridas e ritual. A montagem tem codireção e preparação corporal de Benjamin Abras; trilha sonora original do músico Barulhista, e desenho de luz de Jésus Lataliza. Além disso, ESPÉCIE compartilhou seu processo criativo com o público, em apresentação no PERFURA - ateliê de performance, no Sesc Palladium.
A pesquisa cênica (des)construiu uma materialidade corporal subversiva ao trabalhar com partes do corpo não-hegemônicas, compondo um corpo vivo que escapa e engana os modelos subjetivos do neoliberalismo. Esse corpo instaura uma relação de intimidade com os espectadores, em que plateia/cena, dentro/fora, corpo/mundo se confundem e juntos vão construindo uma subjetividade transgressora, numa zona sexo-poética que inscreve os espaços e tempos do sexo nas territorialidades da cena teatral, intervindo diretamente sobre as visualidades que contam como sexualmente visível, ou sexualmente possíveis.
Foto: Mirele Persichenni
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