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Filarmônica de Minas Gerais recebe vencedor do Concurso Tchaikovsky Para Piano na quinta e sexta, 22 e 23 de março

Sob regência do maestro Fabio Mechetti, Orquestra apresenta noite russa com obras de Rimsky-Korsakov, Tchaikovsky e Stravinsky

O vencedor do mais recente Concurso Internacional Tchaikovsky na categoria piano, Dmitry Masleev, faz sua estreia com a Filarmônica nos dias 22 e 23 de março, na Sala Minas Gerais, às 20h30. Nesta noite russa, Masleev interpreta o Concerto para piano nº 1 em si bemol menor, op. 23, de Tchaikovsky. O público terá a oportunidade de ouvir, também, a primeira obra sinfônica escrita por Igor Stravinsky, a Sinfonia nº 1 em Mi bemol maior, op. 1 – ainda revestida da roupagem nacionalista de seu país de origem –, e a coloridaAbertura da ópera A noiva do Czar, de Rimsky-Korsakov. A regência é do maestro Fabio Mechetti.

Na série de palestras sobre obras, compositores e solistas que a Filarmônica promove antes das apresentações, das 19h30 às 20h, o convidado das duas noites será Arnon de Oliveira, professor de regência coral na Escola de Música da UFMG, além de regente e diretor artístico dos coros Madrigale e BDMG. As palestras são gravadas em áudio e ficam disponíveis no site da Orquestra.

Estes concertos são apresentados pelo Ministério da Cultura e Governo de Minas Gerais e contam com o patrocínio da Cemig por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Repertório

Sobre a ópera A Noiva do Czar

Nikolai Rimsky-Korsakov (Tikhvin, Rússia, 1844 – Lyubensk, Rússia, 1908) e a ópera A Noiva do Czar (1898)

A noiva do Czar, baseada no drama homônimo de Lev Mey e com libreto de Ilia Tyumenev, foi estreada em 3 de novembro de 1899 pela Ópera Privada de Moscou, sob a regência de Mikhail Ippolitov-Ivanov. A ópera conta a história de Marfa, cuja beleza estonteante é disputada pelo aristocrata Likov, pelo próprio Czar Ivan, o Terrível, e por Gryaznoy, um de seus guarda-costas. Escrita no estilo de Tchaikovsky, A noiva do Czar é repleta daquele lirismo vocal abundante que Rimsky-Korsakov havia abandonado em suas primeiras óperas. Na Abertura, dois temas dominam a cena, ambos executados pelos violinos e madeiras: o primeiro, extremamente enérgico e vigoroso, e o segundo, doce e lírico. Os dois temas são desenvolvidos e reexpostos até o ponto em que atingimos uma seção explosiva que parece nos conduzir ao fechamento da obra. Porém, de súbito, para nossa surpresa, Rimsky-Korsakov introduz um terceiro tema, contemplativo, na flauta, oboé e primeiros violinos, e a Abertura termina inesperadamente suave.

Sobre a Primeira Sinfonia de Stravinsky

Igor Stravinsky (Oranienbaum, atual Lomonosov, Rússia, 1882 – Nova York, Estados Unidos, 1971) e a Sinfonia nº 1 em Mi bemol maior, op. 1 (1905/1907)

Filho do mais aclamado baixo-barítono do mundo operístico russo da época, Fiódor Stravinsky, o jovem Igor cresceu habituado a óperas, teatros, ensaios e familiarizado com os mais célebres cantores e compositores da cena musical de São Petersburgo. Sua orientação formal em composição teve início em 1901, com Fiódor Akimenko e Vasily Kalafaty, ambos pupilos de Nikolai Rimsky-Korsakov. No verão de 1902, por sugestão de Vladmir Rimsky-Korsakov, filho do compositor e seu colega no curso de Direito, Stravinsky visitou Heidelberg a fim de mostrar seu portfólio ao mestre, que ali se encontrava de férias. Rimsky-Korsakov aceitou orientá-lo uma vez que ele compusesse uma sonata para piano e uma sinfonia. Começou a trabalhar na Sinfonia em Mi bemol em 1904, logo após a conclusão da Sonata para piano em Fá sustenido. No verão de 1905, Stravinsky concluiu o primeiro rascunho de uma obra de modelo convencional em quatro movimentos. Ao longo do trabalho de orquestração, o rascunho foi substancialmente modificado em razão das orientações semanais que passara a receber de Rimsky-Korsakov a partir do outono de 1905. Embora o segundo e o terceiro movimentos tenham sido estreados em 29 de abril de 1907, os dois outros só foram finalizados no verão daquele ano, e a obra completa, na noite de 22 de janeiro de 1908, pela Orquestra da Corte, num concerto que, para Stravinsky, marca sua estreia oficial como compositor.

Sobre o Concerto para piano nº 1 em si bemol menor

Piotr Ilitch Tchaikovsky (Votkinsk, Rússia, 1840 – São Petersburgo, Rússia, 1893) e o Concerto para piano nº 1 em si bemol menor, op. 23 (1874)

Um toque imperativo de quatro trompas em uníssono, em quatro notas, contrapostas por poderosos acordes da orquestra, preparam o ouvinte para o célebre tema da mais popular obra do gênero, reconhecida como o “concerto para piano por excelência”. Ao longo de sua vida, Tchaikovsky escreveu três concertos para piano e orquestra, sendo o último incompleto, mais o Concerto-fantasia. Inspirado no virtuosismo do discípulo Sergei Taneyev, finalizou o Concerto nº 1 em 1874 e dedicou-o ao pianista Nikolai Rubinstein, fundador do Conservatório de Moscou (hoje Conservatório Tchaikovsky). Rubinstein, todavia, não recebeu bem a homenagem e disse que a peça era “de difícil execução” e “absolutamente sem valor”, recomendando que fosse jogada fora ou radicalmente reescrita. Decepcionado, Tchaikovsky não mudou uma única nota de sua obra, mas trocou a dedicatória, redirecionando-a ao grande regente Hans von Bülow, discípulo e genro de Franz Liszt. Von Bülow estreou a obra em Boston, Estados Unidos, em 1875, e mais tarde na Alemanha, conferindo ao concerto o status de obra-prima cosmopolita e sucesso absoluto que mantém até hoje.

Maestro Fabio Mechetti

Diretor Artístico e Regente Titular da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais desde sua criação, em 2008, Fabio Mechetti posicionou a orquestra mineira no cenário mundial da música erudita. Além dos prêmios conquistados, levou a Filarmônica a quinze capitais brasileiras, a uma turnê pela Argentina e Uruguai e realizou a gravação de oito álbuns, sendo três para o selo internacional Naxos. Natural de São Paulo, Mechetti serviu recentemente como Regente Principal da Filarmônica da Malásia, tornando-se o primeiro regente brasileiro a ser titular de uma orquestra asiática.

Nos Estados Unidos, Mechetti esteve quatorze anos à frente da Orquestra Sinfônica de Jacksonville e, atualmente, é seu Regente Titular Emérito. Foi também Regente Titular das sinfônicas de Syracuse e de Spokane, da qual hoje é seu Regente Emérito. Regente associado de Mstislav Rostropovich na Orquestra Sinfônica Nacional de Washington, com ela dirigiu concertos no Kennedy Center e no Capitólio. Da Sinfônica de San Diego, foi Regente Residente. Fez sua estreia no Carnegie Hall de Nova York conduzindo a Sinfônica de Nova Jersey. Continua dirigindo inúmeras orquestras norte-americanas e é convidado frequente dos festivais de verão norte-americanos, entre eles os de Grant Park em Chicago e Chautauqua em Nova York.

Igualmente aclamado como regente de ópera, estreou nos Estados Unidos dirigindo a Ópera de Washington. No seu repertório destacam-se produções de Tosca,Turandot, Carmem, Don Giovanni, Così fan tutte, La Bohème, Madame Butterfly, O barbeiro de Sevilha, La Traviata e Otello.

Suas apresentações se estendem ao Canadá, Costa Rica, Dinamarca, Escandinávia, Escócia, Espanha, Finlândia, Itália, Japão, México, Nova Zelândia, Suécia e Venezuela. No Brasil, regeu todas as importantes orquestras brasileiras.

Fabio Mechetti é Mestre em Regência e em Composição pela Juilliard School de Nova York e vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko, da Dinamarca.

Dmitry Masleev, piano

Uma das jovens revelações do piano, Dmitry Masleev vem estabelecendo sua carreira profissional com apresentações elogiadas pela crítica e muito bem recebidas pelo público. Vencedor do Concurso Internacional Tchaikovsky de 2015, apresentou-se recentemente com a Filarmônica e a Sinfônica de Munique, além de ter participado de importantes festivais na Alemanha e na França. Em janeiro de 2017, Masleev fez seu aguardado début em recital no Carnegie Hall, onde interpretou um programa com Scarlatti, Beethoven, Prokofiev, Rachmaninov e Liszt, em uma performance que o jornal New York City Informer chamou de “vívida e propulsora”. Nascido e criado em Ulan-Ude, cidade da Rússia siberiana próxima à fronteira com a Mongólia, Masleev estudou no Conservatório de Moscou e na Academia Internacional de Música no Lago de Como. Recentemente, apresentou-se em recitais com o também virtuoso pianista russo Boris Berezovsky.

Sobre a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais

Criada pelo Governo do Estado e gerida pela sociedade civil, a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais fez seu primeiro concerto em 2008, há dez anos. Diante de seu compromisso de ser uma orquestra de excelência, cujo planejamento envolve concertos de série, programas educacionais, circulação e produção de conteúdos para a disseminação do repertório sinfônico brasileiro e universal, a Filarmônica chega a 2018 como um dos mais bem-sucedidos programas continuados no campo da música erudita, tanto em Minas Gerais como no Brasil. Reconhecida com prêmios culturais e de desenvolvimento econômico, a nossa Orquestra, como é carinhosamente chamada pelo público, inicia sua segunda década com a mesma capacidade inaugural de sonhar, de projetar e executar programas valiosos para a comunidade e sua conexão com o mundo.

Foto: Alikhan Photography

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