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Leda Maria Martins recebe hoje o título de professora emérita da UFMG
Pioneira nos estudos das artes cênicas negras, docente da Faculdade de Letras desempenhou papel fundamental na institucionalização da área cultural na Universidade
Nesta quinta-feira, 5 de março, a professora Leda Maria Martins, da Faculdade de Letras da UFMG, receberá o título de Professora Emérita em cerimônia no auditório A104, do Centro de Atividades Didtáticas (CAD) 1, a partir das 18h. A honraria é um reconhecimento aos docentes aposentados cujos serviços ao magistério e à pesquisa são considerados de “excepcional relevância”. A saudação será proferida pelo professor Marcos Antônio Alexandre, para quem “Leda Maria Martins atende e extrapola os pré-requisitos para a titulação, sendo uma referência para pesquisadores de diversas universidades brasileiras e estrangeiras”. A solenidade será presidida pela reitora Sandra Goulart Almeida.
A atuação da docente na UFMG, iniciada em 1993, é marcada pelo pioneirismo nas áreas de Estudos da Performance, Literatura Brasileira e Literatura Comparada, destacando-se especialmente nos trabalhos relacionados à música, poesia e teatros negros. Marcos Alexandre sublinha que a docente não se enquadra em apenas uma feição, caracterizando-a como plural. “Além de professora, dramaturga, diretora, ensaísta e poeta, é rainha de Nossa Senhora das Mercês do Reinado de Nossa Senhora do Rosário do Jatobá”, enumera.
Em sua vasta produção intelectual, Leda Martins formulou operadores teóricos que se tornaram fundamentais para o campo acadêmico, como os conceitos de “corpo-tela”, “encruzilhada”, “oralitura” e “tempo espiralar”. Essa visão foi essencial para consolidar as artes cênicas no currículo da UFMG, tendo a professora sido a responsável, em 1999, pela criação do curso.
Leda também empresta seu nome a um prêmio dedicado ao reconhecimento e à valorização da produção das artes cênicas negras brasileiras, o Prêmio Leda Maria Martins (PLMM), que chegou à sua nona edição no ano passado.
Ação Cultural
Como diretora de Ação Cultural (DAC) da Universidade, cargo que ocupou de 2014 a 2018, Leda Martins contribuiu imensamente para os cursos de Formação Transversal e participou efetivamente do projeto de criação da Pró-reitoria de Cultura (Procult), instituída em 2022. Sua experiência também foi decisiva na concepção do Doutorado por Notório Saber na UFMG.
Ao longo de sua carreira, Leda integrou a vida acadêmica à sua atuação como liderança tradicional no Reinado do Jatobá. “Onde estou, o reinado está. Onde estou, as academias estão. Onde estou, tudo que me forma está”, sentenciou a professora homenageada, em trecho citado por Marcos Alexandre. Para o colega, o título de professora emérita coroa uma trajetória na qual “a ancestralidade é clivada por um tempo curvo, recorrente, anelado; um tempo espiralar, que retorna, restabelece e também transforma”.
Trajetória
Leda Maria Martins é licenciada em Letras (1977) e doutora em Estudos Literários (1991) pela UFMG, com mestrado pela Indiana University (1981). Realizou pesquisas de pós-doutorado na New York University e na Universidade Federal Fluminense. Foi professora na Ufop e na Faculdade de Letras da UFMG, onde chefiou o antigo Departamento de Línguas Vernáculas e coordenou a Pós-graduação em Estudos Literários. É autora de obras como A Cena em Sombras (1995) e Performances do Tempo Espiralar – poéticas do corpo-tela (2021).
Foto: Divulgação
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