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Sesc Palladium recebe encenação de Carmina Burana de 24 a 26 de março
O Núcleo de Música Coral UFMG apresenta a cantata cênica Carmina Burana, de 24 a 26 de março (sexta a domingo), no Grande Teatro do Sesc Palladium. Com direção geral do artista, pesquisador e professor Ernani Maletta, montagem une as linguagens da música e teatro, com 230 artistas no palco, entre cantores, atores e instrumentistas.
Baseada em poesias latinas medievais que mesclam o sagrado e o profano, a montagem mineira se destaca por apresentar uma encenação livremente inspirada em filme do cineasta Jean-Pierre Ponnele, lançado em 1975. Dessa forma, remete à proposta original do alemão Carl Orff, que em 1937 criou a obra como uma cantata cênica. O espetáculo do Núcleo de Música Coral UFMG, que já foi apresentado em dezembro de 2016 no mesmo teatro com ingressos esgotados, conta, além de 19 atores e 6 cantores solistas, com 6 corais – que reúnem quase 200 integrantes –, dois pianos e percussão executados ao vivo, sob a regência do jovem maestro Eduardo Teixeira Mendes, criando grande impacto para uma das criações eruditas mais conhecidas do século XX.
Segundo Ernani Maletta, a montagem buscou trazer ao palco a proposta e o olhar dramatúrgico do diretor Ponnele, que sai da abstração para criar uma forte narrativa para as poesias. "Quase todo mundo já ouviu O Fortuna, o tema inicial de Carmina Burana, mas essa será uma oportunidade para o público conhecer a força da história, que tem como tema central os jogos de poder, as críticas sociais, o caráter erótico", afirma o diretor, que tem importantes trabalhos ao lado de nomes como Gabriel Villela, Grupo Galpão e assinou a direção musical da elogiada adaptação teatral de O Grande Circo Místico, em 2014. Maletta conta que o sucesso da apresentação do ano passado motivou essa nova temporada. "Fiquei muito feliz e surpreendido com o resultado final. Por ser um projeto muito ousado e envolver tanta gente, só vi o todo mesmo na hora da estreia, junto ao público. Fiquei muito impressionado com o que esses meninos fizeram", lembra Ernani referindo-se aos integrantes do Núcleo de Música Coral UFMG, muitos deles alunos, funcionários e sem uma experiência cênica anterior desse porte.
A obra
Carmina Burana conta com 24 poesias latinas medievais, onde não existe o bem sem o mal, o sacro sem o profano e nem fé sem maldições – uma oscilação na qual se encontra a grandeza da Humanidade. A cantata é emoldurada por um símbolo da Antiguidade, o conceito da Roda da Fortuna, eternamente girando, trazendo alternadamente boa e má sorte, uma parábola da vida humana exposta a constante mudança. O apelo em coral à Deusa da Fortuna (O Fortuna, velut luna) tanto introduz quanto conclui a obra, que se divide em três seções: o encontro do Homem com a Natureza, particularmente na primavera (Veris leta facies); o dom do vinho (In taberna) e seu encontro com o Amor (Amor volat undique).
Carmina Burana – ou Canções de Beuern – é o nome dado a um manuscrito de 254 poemas e textos dramáticos dos século XI e XII. Em sua maioria picantes, irreverentes e satíricas, as peças foram escritas principalmente em latim medieval. 24 destes poemas foram musicalizados por Carl Orff em 1936, tendo sido apresentada pela primeira vez na Ópera de Frankfurt em Junho de 1937, causando grande impressão sobre o público – a aclamação mundial que recebeu a partir daí mostra a permanência de seu efeito hipnótico. Tal composição rapidamente se tornou popular, sobretudo com o movimento de abertura e de encerramento, "O Fortuna", tendo sido utilizada em produções artísticas dos mais variados gêneros, tornando-se uma das peças clássicas mais ouvidas desde que foi gravada.
Sobre o Núcleo de Música Coral UFMG
Criado em 1998, o NMC é um Programa de Extensão da UFMG que reúne seis coros adultos espalhados pelo campus. Em seus quase 20 anos de história, tem compartilhado a prática musical e seus benefícios com a sociedade. Os corais atuam de forma independente, com seus próprios repertórios, estética e demandas. Em 2016 o Núcleo encarou o desafio de pensar uma integração entre os grupos, culminando com a montagem do espetáculo Carmina Burana, o que ainda aproximou a comunidade acadêmica para o processo. Funcionários e estudantes da Engenharia, Letras, Medicina, Música e Teatro fazem parte do elenco desta grandiosa montagem cênica, que totaliza um corpo de mais de 200 integrantes, além de equipe de produção.
Sobre Ernani Maletta
Diretor cênico e musical, ator, cantor e professor do Curso de Graduação em Teatro e da Pós-Graduação em Artes da EBA/UFMG. Doutor em Educação, sua pesquisa acadêmica focaliza a vocalidade e a musicalidade da polifonia cênica. É reconhecido pela intensa participação na criação de espetáculos de teatro em âmbito nacional e internacional, ao lado de nomes como Gabriel Villela, Paulo José, Márcio Abreu e do diretor italiano Federico Tiezzi. Atua ativamente na Itália desde 2011, tanto na criação quanto na formação artística, ao lado da renomada artista e pesquisadora italiana Francesca Della Monica. Conhecido pela preparação e direção musical de diversos espetáculos do Grupo Galpão desde 1994, também por sua atuação como cantor do grupo Nós&Voz, no canto-coral como maestro e diretor cênico do grupo Voz&Companhia. Foi o diretor musical da versão teatral de O Grande Circo Místico (2014), indicado por Edu Lobo, e é o primeiro brasileiro a assinar a dramaturgia musical de uma tragédia grega apresentada no Teatro Grego de Siracusa/Itália, onde Ésquilo se apresentou e, há mais de 100 anos, são produzidos festivais de tragédias e comédias antigas, que contaram com a participação de grandes artistas como Pier Paolo Pasolini, Irene Papas, Luca Ronconi, MikisTheodorakis, Vittorio Gasman, Jaques Lecoq, Marta Graham, entre outros.
Sinopse
Carmina Burana é uma cantata cênica que reúne24 poesias latinas medievais, musicadas por Carl Orff em uma grande obra para coral, atores, dois pianos e percussão, segundo a qual não existe o bem sem o mal, o sacro sem o profano e nem fé sem maldições: uma oscilação, na qual se encontra a grandeza da humanidade. Nessa criação, com direção geral de Ernani Maletta, o Núcleo de Música Coral da UFMG faz uma integração entre as linguagens da música e do teatro, apresentando a cantata em sua forma original, com encenação livremente inspirada nos escritos/poemas e na marcante obra cinematográfica de Jean-Pierre Ponnelle.
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