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Guerra na Ucrânia: empresas brasileiras também estão sujeitas às sanções impostas à Rússia

Jorge Lasmar, advogado especialista em segurança internacional, coordenador do curso de Mestrado da Faculdade Milton Campos, explica como as corporações brasileiras podem sofrer as mesmas sanções impostas às empresas russas

A guerra na Ucrânia está prestes a completar um mês, sem que o mundo vislumbre uma solução imediata para o fim do conflito. Diversas nações empregaram medidas para isolar economicamente a Rússia e, a essa imposição, vem a reboque todos os países que possuem relações comerciais com os russos e com aqueles que conferiram sanções ao território de Vladimir Putin. Jorge Lasmar, advogado especialista em segurança internacional e professor da Faculdade Milton Campos, explica o cenário. “Trata-se do que chamamos no Direito de ‘efeito extra territorial da lei’. As empresas não são obrigadas a cumprir as sanções impostas pelos Estados Unidos e União Europeia à Rússia, mas se não seguirem, podem virar objeto de represálias”. O panorama, de acordo com Lasmar, fez com que as consultorias de Direito Internacional dessem um salto, desde o anúncio das sanções.

Segundo o especialista, no caso dos Estados Unidos, por exemplo, a lei se aplica aos cidadãos e corporações norte-americanas. Contudo, os EUA podem retaliar empresas que optarem por não seguir as medidas impostas. “As corporações têm de fazer uma análise de risco e decidir se vão assumir a ameaça de serem sancionadas pelas nações onde possuem parcerias comerciais.”

O Brasil já vivenciou ameaças de sanções por parte dos Estados Unidos. Em 2006, a Embraer cogitou uma venda de aeronaves para a Venezuela, país que à época sofria sanções aplicadas pelo governo norte-americano. Sob a ameaça de sanção por parte dos EUA – a Embraer vende para o mercado estadunidense e compra peças de indústrias norte-americanas – a empresa brasileira desistiu da venda para o país vizinho.

Outro caso, relembra Lasmar, foi de um navio de bandeira iraniana que parou em águas brasileiras para abastecer. O Itamaraty precisou intervir para impedir sanções dos EUA à Petrobras. Na época do episódio, o Irã sofria sanções por parte dos Estados Unidos.

“As empresas precisam estar resguardadas por meio de programas de Compliance, além de fazer o cálculo de risco e avaliar suas relações econômicas”, ratifica o advogado.

O especialista está disponível para repercutir esse panorama e abordar também outros recortes do conflito na Ucrânia.

Fonte para a imprensa: Jorge Lasmar, advogado especialista em segurança internacional, coordenador do curso de Mestrado da Faculdade Milton Campos.

Foto: Ilustrativa

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