Notícias

Coletiva Diz Trava Através do Olhar lança “Depois do Fim - a Jornada de uma criança sem nome”, dramaturgia inédita em formato online, no próximo dia 27 de março

Escrita pelas atrizes e dramaturgas Carmen Marçal e Sol Markes, a obra apresenta a história de uma criança que descobre o mundo e vai se encontrando com diferentes personagens em suas descobertas, buscando criar novos imaginários sobre o universo trans

Quando se conheceram em 2019, no curso de atuação do Teatro Universitário da UFMG, as atrizes Carmen Marçal e Sol Markes não imaginavam que um dia escreveriam uma peça de teatro juntas. Durante os anos de formação, as artistas se aproximaram e, na pandemia, com a impossibilidade de se apresentarem nos palcos presencialmente e com o desejo latente de criarem um trabalho fora da instituição de ensino, decidiram fazer um projeto juntas. 

Aprovadas na Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte em 2021, iniciaram o processo de escrita de uma peça de teatro inédita. A obra chega para todo o público no próximo dia 27 de março, em formato ebook, por meio da plataforma Issuu, de forma digital e gratuita. A peça será acompanhada também de um audiobook, para maior acessibilidade.

“Depois do Fim - a Jornada de uma criança sem nome” é a segunda dramaturgia da coletiva Diz Trava Através do Olhar, fundada pelas duas artistas, com o objetivo de pensar outras narrativas, outras dramaturgias, outros imaginários, sobre o universo trans. A peça conta a história de uma criança, que não tem o seu gênero pré-definido, na descoberta de novos mundos, onde vai se deparando com diferentes personagens ao longo dessa travessia.

Tendo como referências artistas e pesquisadoras como Linn da Quebrada, Ventura Profana, Jota Mombaça, Castiel Vitorino e Denise Ferreira da Silva, além do clássico “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carroll, o trabalho busca trazer representações de vidas transgêneras além da dor e da violência, apostando no encontro e no encanto como caminhos para se fortalecer no mundo em que vivemos e como um instrumento de força, afeto e prazer. A obra não tem como objetivo ser um trabalho didático, e sim estabelecer uma troca, um diálogo, não apenas com pessoas LGBTQIA+, mas diferentes públicos.

Durante o processo de escrita, as autoras realizaram uma residência artística de 3 meses e uma oficina de escrita criativa com duração de 2 dias, em que se encontraram com outras artistas e pessoas de Minas Gerais e, por meio de exercícios de escuta e de escrita, puderam transitar por conceitos e temas como ficção visionária, palavra como feitiço, sagrado e divino, performance, ritual, figuras fantásticas e extraordinárias, além de inteligência artificial. Um encontro performativo-ritual na Praça do Papa também marcou uma das etapas da criação, em que diferentes artistas trans puderam acolher e celebrar suas existências juntes.

A pesquisa para a dramaturgia de “Depois do Fim - a Jornada de uma criança sem nome” parte de uma crítica ao arquétipo masculino do herói na literatura ocidental, buscando contrapor as histórias clássicas aos processos decoloniais na contemporaneidade. Contudo, mais que negar a jornada do herói, as artistas perceberam que poderiam expandir essa fórmula. As autoras descobriram que a ideia de heroína também não seria suficiente para contemplar a vida de pessoas trans, e, mais do que isso, que as corpas trans não precisariam necessariamente ter trajetórias apenas heróicas e de sucesso, assumindo suas contradições e fracassos, e buscando a valorização da vida enquanto processo.

Partindo do poema “criança suja”, escrito por Carmen, ela e Sol escreveram toda a dramaturgia presencialmente, pensando cada palavra juntas. Transitando por diferentes visibilidades, poéticas e sonoridades, a obra tem elementos do drama, do lírico e do épico, passando pelo poema, pela narrativa e pelo diálogo, sem se fechar em um único gênero ou estilo literário. O ebook traz imagens e ilustrações da artista Madu Machado, além de notas da ilustradora, e texto de apresentação do escritor Pi Eta Poeta.

Além da dramaturgia no Issuu, haverá também o lançamento do trabalho em áudio e de uma leitura dramática do texto em vídeo no dia 29 de março, com atuação de Bramma Bremmer, Carmen Marçal, Eli Nunes, HYU, Luedji Aina, Madu Machado e Sol Markes, e gravação de Bruno Banjo e Iara Letícia, e edição de Ciber Org. Carmen e Sol têm ainda o desejo de encenar a peça futuramente e o trabalho já possui um desdobramento como filme confirmado para o segundo semestre deste ano, por meio do edital de cinema BH nas Telas, em que elas foram aprovadas no final de 2022. 

Mais informações no Instagram: https://www.instagram.com/diz.trava/. Este projeto é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte.

TRECHO DA PEÇA

“Eu fluo no curso quentinho com cheiro de abraço-madeira, terra-luzente em frescor, que atravessa a minha testa e vai na nuca, caindo no peito. Toco o céu da boca com a língua-enguia salivante. Escorrem gotas por meus braços desenhando linhas que enrugam meus dedos. Meus olhos ainda ardem, mas a neblina que os cobre se dissipa pouco a pouco. Me entrego ao percurso da água, sem que meus pés toquem o chão. Quase vôo. Pouso - um caldo me joga num canto mais raso do rego. Eu rio.”

TRECHO DA APRESENTAÇÃO POR PI ETA POETA

“Meu corpo está mudando 

E em breve terei outros portais. 

Meu corpo está mudando e já não sou cego pra minha própria beleza. Vejo o mato dentro de mim e me reconheço em cada pedra. 

Meu corpo está mudando e meus olhos também.”

SOBRE DIZ TRAVA ATRAVÉS DO OLHAR

O coletivo Diz Trava Através do Olhar nasce em 2020 com o desejo de criar e experimentar novos imaginários e modos de produção artísticos a partir de uma perspectiva com protagonismo trans. O grupo desenvolve uma pesquisa no campo das artes cênicas, conciliando apresentações artísticas com ações formativas. Dentre as linguagens pelas quais o coletivo se expressa estão teatro, performance, artes visuais, literatura, poesia e palhaçaria. Em 2021, foi aprovado o projeto Jornada da Heroína na LMIC (nº 0795/2021), que se trata de uma escrita dramatúrgica que passou pela realização de uma residência artística e de uma oficina de escrita criativa de forma virtual. No ano de 2022, o coletivo participou do Festival de Cenas Curtas de Artistas do Interior de Minas, realizado pela Casa Laboratório em Ipatinga com a cena Sol & Sombra e, ainda, esteve presente na Mostra Acuenda, realizada pelo Espaço Hibridus na mesma cidade, com uma oficina de criação multilinguagens voltada para o público jovem em parceria com o Básico - Coletivo Artístico. Ainda em 2022, a coletiva apresentou “Botão Zíper”, dramaturgia de Carmen Marçal, na forma de leitura dramática para a 10ª edição do Janela de Dramaturgia. 

SOBRE CARMEN MARÇAL

Carmen Ferreira Marçal nasceu em Contagem - MG e é graduanda em Letras - Estudos Literários e atriz formada no Teatro Universitário, ambos na UFMG. É cocriadora e dramaturga no coletivo Diz Trava Através do Olhar e uma das idealizadoras da Revista Reverbera. Em 2022, participou da 10ª edição da Janela de Dramaturgia com seu texto "Botão zíper" e publicou seu primeiro livro, "Baba nas costas". É uma pessoa transgênera e politeísta que busca trabalhar o encantamento e o encontro através de diferentes linguagens artísticas.

SOBRE SOL MARKES

Natural de Perdigão, interior de Minas Gerais, Sol Markes é atriz, escritora, performer e palhaça. Formou-se pela Escola de Teatro da PUC Minas e pelo Teatro Universitário da UFMG. É integrante do coletivo TeAto do Amanhã, grupo que atua em ações artísticas-performáticas e educativas na capital mineira e região metropolitana. E é também cofundadora da companhia Diz Trava através do Olhar, uma coletiva fluida que concilia ações artísticas e pedagógicas, criando e experimentando novos imaginários e modos de produção artísticos a partir de uma perspectiva e com um protagonismo trans.

FICHA TÉCNICA

Dramaturgia: Carmen Marçal e Sol Markes

Diagramação, Arte gráfica e Ilustração: Madu Machado

Edição Sonora: Ciber Org

Produção Executiva: HYU

Assessoria de Imprensa: Bramma Bremmer

Social Media: Sol Markes

SERVIÇO: “Depois do Fim - a Jornada de uma criança sem nome” 
Dia 27 de março na Plataforma Issuu, de forma digital e gratuita + audiobook
Leitura dramática em vídeo dia 29 de março no YouTube

Foto: Elis Souza Rockenbach

Selecionamos os melhores fornecedores de BH e região metropolitana para você realizar o seu evento.