Notícias

A artista de dança Heloisa Domingues estreia o solo “Membrança”, com direção de Dudude Herrmann

Com mais de 30 anos de trajetória na dança, a bailarina e improvisadora se lança numa primeira investigação solo. A temporada de estreia do espetáculo é gratuita, de 31 de março a 9 de abril (sexta a domingo)

Com 32 anos de trajetória na dança, com passagens pelo Grupo Corpo, Companhia de Dança de Minas Gerais - Palácio das Artes, Benvinda Companhia de Dança e Zikzira Phisical Theatre, a intérprete e criadora Heloisa Domingues se lança numa experiência solo com a estreia de "Membrança", no dia 31 de março (sexta). O solo de dança fica em cartaz até o dia 9 de abril, de sexta a domingo, às 20h, no Espaço Ambiente (Rua Grão Pará, 185, Santa Efigênia. Tel.: 31 3241 2020). Entrada gratuita. Distribuição de senhas 40 minutos antes da apresentação do espetáculo. Sujeito à lotação do espaço. Duração: 50 minutos. Gênero: Dança Extemporânea.

A bailarina irá ministrar também, nos dias 5 e 6 de abril (quarta e quinta), a oficina gratuita Dança Encontro-Improvisação para estudantes e profissionais da dança, ou artes afins, que queiram explorar as qualidades do movimento próprio e sua expressão no espaço. Enviar minicurrículo e carta de intenção para o e-mail membranca.danca@gmail.com, até o dia 02/04 (domingo). Resultado da seleção para oficina até dia 04/04 (terça). Projeto realizado com os recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte.

Segundo a artista, o novo trabalho veio do desejo e necessidade de habitar a cena em solo. "Dancei em companhias e em grupos e agora me escolhi sozinha. Mas ao mesmo tempo, nunca estive tão bem acompanhada, porque um solo tem várias vozes, não somente a minha", explica.

O trabalho começou a ser gerado nove anos antes quando Helô, como é carinhosamente apelidada pela equipe, participou do curso Movimento Somático, ministrado pela performer Rose Akras (SP), sobre o estudo do tecido conjuntivo do corpo e o acesso à qualidade do movimento, a partir da estimulação da pele dos ossos, dos músculos, dos órgãos.

Dessa experiência, veio a ideia do nome Membrança. Segundo a artista, essa junção de palavras surgiu antes de qualquer movimento pronto, mas de registros de sensações descobertos na oficina, como deslizamento da pele, lubrificação das articulações, diferença clara entre as camadas superficiais e as profundas do corpo, memórias dançadas, impregnações de qualidades de movimento", explica.

Helô explica que Membrança é uma palavra criada para nomear a relação entre os registros da experiência que ficam impregnados nas células dos tecidos do corpo e a membrana celular que permite a passagem do que nutre a célula. "Imagine duas fatias de pão de fôrma, com um tablete de manteiga dentro. Se colocamos um molho de tomate em cima de uma das fatias, esse molho não passa para a outra fatia porque a manteiga, camada de gordura, não permite. Mas se enfiamos algumas azeitonas sem caroço na manteiga e colocamos o molho de tomate novamente, esse irá atravessar e alcançar a outra fatia. Assim é o que faz a membrana da célula, ela determina o fluxo de fluidos para dentro e para fora da célula. Ao mesmo tempo em que protege (camada de manteiga), permite a passagem de nutrientes (azeitonas). Analogamente, somos assim também, como as fatias de pão de fôrma, da mesma espécie. É entre nós  que a membrana vive e registra as imagens do que passou por ali. Fiquei com desejo de dançar esse solo entre camadas, esse recheio permeável e seletivo onde o fluxo acontece”, explica.

A escolha de Dudude Herrmann para dirigir o trabalho foi algo natural. A parceria vem dos tempos da Cia Benvinda de Dança. "Ela me conhece há muitos anos e sabe das minhas inquietudes. Sempre me provocou com perguntas como "O que você quer, Heloisa? Onde você está, Heloisa? Foi com ela que aprendi a linguagem da improvisação. A sustentação da presença em dança para mover sem expectativas e sem arrependimentos. O que é mais desafiante é o exercício do abandono da esperança de um passado e de um futuro melhor. Aliás, melhor, pior, certo ou errado, não existem. Só existe estar ou não estar. Dudude me ensinou a dançar sensações, imagens, estados, sem coreografias”, conta.

Dudude acompanha Heloisa nos palcos há bastante tempo. Viu a artista dançar em várias companhias e gostava de assistir ao movimento dela. “Heloisa é uma bailarina, improvisadora disponível, com uma escuta atenta, desejosa de viver a dança”, explica Dudude.

Um dia Helô procurou o estúdio que Dudude tinha em Santa Efigênia, curiosa por outros saberes e começou a fazer aulas. “Nesse tempo a Benvinda, companhia que eu dirigia, estava montando o espetáculo ‘4 solos para 3 intérpretes’ (2002) e convidei Heloisa para integrar o corpo. Ela aceitou de pronto e começamos a estreitar laços de amizades, afinidades e estamos até hoje”, conta Herrmann.

GÊNERO: DANÇA EXTEMPORÂNEA

O gênero da peça foi nomeado por Helô e Dudude como Dança Extemporânea. Palavra muito usada na arquitetura, “Extemporânea” é aquilo que permanece, que está dentro e fora do tempo, tendo permanência perene e uma potência de atravessar tempos. Segundo Dudude, “nós artistas trabalhamos com a matéria corpo e um corpo guarda e preserva a história do mundo, da humanidade. Cada artista extemporaneamente traz em suas células este vento dos tempos, de eras e eras”, explica Herrmann.

OFICINA

Dança Encontro-Improvisação

Ministrante: Heloisa Domingues.

Experimentação da habilidade da consciência de perceber e reconhecer as sensações e imagens intrínsecas do movimento em estado presente de dança, praticar o diálogo com os espaços internos do corpo e o entorno, e aprender a tornar cênico o que é da cena.

Duração: 10 horas/aula

Público – alvo: estudantes e profissionais da dança, ou artes afins, que queiram explorar as qualidades do movimento próprio e sua expressão no espaço.

Inscrição: Enviar para o e-mail membranca.danca@gmail.com carta de intenção e minicurrículo até o dia 02/04. Resultado da seleção para oficina até dia 04/04.

SOBRE HELOISA DOMINGUES

Foi intérprete e criadora na Benvinda Companhia de Dança de Dudude Herrmann e na Zikzira Phisical Theatre (onde dançou e protagonizou no longa metragem de dança "Cinzas de Deus"), professora de Contato-Improvisação. Atuou como bailarina do Grupo Corpo, durante 5 anos, e da Companhia de dança de Minas Gerais - Palácio das Artes, por 7anos.  Bailarina do Grupo Camaleão onde teve sua primeira experiência profissional com 18 anos. Há 32 anos vem trilhando sua trajetória na dança, como improvisadora e, professora de Dança Extemporânea, mãe e psicóloga especializada em Experiência Somática e Dinâmica Energética do Psiquismo. Zikzira Phisical Theatre. 

SOBRE DUDUDE HERRMANN

Bailarina, improvisadora, coreógrafa, diretora de espetáculos, professora de dança e performer. Inicia seus estudos nos anos 70 como parte da geração do Grupo Trans-Forma BH/MG.  Dirigiu seu estúdio, de 1994 a 2008, e a Benvinda Cia de Dança, de 1992 a 2007.  Foi bolsista do Ministério da Cultura do Brasil – projeto Bolsa Virtuose 2000, em residência na França a convite de Josej Nadj (diretor do Centro Coreográfico de Orleans).  Em 2010 inaugura seu atelier de artista localizado  em Casa Branca –Brumadinho-MG,  onde desenvolve seus trabalhos de criação e promove ações focadas na arte contemporânea. Em 2011 lança seu livro “Caderno de Notações – a poética do movimento no espaço de fora” e estreia  “A Projetista”, trabalho que tem se apresentado por todo o país sendo um divisor de águas na trajetória da artista. Segue interessada e curiosa na conexão arte e vida.

Foto: Adriana Moura

Selecionamos os melhores fornecedores de BH e região metropolitana para você realizar o seu evento.