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"Vermelho Carmim": um website sobre a luta das mineiras por seus direitos nas décadas de 1970/80
Muitos não sabem, mas Minas Gerais, especialmente Belo Horizonte, foi um centro irradiador de ideias avançadas para o Brasil nas décadas de 1970/1980 sobre direitos das mulheres no que ficou conhecido como "segunda onda do feminismo". Isso ficou apagado por 4 decadas pela ação da mídia que sempre atribuiu o protagonismo de mudanças culturais e políticas no país ao eixo Rio-Sao Paulo. Agora essa história vai ser revelada em minúcias pelo website Vermelho Carmim - que será lançado dia 10 de março, na sede da Fiocruz em BH - Instituto de Pesquisa RenéRachou.
O website, criado em pesquisa ccord. pela socióloga Dra. Elizabeth Maria Fleury-Teixeira pesquisadora da Fiocruz (que abrigará o site em seu portal), tornou-se realidade através do apoio de emenda parlamentar da então deputada federal Áurea Carolina (Psol), e em uma parceria com o Movimento feminista QuemAmaNãoMata.
"Vermelho Carmim " reúne documentos e fotos inéditos que estavam esparsos, crônicas feitas especialmente para o site e duas dezenas de entrevistas em vídeo com participantes dos dois momentos do feminismo mineiro nas décadas de 1970/1980, com mulheres engajadas e homens apoiadores do movimento. Esse trabalho também conta com uma vídeo-peça com direção de Pedro Paulo Cava e grande elenco. Baseada em teses acadêmicas, a vídeo-peça mostra ficcionalmente, de maneira crua e realista, a violência praticada por homens contra as mulheres.
O website é um panorama da história do Movimento feminista QuemAmaNãoMata que se inicia em 1975 com um debate no DCE/UFMG sobre a questão da mulher na sociedade (discussão inédita até então) e se estende ao Ato Público da Igreja São José, em agosto de 1980, em protesto pela morte de duas mineiras de alta classe média por seus respectivos maridos. Isso leva ao trabalho do SOS-Mulher MG e resulta nas delegacias de mulheres por todo o país, o Centro de Defesa dos Direitos da Mulher e as primeiras pesquisas sobre a violência contra as mulheres em BH. As conclusões dessas pesquisas ainda são válidas até hoje: os agentes de segurança têm de ser melhor preparados, as delegacias têm de se tornar ambientes acolhedores às mulheres que tomam a difícil decisão de denunciar abusos cometidos, a maior parte, dentro de casa e por companheiros e familiares.
A importância de resgatar essa história que ficou por muitos anos apagada diante do poder discursivo da mídia carioca e paulista é, segundo a criadora da pesquisa e organizadora do website Vermelho Carmim, Dra Elizabeth Fleury-Teixeira recuperar o que chama de "momentos disruptivos" provocadores da derrota da ditadura militar, "gestos mínimos que se perderam pelo caminho e têm de ser resgatados para uma história que respeite o protagonismo de pensamentos e ações considerados 'periféricos' pela intelectualidade brasileira ".
Participarão do lançamento Mirian Chrystus, fundadora e coordenadora do QANM e Eleonora Menicucci, ex-Ministra que irá falar da sua experiência frente à Secretaria de Políticas para as mulheres no governo Dilma Rousseff em que foi promulgada a Lei contra o "feminicídio", que dá maior visibilidade ao assassinato de mulheres e suas razões.
Lançamento website Vermelho Carmim - uma história da luta das mineiras por seus direitos
Dia 10 de março, às 9h
Auditório da Fiocruz Minas (Avenida Augusto de Lima, 1715 Barro Preto)
Contatos: Dra Elizabeth Maria Fleury-Teixeira - (16)9.81162356.
Eleonora Menicucci....
Mirian Chrystus 9 9731 2223
Foto: Divulgação
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