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Grupo AFO!TA Teatro, de São João del-Rei, apresenta o espetáculo "Morada" em BH

A circulação da montagem foi viabilizada graças aos recursos do edital Trilha Cultural, do BDMG Cultural, que selecionou 10 projetos ao todo.

As famílias brasileiras estão se transformando com o passar dos anos. A concepção de "família tradicional brasileira", formada por um casal heterossexual com filhos felizmente já não é dominante em números. Os novos arranjos familiares têm crescido cada vez mais, apresentando uma composição estrutural mais moderna e contemporânea incluindo casais sem filhos, mulheres e homens solteiros, casais homoafetivos com e sem filhos, entre várias outras.

Essas mudanças se tornam ainda mais importantes, uma vez que o núcleo familiar seja apontado como principal responsável por ensinar e cultivar valores e conceitos ao cidadão. Partindo desta premissa, o grupo AFO!TA Teatro, original de São João del-Rei, mergulhou num extenso processo de pesquisa para a construção da dramaturgia do espetáculo "morada", um mergulho nas relações familiares ao expor afetos, desentendimentos, contradições e situações inerentes a todos nós. A montagem poderá ser conferida na capital mineira nos dias 26, 27, 28 e 29 de março, no Teatro Raul Belém Machado. Nos dias 04 e 05 de abril o grupo se apresenta em Sete Lagoas e nos dias 18 e 19 de abril em Juiz de Fora. Todas as apresentações serão gratuitas.

"Procuramos desconstruir um pouco desse mito da 'instituição família'. Tenho a impressão de que é mais embaraçoso, difícil, onde dói mais, as pessoas não mexem.  É claro que tem muita coisa boa que acontece dentro de uma casa, mas existe um universo sombrio e perverso também. No espetáculo a gente traz tudo: toda a complexidade dos laços e desenlaces e dos sentimentos que permeiam as relações", conta a atriz Priscila Natany.

A montagem procura abordar a temática familiar apresentando questões universais e plurais presentes nas diferentes composições familiares da sociedade brasileira, não se limitando a situações específicas de determinada classe social, etnia, religião e orientação sexual.

"Ao eleger tratar sobre família, nos deparamos com questões como 'O que há por trás da fachada de cada família/morada?' Percebemos que no próprio grupo as percepções sobre essa ideia social eram bastante diferenciadas de acordo com a trajetória de cada um. Por isso, escolhemos trazer para a cena situações e figuras que de algum modo pudessem dar conta de questionar os formatos comumente aceitos de modo realista, mostrando as muitas faces das relações que se estabelecem neste meio e investigando como o tema gera confrontos e confortos em qualquer sujeito", afirma o ator Kaike Barto.

A peça é resultado de um processo artístico e criativo onde os artistas experimentam formas diversas de colocar em prática na cena os discursos, inquietações e significados próprios perante o mundo, sempre em um trabalho horizontal e de construção semântica coletiva.

"A construção dramatúrgica de morada é assinada pelo grupo e se deu a partir de pequenos estímulos e inquietações dos atores. No início do processo, realizamos vivências onde cada integrante pôde conduzir práticas e compartilhar suas pesquisas pessoais de maneira ampla, sem recortes. Ao longo dos encontros, percebemos a recorrência da temática família nas improvisações e por isso, decidimos mergulhar neste universo", conta o ator.

O espetáculo "morada" teve sua pré-estreia realizada no dia 19 de agosto de 2017, Dia do Ator, na cidade de Barroso. Desde então, a montagem cumpriu temporadas nas cidades de Barbacena e São João del-Rei, onde o grupo se formou.

:: Sobre AFO!TA :: www.afoitateatro.wordpress.com

Em 2016, os seis jovens alunos do curso de Teatro da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) se uniram para criar um trabalho artístico e alçar voos. Formado inicialmente por Priscila Natany, Alessandra Silva, Júlia Dusi, Kaike Barto, Marcos Fonseca e Roger Xavier, todos os integrantes também partilham da formação técnica em teatro oferecida pela extinta Cia. teatral ManiCômicos/atual Teatro da Pedra. Depois dessas experiências, os integrantes optaram pelo agrupamento e defesa das ideais teatrais em comum.

A escolha da palavra "afoita" para nomear o grupo se deu após um reconhecimento tardio de que a soma de todos os esforços para fazer teatro no interior mineiro exigiria muita coragem e ousadia", explica Xavier.  Atualmente, o grupo conta também com a colaboração de Júnio de Carvalho na contrarregragem , Natália Vargas como musicista e Ricardo Ribeiro na iluminação.

Foto:Divulgação

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