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Show: Òjò, Deixa chover, de Glaw Nader apresenta a música negra neste domingo, 20/3
Glaw Nader apresenta, com seu octeto, um repertório ousado, negro e muito marcante
A musicista Glaw Nader estreia o show “Òjò - Deixa chover”, no teatro Raul Belém Machado (rua Jaurá, 80. Bairro Alípio de Melo), no dia 20 de março, domingo, às 19h. O repertório do show conta com cinco canções autorais e mais outras oito músicas de Baden Powell, Moacir Santos e Tânia Maria. Glaw pretende com esse show, além de levar a arte da música instrumental e jazzística para o público, elevar a produção musical preta. “Como artista mulher negra, entendo o lugar "não lugar" que nos é "reservado", por assim dizer, na música que é nossa. Como pesquisadora, me dedico, desde 2017, à pesquisa da música afro-diaspórica nas Américas, por entender que, tudo o que é produzido em nosso continente em termos de música vem da África”, explica a artista. Os ingressos para o show custam R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia) e podem ser comprados na bilheteria do teatro.
Tocando seu piano, Glaw será acompanhada pelos músicos Vinicius Augustus, no saxofone, Pedro Mota, no trompete, Leonardo Brasilino, no trombone, Estevan Barbosa, na bateria, Daniel Guedes, na percussão, Thiago Hamsik, no baixo e Samuel Ekel, no teclado, nesta apresentação que mostrará o poder da música preta. “Vou levar para o palco um repertório ousado, negro, e muito marcante. Mas, poderia dizer aqui que por ser um show híbrido (de canção e instrumental), já traz em si muita dinamicidade e novidade. Também vou usar a voz como instrumento em algumas músicas”, revela a artista.
Sobre as canções da apresentação, Glaw afirma que a inspiração é a própria música. “O repertório do show tem 13 canções, entre elas composições instrumentais autorais, além das releituras de Baden, Moacir e Tânia Maria. A própria música é o que me inspira. Às vezes, me pego ouvindo um álbum repetidas vezes e depois estou cantarolando e criando melodias a partir disso”, conta a musicista. “A primeira das minhas composições é “La Verdad”, tem influência andaluza e jazzística. “Cores do Brasil” traz na introdução um tribal afro com percussão e metais bastante poderosos, convergindo para um samba-funk, sempre com um espaço generoso para os solos. Também estará no show a música “Deixa Chover”, um afro-jazz com tudo o que tem direito: passando pelas fases da chuva, demonstradas em cada uma das partes. A composição mais recente é “Stars”, que nasceu na pandemia, e é uma parceria minha com o Samuel Ekel”, explica a artista.
Musicista desde sempre, Glaw lembra que recebeu seu primeiro cachê nesse ofício com 11 anos e tocar piano veio antes de soltar a voz. A cantora assumiu os dois ofícios, tocar e cantar em 2021. “Tive uma formação em conservatório, mas, em pouco tempo descobri que a minha pulsão estava na música popular. Sou bacharel e mestre em música pela UFMG, com ênfase em Performance Musical, tendo a improvisação vocal jazzística como meu objeto de estudo e pesquisa. Atualmente, curso o doutorado em música, também na UFMG, na linha de Performance Musical, e minha pesquisa é sobre o scatting brasileiro, me aprofundando na improvisação vocal brasileira, com um recorte especial na performance do grande João Bosco”, revela. A artista é professora de canto no bacharelado em Música Popular na UFMG. Glaw criou, em 2016, a pioneira Jazz Band Aurora Boreal, formada somente por músicos pretos e o curso “Sem segredo”. “Meu curso on-line de música, com foco em trazer às mulheres, a informação musical de que necessitam no ofício de musicistas, de um jeito descomplicado. E tem sido uma grata surpresa a adesão”, observa a artista. Em 2022, Glaw já está confirmada na programação do Savassi Festival e vai lançar seu disco “Tempo de amor”, um tributo a Baden Powell.
Glaw leva à sério a afirmação de Nina Simone (1933 – 2003) que diz que “um artista deve refletir o seu tempo". “Vivo nesse sentido, de fazer minha música algo que não seja bobo, mero entretenimento. Espero inspirar outras mulheres, e principalmente mulheres artistas pretas, a acreditarem nos seus processos artísticos e trabalho. Quero tirar esse ranço que muita gente tem do jazz, sabe? E mostrar que essa música também pode ser acessível”, afirma a musicista. Glaw explica que o seu DNA negro e as religiões de matriz africana estão sempre presentes em suas composições como uma afirmação da beleza, da inventividade, diversidade e sofisticação da arte preta. “ÒJÒ significa chuva em Iorubá. A escolha do nome começou com uma referência à uma de minhas composições: "Deixa Chover" que dá nome ao show. A escolha de uma palavra em Iorubá para compor o nome do show tem tudo a ver com como me relaciono com minhas raízes. Sou uma artista preta, orgulhosa de minha genética e apaixonada pela sonoridade e mistério que se ouve no iorubá; linguagem presente, inclusive, nos terreiros. É uma escolha estética e política, também. Tem a ver com conexão com minhas raízes. E com o meu desejo de me conectar com quem eu sou, de onde eu vim”, conclui a artista.
SERVIÇO
Glaw Nader em “Òjò - Deixa chover”
Data: 20 de março, domingo
Horário: 19h
Local: Teatro Raul Belém Machado (rua Jaurá, 80. Bairro Alípio de Melo)
Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia) – na bilheteria do teatro
O uso de máscara é obrigatório.
Foto: Iana Domingos
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