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Cresce a atuação de líderes femininas em empresas brasileiras

Pesquisa da Grant Thornton aponta que no ano passado, mulheres ocupavam 38% dos cargos de liderança no Brasil, crescimento de 13 pontos percentuais em comparação a 2019. Na Água Mineral Viva, indústria em Itaúna, por exemplo, os três principais postos são ocupados por profissionais do sexo feminino

No Dia Internacional da Mulher, um número otimista que, apesar de ainda não ser tão alto, aos poucos vem contribuindo para o estabelecimento da igualdade de gênero dentro do universo corporativo: No ano passado, as mulheres ocupavam 38% dos cargos de liderança no Brasil, de acordo com uma pesquisa realizada pela Grant Thornton com cerca de 250 empresas. Apesar da pequena queda em relação ao estudo de 2021 - quando 39% delas estavam em posições de poder - a presença do gênero feminino nos altos postos cresceu nos últimos anos. Em 2019, era de 25%.

Na comparação com outros países, o Brasil está atrás de África do Sul (42%), Turquia e Malásia (40%) e Filipinas (39%), mas, em compensação, tem um resultado melhor do que a média da América Latina (35%).

Em Minas Gerais, por exemplo, uma gigante do setor de água mineral, a Água Mineral Viva, indústria localizada em Itaúna, região Centro-Oeste do estado, passou, há menos de dois anos, por um processo de reestruturação no organograma, feito com a expertise da Fundação Dom Cabral. A partir daí, os três principais cargos da empresa, presente em 500 dos 853 municípios de Minas e com 145 funcionários, passaram a ser geridos exclusivamente por mulheres: Karina Nogueira na superintendência comercial; Roberta Simões, responsável pelo administrativo/financeiro; e Delane Mabel, à frente de toda a área operacional da fábrica. Elas também estão na dianteira de outros cargos estratégicos na organização: há líderes no setor de controladoria, Recursos Humanos, setor de produção, etc. “Apesar de a liderança feminina ainda ser desafiadora, já que muitas vezes temos que provar nossa competência em dobro, percebo que o cenário empresarial tem se mostrado mais receptivo a nós. E isso deve ser visto de forma cada vez mais natural, afinal é coisa do passado pensar o oposto, ir na contramão do desenvolvimento. A mulher não só pode como deve estar aonde ela quiser. Vale lembrar que competência e talento não se medem por gênero”, destaca Karina acrescentando que a liderança feminina tem um olhar mais diferenciado e holístico, voltado não só para as questões operacionais/mercadológicas, mas também para o capital humano. “A gente consegue olhar o outro, acho que com mais cuidado”. 

Desde que assumiu o desafio de comandar a Água Mineral Viva, a gestora, inclusive, vem se empenhando com suas colegas em ações que buscam valorizar o profissional para além dos muros da empresa. “Todos os meses, por exemplo, desenvolvemos campanhas que estimulam o bem estar dos nossos colaboradores. Em janeiro, trabalhamos a importância da saúde mental. Neste mês vamos focar nossas ações para as mulheres, falar do cuidado para evitar relacionamentos abusivos, por exemplo”, cita.

Ainda de acordo com Nogueira, uma empresa de transportes acaba de ser contratada para oferecer o trajeto dos funcionários da casa até à fábrica. “Tínhamos só um ônibus que fazia esse serviço. Ele rodava pela cidade toda e, com isso, nossos funcionários, que moram em Itaúna e municípios próximos, demoravam bastante tempo para chegar em casa. Agora teremos dois micro-ônibus. Logo, esperamos reduzir o percurso, justamente pensando na qualidade de vida da equipe”

Colega de Karina na administração da Água Mineral Viva, Delane Mabel percebe que as mudanças implementadas pelo trio feminino, refletem, inclusive, em melhorias na produtividade da empresa. “As pessoas estão mais engajadas, a comunicação mais eficaz. Pela experiência de fazer parte de uma empresa com lideranças 100% femininas, percebo que somos multidisciplinares além de termos grande capacidade para fazer alianças e criar relações humanas, não só na empresa, mas também junto aos fornecedores, clientes e sociedade”, afirma a gestora, que faz parte do quadro há 14 anos e nesta trajetória já passou pelos cargos de química, gerente industrial até assumir a superintendências de operações.

Roberta Simões completa a fala de Delane acrescentando que as mulheres têm um papel fundamental na geração de espaços de trabalho e lideranças mais equitativos e inclusivos, com maior sensibilidade, o que às aproxima das pessoas e garante expressividade. “É claro que a discussão aqui não é sobre homens versus mulheres ou o que cada um faz de melhor. É lógico que temos lideranças masculinas também atentas aos recursos humanos e com olhar extremamente sensível, mas a minha fala vem a partir de um contexto de mudança que percebo na empresa a partir de nossa atuação”.

Foto: Victor Schwaner

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